Religiosos e médiuns

Fonte: Reflexão de Boa Vontade extraída do livro "Os mortos não morrem", de outubro de 2018.
Reprodução BV

Clóvis Tavares

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Santa Clara de Montefalco 

Do excelente livro Mediunidade dos Santos, de Clóvis Tavares (1915-1984), dentre inúmeros casos, destaco este em que são transcritas palavras do padre e maestro Lorenzo Tardy, biógrafo de Santa Clara de Montefalco (aprox. 1268-1308), na obra Vida de Santa Clara de Montefalco — Da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, publicada em 1881: “Agradou-se ainda Deus de revelar à Sua diletíssima Serva o estado de muitas almas traspassadas desta para a outra vida”.

Comenta Clóvis Tavares: “Clara, muitas vezes, teve conhecimento do estado espiritual de várias pessoas, inclusive freiras e benfeitores do convento que desencarnavam. Anunciava suas visões às irmãs e pedia-lhes as orações em favor dessas almas”.

Dizer, portanto — muitas vezes por desconhecimento e até mesmo por comodismo —, que ninguém volta para contar ou que não se tem notícia dos que partiram seria como forçar um pouco a realidade e restringi-la a uma contingência do saber alcançado nas formas até então aceitas. Se a onda do momento é o materialismo, efetivamente não passa de onda. Eterno é o Espírito, e as inegáveis evidências empilham-se aos montes. Um dia, todos compreenderão isso.

Além do mais, o Mundo Espiritual não é um dormitório. Lá existe franca atividade.

Vejamos outro flagrante exemplo.

Um caso de materialização narrado por um escritor protestante

No meu livro O Sentido da Paixão no Final dos Tempos (1989), transcrevo expressivo fenômeno de materialização de Espírito, testemunhado por dois Irmãos pastores, quando se dirigiam a uma igreja evangélica para pregar sobre o fato mais importante da História do mundo, anunciado pelo próprio Cristo no Seu Evangelho-Apocalipse — a Sua Volta Gloriosa a este planeta:  “Eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Apocalipse, 22:12).

Passo a palavra a José Nunes Siqueira, autor de Átomos da Paz, da Casa Publicadora Batista: Dois pregadores do Evangelho se dirigiam de automóvel para uma cidade, onde realizariam, à noite, uma conferência sobre a Segunda Vinda de Jesus, e sobre esse tema inspirador conversavam todo o tempo. A meio do caminho, notam os pregadores que, a um lado da estrada, um cavalheiro bem trajado fazia sinal indicando querer uma passagem na direção da cidade. Param o carro. Ao continuar a viagem, prosseguem também a palestra que já vinham mantendo a respeito da conferência da noite sobre a Vinda de Jesus. Num dado momento, o estranho passageiro que foi alvo da cortesia cristã dos pregadores lhes faz a seguinte pergunta: — Os senhores vão pregar hoje à noite sobre a vinda de Jesus? — Sim, e essa mensagem de fé e de esperança enche o nosso coração de profunda felicidade! — Pois os senhores fiquem sabendo que a Volta de Jesus está muito mais perto do que imaginam. Diante de tais palavras pronunciadas com muita solenidade pelo estranho cavalheiro, os pregadores, surpresos com a mensagem de advertência que lhes estava sendo dada, voltaram os olhos para trás, a fim de conhecerem melhor o inesperado companheiro de viagem, e a surpresa se tornou maior, pois não viram mais ninguém. O passageiro havia desaparecido como por encanto. Os dois pregadores concluíram que Deus lhes havia enviado um Anjo em forma humana para lhes dar uma poderosa advertência sobre a proximidade da Volta de Jesus. Desnecessário é afirmar que os dois pregadores, naquela noite, anunciaram com grande poder a maior mensagem de esperança da Palavra de Deus sobre a Segunda Vinda de Jesus para estabelecer Seu reino de paz e justiça entre os homens. E muitos foram os corações que então se entregaram a Jesus. Com aqueles dois pregadores do Evangelho se cumpriu o que está escrito: ‘O Anjo do Senhor se acampa ao redor dos que O temem e os livra’”.

(Os destaques são meus.)

Esses prodígios não ocorrem apenas nesta ou naquela crença. Eles se dão onde estiver o ser humano — que é em essência Espírito —, até mesmo na área do materialismo ateu. Basta ler a História ou tomar conhecimento das recentes notícias. Por exemplo, o talento mediúnico, carismático, paranormal, como o quiserem denominar, da famosa sensitiva russa Djuna (1949-2015). Essa fenomenologia da Alma está sempre, desde que o mundo é mundo, a convocar as pessoas à meditação de que existe algo além a ser descoberto e analisado com humildade, isto é, sem ideias preconcebidas, que não se coadunam com a Ciência, a Filosofia e a Religião. Acima de tudo, a humanidade precisa aprender a mensagem espiritual e a força moral imanentes do fenômeno.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem "o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno".