Consciência Negra

Fonte: Jornal de Brasília, edição de 19 de novembro de 2013, terça-feira | Atualizado em outubro de 2016.

Zumbi

Numa homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, e à lembrança do valente Zumbi, publico trecho de um artigo que preparei para a Folha de S.Paulo em 15 de maio de 1988. Nele enfatizo a necessária prática do Ecumenismo entre as mais variadas etnias:

Zumbi deu o brado que nenhum Domingos Jorge Velho poderia abafar: Liberdade! Dignidade! Somos seres humanos!

Reprodução BV

José do Patrocínio, Joaquim Serra, Luís Gama, Salvador de Mendonça, André Rebouças, Castro Alves e Joaquim Nabuco

Morreu-lhe o corpo. Mas a Alma — quem conseguirá matá-la? — permanece... e se multiplica nas palavras e atos de um PatrocínioJoaquim SerraLuís Gama, Salvador de MendonçaAndré RebouçasCastro AlvesJoaquim Nabuco e de tantos outros negros, brancos e mestiços. Se ainda não há democracia étnica dentro de nossas fronteiras — embora o Brasil seja nação de etnias mescladas, para cuja sobrevivência é essencial estar plenamente legitimada e vivida a sua brilhante mestiçagem —, é porque o espírito de senzala continua grassando. Contudo, é justamente na natureza miscigenada que consiste a sua força. O Brasil é uma grei globalizante.

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Ideal Ecumênico

    

Em É Urgente Reeducar!, campeão de vendas da 21a Bienal Internacional do Livro de São Paulo e destaque na 56a Feira do Livro de Porto Alegre, ambas em 2010, fiz constar extrato de minha publicação Paz para o Milênio, editada para a Conferência de Cúpula da Paz Mundial para o Milênio, realizada em 2000, na sede da ONU em Nova York, EUA. Ali defendo a posição de que todas as animosidades que costumam dividir, segregar os seres humanos em grupos intolerantes, se opõem ao Ideal Ecumênico. Assim sendo, promovem a intransigência, contribuem para a manutenção desse estado de tensões múltiplas que poderão empurrar o mundo na direção de um conflito indescritível que ninguém, em sã consciência, pode desejar.

Vemos o Ecumenismo Irrestrito (entre os mais diversos ramos do saber humano) e o Total (que abrange as esferas espirituais, ainda invisíveis aos nossos parcos sentidos físicos) como expressões máximas do Amor e da Justiça, o eixo de gravidade de uma sociedade sadia. É o estado natural e o querer espontâneo de toda criatura quando espiritualmente integrada ao Criador, ou ao verdadeiro sentido de humanidade, e bandeira dos que, religiosos ou não, labutam por uma convivência planetária melhor. O Ecumenismo proposto pela Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo não impõe nada a ninguém, a não ser suscitar o convite para o entendimento natural entre gente civilizada.

Campo Neutro

Arquivo BV

Alziro Zarur

Quando o jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979) esboçou em sua mente a criação da LBV — Legião da Boa Vontade, isto em 1926, idealizou-a como um campo neutro, um ambiente ecumênico, em que todos pudessem, irmanados, conviver em Paz. Numa palestra que proferi na década de 1990, utilizei-me de um interlocutor fictício para reforçar na mente dos que me prestigiavam com sua atenção o valor do respeito e da tolerância no bem conduzir da sociedade no cotidiano:

Qual a sua religião? O que isso interessa?

Qual o seu partido político? O que isso interessa?

Ah, você é negro! O que isso interessa?

Você é mestiço! O que isso interessa?

Você é branco! O que isso interessa?

Você é ser humano! É isso que interessa!

Somos seres humanos, com direito à liberdade de pensamento. Se aqueles que raciocinam assim como nós não fortalecerem os seus laços, dias piores virão para a Humanidade. Quem tem segurança hoje? Retomo aqui importante conclusão do velho Zarur, muito propícia para o momento em que vivemos: “Não há segurança fora de Deus”.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.