Rasgar o véu de Ísis*¹

Fonte: Revista BOA VONTADE, edição 190, de 30 de junho de 2004.

Neste artigo, o escritor Paiva Netto apresenta com exclusividade a Vocês, leitoras e leitores deste site, trechos do capítulo XXII de sua obra O Capital de Deus, publicado na revista BOA VONTADE de junho de 2004. Boa Leitura!

É chegada a hora do grande amplexo entre Razão e Fé, para que se abram definitivamente as portas do conhecimento iluminado pelos valores mais nobres do Espírito.

Durante décadas, em minhas palestras de improviso no rádio e na TV, afirmei que as mentes críticas, contudo sérias, com efeito científicas, são, por excelência, modestas (simples de coração*2), porque sabem que não há donos da Verdade. Por esse motivo publiquei, na Revista LBV nº 16, de dezembro de 1990, que existe algo além para ser descoberto e analisado com humildade, isto é, sem ideias preconcebidas, porquanto essas não se coadunam com a Ciência.

Em Sociologia do Universo, cheguei a ponderar: Quem verdadeiramente se dispõe à humildade perante a Sabedoria, livrar-se-á das limitações da arrogância. Daí ter escrito a página “A Vinha e o Ceticismo”, em As Profecias sem Mistério*3 (Editora Elevação, 1998), na qual considerei que a Humanidade tem vivido sob a ditadura de suas próprias criações castradoras nos vastos ramos em que progride.

O resultado não tem sido o melhor, basta ver os escabrosos desníveis sociais mantidos em um mundo "civilizado". Clara propensão suicida. Um dia, a casa pode cair, como na marchinha carnavalesca cantada por Emilinha Borba (1923-2005).

É flagrante a necessidade de alargar a ótica do pensamento criador humano, para que finalmente se torne promotor da grande libertação que resta por fazer. Em que bases?! Nas do Espírito, desde que não considerado medíocre projeção da mente, porquanto é a Sublime Luminosidade que dá vida ao corpo: eis a Grande Vinha que o Criador oferece à criatura para livrá-la da zonzeira do ceticismo excessivo. Bem que uma dose dele seja bastante salutar, desde que apreciemos esta advertência de James Laver (1899-1975), antigo responsável pelos departamentos de Gravura, Desenho e Pintura do Victoria and Albert Museum, de Londres, entre 1938 e 1959: “O ceticismo absoluto é tão injustificado quanto a credulidade absoluta”.

Por serem esses os conceitos que nos inspiram na Legião da Boa Vontade, a realização do Fórum Mundial Permanente Espírito e Ciência, cuja primeira reunião plenária, no Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, em outubro de 2000, foi marcada de grande êxito internacional. Trago, por oportuna, a opinião de um dos ilustres palestrantes, o físico indiano Amit Goswami, que leciona na Universidade do Oregon, Estados Unidos:

"Existe um espaço em nossa consciência no qual tomamos, de forma não perceptível, todas as decisões mais importantes sobre a nossa vida. Ele se chama, na física, área quântica e abriga um número infinito de possibilidades. Quando tomamos uma decisão, dizemos que estamos transformando essa onda de possibilidades em uma única escolha. Não conseguimos acessar essa área em estado normal. Precisamos, para isso, de estados alterados da consciência, como meditação, preces ou o êxtase dos santos. É nela que se processam as curas e todos os artistas criam suas obras".

Em 1988, num momento de reflexão, rascunhei alguns pontos, já por mim apresentados em diversas mídias, que aqui resumo: É preciso rasgar o véu de Ísis, que encobre o raciocínio humano e, em diversos casos, obscurece até mesmo o do Espírito quando fora da carne. A matéria muitas vezes confunde a psique, que fica com o seu raio de observação restrito às coisas que toma como unicamente reais. Nesse campo, dá-se a luta: a mente horizontal padece hipnotizada pelos sentidos físicos, maravilhada ao descobrir as muitas funções biológicas do cérebro, como se nada houvesse além do território físico; a mente vertical, dissipando o véu da carne, avança adiante dos esplêndidos horizontes abertos pela ciência terrestre, que ainda vive, sob certos aspectos, magiada pelos dogmas do materialismo. É então que — criteriosamente se sobrepondo a antigos obstáculos, como a tantos outros, pelos séculos, deu cobro — alcança mundos ainda inconquistados pelos mais lúcidos pesquisadores da Terra. Aos humildes, eruditos ou não, revelam-se os segredos de Deus. Para os simples, Jesus declarou: “Não há nada encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido" (Evangelho do Cristo, segundo Mateus, 10:26).

É de boa escolha recordar esta afirmativa do médico e político Dr. Bezerra de Menezes (1831-1900): “(...) a Ciência caminha sempre, sem que possa afirmar: toquei o marco terminal”.

Diante disso, nós, Humanidade, em conjunto, devemos bradar “Graças a Deus!”. Porque, senão, teríamos chegado, na Terra, ao fundo do poço, ao fim de toda esperança, pela ausência de incentivo da curiosidade sã.

 

Einstein, Ciência e Mística.

Aos olhos espirituais nada está imobilizado, morto. Tudo se agita e tem vida, como no átomo invisível. O místico percebe-o antes, pela intuição — que é a Inteligência de Deus atuando sobre os que entram em sintonia com Ele —, o que, mais tarde, o estudioso racional comprovará. O sábio do futuro “será uma mescla de cientista e místico”, não mais como os do passado, anteriores à Era da Razão, porquanto haverá a esclarecida, por conseqüência equilibrada, aliança entre esses dois pólos da Sabedoria: Religião e Ciência.

