Manifesto da Boa Vontade (III)

Fonte: Discurso proferido no lançamento da Pedra Fundamental do ParlaMundi, da LBV, em 21 de outubro de 1991, em Brasília, o qual foi publicado no Manifesto da Boa Vontade.

Dentre as nações, o Brasil desponta como privilegiada, apesar do negativismo (ou até mesmo nihilismo) de alguns. Nenhuma outra, entre as cinco mais extensas do mundo, pode apresentar relação tão equilibrada entre dimensões, recursos da Natureza, população, homogeneidade cultural e harmonia étnica, superior à que se vê em outras regiões do planeta, o que não significa dizer que seja a ideal. Racismo é obscenidade. Sem Educação e Cultura, para que haja Saúde e Trabalho com Espiritualidade, é como se todo o povo, sabendo ou não, estivesse sendo insidiosamente induzido a "esperar Godot", como aqueles dois mendigos da famosa peça teatral do controvertido escritor irlandês Samuel Beckett (En attendant Godot). (...) O atraso tecnológico poderá ser superado em poucos anos, se formos capazes de executar uma política de ensino (instrução e educação, não esquecida a espiritualidade), decisiva e corajosa. E a nossa LBV participa na dianteira desse processo, porque historicamente integra a lista de instituições que têm o saber como princípio e a pessoa humana e seu Espírito como meta.

Pelo prisma da Política que não faz tábula rasa do Espírito, ao Estado não cabe apenas o papel de estimular a empresa privada, para dela auferir recursos que deveriam sustentar as obrigações essenciais do Governo: educação, saúde, previdência, saneamento, habitação, segurança, justiça. Cabe a ele também estimular o sentimento de solidariedade social, promovendo, ecumenicamente, os talentos da população, para que ela própria saiba libertar-se da escravatura da ignorância material e espiritual que a aprisiona: governa bem aquele que — não esquecendo os corpos — aquece os corações e ilumina as Almas, animando-os à sobrevivência com as armas do Amor, da Verdade, da Moral e da Justiça que promovem a competência sublimada pela ética. Seres humanos não são frios números estatísticos. Povo ignorante sempre será escravo de si mesmo, por conseqüência, dos outros. Ninguém algema o Espírito de um ser humano libertado pelo conhecimento da Verdade e pela vivência do Amor fraternal, o que constitui verdadeira estratégia para a sobrevivência (...).
(Continua)

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.