O Sol nasce para todos

Fonte: Jornal A Tribuna Regional, de Santo Ângelo/RS, edição de 2 e 3 de agosto de 2008, sábado e domingo | Atualizado em dezembro de 2016.
Reprodução BV

Martinho Lutero

O Pai Celestial permanece sempre disposto a nos oferecer reiteradas oportunidades, mostrando-nos um infinito de belezas sem igual. Basta ver que nos mandou Jesus, entre outros veneráveis mensageiros, para trazer-nos a Sua fórmula de elevação perene (Evangelho, segundo João, 3:16 e 17), retratada na perspectiva de Martinho Lutero (1483-1546) como a passagem mais tocante da Boa Nova:

“16 Porque de tal maneira amou Deus ao mundo, que lhe deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

“17 Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele”.

Tela: James Tissot (1836-1902)

Título da obra: A cura da sogra de Pedro

Ora, dessa Medida Celeste de ascensão moral e espiritual das criaturas resultará o definitivo erguimento social das massas se elas, convictamente, portanto com perseverança, cumprirem este ensinamento do Cristo (Evangelho, consoante Mateus, 6:33): “Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas”.

Que custa, sem fanatismos, experimentá-lo?

Diante desse roteiro magnífico de Libertação Divina, quantas vezes, por causa de um simples “me-dá-lá-aquela-palha”, esquecemos as munificências que o Pai preparou para que não nos atrasemos, presos às garras da ignorância.

Tudo acabou, nada!

Muita vez você está desesperado (ou desesperada) e exclama: “Tudo acabou! Nada mais existe. Não resta a mínima esperança!”. No entanto, o Sol continua brilhando lá fora; o ar, circulando à sua volta; a vida, vivendo... A Humanidade persiste, repleta de confiança, malgrado tantos tropeços. Pessoas se amando, existindo, realizando... Todavia, você vê e sente tudo com azedume, porque se tornou particularmente amargo (ou amarga). Talvez falte um pouco de piedade no seu coração. Ensina o Profeta Muhammad — “Que a Paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele!”: “A misericórdia é a riqueza dos crentes”.

Há dois mil anos, porém, Jesus advertia: “Se os teus olhos são trevas, que grandes trevas serão!” (Evangelho, segundo Mateus, 6:23).

Isto é, quão sombria será a sua sorte!

Entretanto, milênios de Cristianismo humano transcorreram. E, quando o Mestre, apesar de todas as aparências em contrário, se aproxima para iluminar, por meios que apenas Ele conhece, o planeta, com o Seu Cristianismo total, sublimando realmente a trajetória terrena, você pensa em desistir?!... Querer “morrer na praia”, depois de atravessar oceanos de lutas e dificuldades, que pareciam desejar afogá-lo (ou afogá-la) no desespero?!

Divulgação

João XXIII

Nos momentos de desânimo, lembre-se destes dizeres do saudoso papa João XXIII (1881-1963), que, com o seu conhecido alto-astral, afirmava: “Sou sempre otimista, ainda quando exprimem perto de mim profunda inquietação pelo destino da Humanidade”.

O Sol nasce para todos. Não tem culpa de que o egoísmo ainda vigore na Terra. “Quousque tandem, Catilina*?”

Arquivo BV

Winston Churchill

Winston Churchill (1874-1965), não obstante os seus muitos críticos, foi um exemplo de pertinácia. Na hora dramática em que, com mão poderosa, conduzia a sua “pequena ilha” na resistência a Adolf Hitler (1889-1945), a voz dele levantava-se contra o medo. E o povo fortalecia-se na férrea decisão de não ceder aos nazistas. Isto já faz parte da História.

Contudo, nestas palavras que retratam bem sua forte determinação, até hoje nos convida a jamais desanimar:

“Nunca desista,

“Nunca, nunca, nunca!

“Em nada, grande ou pequeno,

“Importante ou insignificante...

“Nunca desista!”.

Acertada medida é, pois, em ocasião alguma capitular ante os desafios da existência espiritual e física. Mas entenda, acima de tudo, a lição do Educador Celeste tal como os Seus Apóstolos a compreenderam: insista sempre mais um pouco e sentirá que a sua redenção está próxima.

Disse o Cristo: “Na vossa perseverança, salvareis as vossas Almas” (Evangelho, segundo Lucas, 21:19).

Por conseguinte, é proveitoso guardarmos esse Divino Alertamento no coração e na mente em todos os instantes de nosso viver. Dessa forma, trilharemos cada vez mais no rumo da felicidade eterna e da Glória de Deus.

Jesus é forte mensagem de esperança numa época de tamanha desilusão para tantos.

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Nota do autor

* Frase de Cícero (106-43 a.C.) — Marcus Tullius Cícero: orador e político romano. Ficou famoso o seu eloquente repúdio a Catilina (Lucius Sergius Catilina), quando este teve a audácia de comparecer ao Senado Romano, depois de descoberta a sua conspiração contra a República: “Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?(Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?). Cícero publicou, além de tratados de retórica, obras de Filosofia.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.