Manifesto da Boa Vontade (IV)

Fonte: Discurso proferido no lançamento da Pedra Fundamental do ParlaMundi, da LBV, em 21 de outubro de 1991, em Brasília, o qual foi publicado no Manifesto da Boa Vontade.

 

Democracia religiosa — pioneirismo da LBV



O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica nasce sob o sinete da Democracia, mas não a Democracia meramente eleitoral, partidária. Falamos de uma Democracia harmonizada com as Leis Divinas que regem a vida do Homem na Terra, já tenha ele sabido entendê-las ou não (...). Trata-se de um caminho situado além do Capitalismo e do Comunismo, dois ateísmos que não solucionaram a problemática social e humana, e, também, para redimensionar a Democracia Cristã de forma que esta possa alcançar as alturas crísticas da Política de Deus: a Política para o Homem e para o seu Espírito eterno.

A Democracia é o regime da responsabilidade. Odiar não é democrático. Já a 11 de março de 1949 (no programa Cinelândia Matinal, do veterano radialista evangélico Adolfo Cruz, na Nacional do Rio de Janeiro), Zarur preconizava que "o Brasil precisa, agora mais do que nunca, da união de todos os seus filhos". Naquela ocasião, Adolfo o cumprimentou por seu esforço de irmanar religiões, respeitando todos os pensamentos, propagando a fé cristã: "...Confiante na misericórdia de Deus, você realiza um bom trabalho que merece o nosso respeito, a nossa admiração".

Pregamos a Democracia não somente na Política, mas em todas as áreas da vida humana, principalmente na Religião que deve andar na vanguarda, por força de sua missão de paz na Terra; se não, para que serviria? É uma ação de humildade, que, para ser frutífera, precisa, antes de tudo, estar revestida pela couraça da coragem. Vejam os exemplos dos Apóstolos de Jesus, depois da Ressurreição. O saudoso fundador da LBV Mundial costumava dizer que "o maior criminoso do mundo é aquele que prega o ódio em nome de Deus". E mais: que "governar é ensinar cada um a governar a si mesmo". Ninguém definiria melhor o sentido mais profundo do Ensino para uma nação forte no Terceiro Milênio.

Amor — inteligência de Deus.


A Democracia Religiosa, que se opõe diametralmente a todos os fanatismos, é a essência do Ecumenismo Irrestrito, tese da Legião da Boa Vontade, respeitada por todos os de mente aberta que não querem perder o foguete da História, pois o Ecumenismo Irrestrito é questão de sobrevivência coletiva, portanto irreversível. Ele singulariza a Fraternidade no seu sentido mais profundo e abrangente. Mais dia, menos dia, será adotado por todas as crenças, pois o Amor é a inteligência de Deus em nós. Quem viver, verá!

Quando falamos na união de todos pelo bem de todos, alguns podem atemorizar-se, pensando em capitulação de seus pontos de vista na enfadonha planura de uma união despersonalizada, o automatismo humano deplorável. Não é nada disso. Na Democracia Ecumênica, todos têm o dever de expressar civilizadamente suas idéias, sua maneira de ver as coisas. Entretanto, ninguém tem o direito de odiar a pretexto de pensar diferente. Já dizia Gandhi que "divergência de opinião não deve ser jamais motivo para hostilidade". E foi por pensar assim que o Mahatma tornou-se o libertador do seu povo. O dever de expressar o cidadão civilizadamente o seu ponto de vista não significa que, para viger a Democracia, tenha ele de ser o vencedor. Pelo contrário, democrático é saber conviver também com a derrota. Quem isto não aceita não sabe o que é Democracia. Ademais, o que é derrota?

Não se faz uma boa alimentação com uma única substância. Ninguém agüenta: só arroz, só feijão, só fubá... É na mistura de tudo que se forma aquele alimento que mantém dignamente o corpo vivo. Pois é nessa gama de opiniões diversas, mas de sentimentos unidos, solidários, compreendendo que todos somos Irmãos, que está a substância moral e espiritual que levanta uma Pátria, dentro da verdadeira Democracia. É bom sempre repetir que a Democracia é o regime da responsabilidade. Saibamos, pois, viver a unidade na diversidade, para juntos vencermos a adversidade. Sem ilusões, olhando o mundo de frente. Cara a cara!

Ao proclamar a Boa Vontade como ato da verdadeira Política, a LBV assume definitivamente a sua posição de vanguarda.

A Vida é eterna, por isso há necessidade de a Política não se estender apenas ao Homem material, mas também ao seu Espírito. Deve a Política ser exercida com dedicação sacerdotal por todos os segmentos da sociedade.
(Continua)

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.