Cruzada de Religiões Irmanadas

Fonte: Revista JESUS ESTÁ CHEGANDO!, edição 129, de junho de 2017, página 37. | Atualizado em dezembro de 2018.

O programa radiofônico Hora da Boa Vontade, lançado por Alziro Zarur (1914-1979), saudoso Fundador da Legião da Boa Vontade, em 4 de março de 1949, às 17 horas, na Rádio Globo do Rio de Janeiro/RJ, Brasil, foi o embrião da LBV, que, pouco tempo depois, em 1o de janeiro de 1950, seria oficializada, com a missão de promover a Fraternidade Ecumênica, base para o entendimento e a união de todos os cidadãos, independentemente dos credos e das filosofas que abracem.

Arquivo LBV

Em 7 de janeiro de 1950, Alziro Zarur comanda a primeira reunião ecumênica da Legião da Boa Vontade, a Cruzada de Religiões Irmanadas, pela qual pioneiramente preconizava o interrelacionamento religioso. Ela foi realizada no Salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, RJ, da qual Leopoldo Machado foi um dos oradores. Na foto superior, ao lado direito de Zarur, que aparece em pé, Teles da Cruz (Catolicismo), à esquerda Murilo Botelho (Esoterismo) e Ascânio Farias (Positivismo).

A difusão dos ideais da Legião da Boa Vontade alcançou grande repercussão, desde que foi criada, na década de 1950, representando uma nova etapa no âmbito das relações sociais, que, então, passaram a receber a influência do Ecumenismo Irrestrito, a mais notável característica da Instituição já à época do seu nascedouro.

Reprodução BV

Dom Sebastião Baggio

Divulgação

Papa Paulo VI

Assim, a LBV, espelhando-se nos ensinamentos universais do Cristo, dedicou-se à Cruzada de Religiões Irmanadas, em continuidade ao pioneiro trabalho de expansão da consciência ecumênica para o qual Alziro Zarur foi despertado, ainda moço, em 1926; esforço esse que lhe traria, anos mais tarde, o reconhecimento do Vaticano: recebeu do Núncio Apostólico Dom Sebastião Baggio (1913-1993) a Medalha do Papa Paulo VI (1897-1978), “por serviços prestados à causa do Ecumenismo”.

Registro histórico

Para conhecimento da nova geração, recorro ao que foi publicado em meu livro É urgente reeducar! (2000) acerca da reunião inter-religiosa feita no mundo, pela Legião da Boa Vontade, assim como as palavras marcantes de dois célebres entusiastas da causa do Ecumenismo:

Pastor Protestante enaltece origem da LBV

Arquivo BV

Salustiano César

Por intermédio da Equipe Solidária da Legião da Boa Vontade da Europa, recebi um raro exemplar do jornal O Cristão, de 31 de janeiro de 1950, da cidade do Rio de Janeiro/RJ. Trata-se de um número comemorativo do 58o aniversário desse órgão oficial da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais e Cristãs do Brasil. Nele encontramos uma reportagem, na página 10, sob o título “O Valor da Cooperação”, assinada por Salustiano César, Ministro Evangélico que documenta o nascimento da Legião da Boa Vontade (LBV), criada por Zarur em 1o de janeiro de 1950, Dia da Paz e da Confraternização Mundial. A seguir, para registro histórico, apresento alguns trechos:

O Valor da Cooperação

“... Nós somos cooperadores de Deus…”

Apóstolo Paulo, I Coríntios, 3:9.

Tela: Rembrandt (1606-1669)

O Apóstolo Paulo

Há muita coisa na vida cristã que ainda não foi devidamente evidenciada em termos de poder evangélico. A cooperação é uma dessas coisas, cuja compreensão conceitual melhor firmada gerará novos rumos para notáveis realizações.

Sentimos necessidade de falar em cooperação, mas não como geralmente se faz, com arranjos de vocábulos enfeitados, com elegância estilística.

Começarei afirmando que o espírito de cooperação entre nós tem gerado e produzido pouquíssimos efeitos em todos os planos de nossa denominação. O que tem faltado não é o sentimento cooperativista. Este existe muito latente nos corações, porém sem educação, sem planificação, sem direção. (...)

O valor da cooperação é inegável na existência de empreendimentos os mais dignos de renome. (...)

Na sociedade hodierna encontramos fatos que constituem verdadeiros reptos ao povo cristão. No dia 7 de janeiro corrente, especialmente convidado como Ministro Protestante, participei de uma interessantíssima quão surpreendente reunião no edifício da Associação Brasileira de Imprensa, onde o espírito colaborativo, numa forma toda providencial, se caracterizou pela representação em conjunto de pessoas de diferentes credos e correntes filosóficas. Nossa palavra baseada em Romanos, 12, foi ouvida com extraordinários aplausos, ao lado dos oradores: Israelita, Positivista, Esoterista, Espírita, Católico-romano, Livre-Pensador. Muitíssimo impressionante foi essa solenidade pelo objetivo culminante de congregar as “pessoas de Boa Vontade” em favor dos que ficaram à margem da vida. Com este objetivo, foi organizada a “Legião da Boa Vontade”, que atenderá “sem preconceitos” a todos os que sofrem nos seus leitos de dor, em suas casas ou emparedados nos hospitais.

Que lição esta que vem de Deus! (...)

Vamos agir no espírito da Palavra de Deus que diz:

“Amai-vos cordialmente uns aos outros, com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.”

Não sejais vagarosos no cuidado: sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor:

Comunicai com os Santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade.

Divulgação

Pietro Ubaldi

Não foi, portanto, sem motivo que, no princípio da década de 1950, o filósofo e sociólogo italiano Pietro Ubaldi (1886-1972) declarou: “A Legião da Boa Vontade é um movimento novo na História da Humanidade. Colocará o Brasil na vanguarda do mundo”.

O efeito benéfico que essa pregação conciliadora trouxe à sociedade foi lembrado, de forma singela, também em 2000, pela saudosa senhora Maria Brígido (1919-2005), de Porto Alegre/RS, Brasil. Essa respeitável matriarca, ouvinte entusiasta da Super Rede Boa Vontade de Rádio (AM 1.300 kHz), relembrou: “Desde que Zarur começou a Cruzada de Religiões Irmanadas, achei uma maravilha. Por que os seguidores de uma religião não podiam olhar para o rosto das outras pessoas? Eu fui criada nessa cultura. Por exemplo: eu não podia passar na calçada em que houvesse uma sede da maçonaria. Onde já se viu uma coisa dessas? Ensinaram-me assim: se ali houvesse um centro espírita, eu precisava caminhar do outro lado da rua. Aprendi essas coisas quando criança, e foram esses mesmos ensinamentos que, infelizmente, passaram para todas as pessoas da minha faixa de idade”.

Dona Maria Brígido concluiu seus comentários, enfatizando que a juventude de agora é privilegiada, pois, “graças ao trabalho ecumênico da LBV, hoje, pensamos diferente”.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.