Livre de qualquer tipo de tabu, ele suplantará miríades de “mistérios” que desafiam o laboratório. Depois, será a imersão da mente racional no Infinito imaterial. Muito a propósito este pensamento inspirado do cientista místico judeu-alemão, naturalizado norte-americano, Albert Einstein (1879-1955): "A Religião do futuro será uma religião cósmica. Deverá transcender um Deus personalizado e evitar os dogmas e a teologia. Abarcando ambos, o natural e o espiritual, deverá basear-se em um sentimento religioso nascido da experiência de todas as coisas naturais e espirituais como uma unidade significativa".

 

Físico recomenda humildade aos cientistas

Não há limites para a expansão do Capital de Deus: o Ser Humano com o seu Espírito eterno. Foi o que enfatizei na mensagem que redigi para Ciência e Fé na trilha do equilíbrio*4, revista oficial da primeira sessão plenária do Fórum Mundial Permanente Espírito e Ciência, da LBV. Na publicação, em que apresento também o ponto de vista de ilustres personalidades do passado e contemporâneas (pesquisadores, líderes religiosos, filósofos e economistas, entre outras vocações), encontra-se brilhante explanação do físico internacionalmente premiado e professor da Darmouth College, nos Estados Unidos, Marcelo Gleiser, proferida durante o programa Ecumenismo, exibido pela Boa Vontade TV — A TV da Educação, da Cultura e da Cidadania Solidária Altruística com Espiritualidade Ecumênica!*5:

"Todo cientista tem de ter a humildade de aceitar o fato de que a Ciência tem limites e que desses limites, dessas questões que não podem ser explicadas, todos têm o direito de buscar a resposta da maneira que quiserem, pela Razão ou pela Fé. As duas contribuem para que façamos o Ser Humano melhor, para que se dê mais humanidade às pessoas."

Com essa manifestação, o ilustre professor Gleiser vem ao encontro do pensamento ecumênico da Legião da Boa Vontade, que, desde a sua origem, preconiza a suplantação das fronteiras que vinham mantendo em campos opostos, salvo raras exceções, mentes extraordinárias, capazes de alçar a estágios elevadíssimos as concepções da vida nas mais diversas esferas de aprendizado perene. No dia em que a Ciência decididamente ultrapassar a linha “final”, estabelecida não por ela mesma, mas por alguns corifeus da sua área de atuação, avançando de forma destemida pelos caminhos lustrais do Espírito, a Humanidade não mais conhecerá obstáculos para realizar o seu notável objetivo de civilização civilizada, desde que todo esse serviço de imensa envergadura seja clareado pelas luzes do Amor. Será, enfim, capaz de sobrepujar os óbices levantados por homens mesmo grandemente instruídos, quando precisam libertar-se das algemas forjadas, vez por outra, pela cultura convencional, tão prejudiciais ao grande destino do espírito criador científico e religioso. Ninguém aprisiona a Alma de um Ser Humano livre.

Graças a Deus, o singelo contributo da Legião da Boa Vontade em favor destes novos tempos tem recebido o reconhecimento de nomes do nível de Edgar Mitchell (1930-2016), professor norte-americano e sexto homem a pisar a Lua:

"É um prazer estar aqui com Vocês (no ParlaMundi da Legião da Boa Vontade). Deixem-me começar dizendo que cientistas e místicos têm a mesma meta, ou seja, compreender a realidade. A diferença é que os místicos vêm fazendo isso há milhares de anos por meio de pesquisas sobre o interior dos seres humanos, e os cientistas são os que acabaram de chegar com muito sucesso nestes últimos 400 anos e consideram apenas os aspectos físicos. (...) Saibam que, quando aqui nos encontrarmos novamente, e com certeza isso vai acontecer, este campo em que hoje estamos interessados, que é o Ecumenismo (...), aproximando Ciência e Espiritualidade, nestes próximos anos estará mais forte do que hoje"*6.

E de Patrick Drouot, físico francês:

"No ParlaMundi da LBV, podemos discutir livremente nossas ideias. Agradeço às pessoas daqui esta extraordinária realização em Brasília (Brasil). É fundamental que se abram portas para o conhecimento, como esta, no ParlaMundi. Devemos encorajar universitários e pessoas de diversas tradições a sentar e a discutir os temas deste Fórum Mundial Permanente Espírito e Ciência. Iniciativas como esta, da Legião da Boa Vontade, são importantes para os próximos tempos"*7.

 

Fala Von Braun

E, para encerrar este capítulo, a frase lapidar de Werner von Braun (1912-1977), impulsionador do planejamento interestelar norte-americano: "A Ciência e a Religião não são antagônicas, mas irmãs. Ambas procuram a verdade derradeira".

Afinal de contas, a Ciência iluminada pelo Amor eleva o Ser Humano à conquista da Verdade.

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*1 Rasgar o véu de Ísis — Remover o véu da deusa egípcia significa a revelação da Luz.

*2 Nota do autor — Quem são os simples? Para mim, os Simples de Coração — sejam religiosos, agnósticos, ateus — constituem a genialidade que Jesus tanto deseja que ilumine o mundo. E é a esse talento que Deus revela os Seus segredos.

*3 As Profecias sem MistérioBest-seller do escritor Paiva Netto, lançado pela Editora Elevação, que, com os livros Somos todos Profetas e Apocalipse sem medo, forma a coleção O Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, a qual já vendeu mais de 1,3 milhão de exemplares.

*4 Revista Ciência e Fé na trilha do equilíbrio — Além deste trabalho, Paiva Netto colocou também à disposição de todos o folder do congresso “Discutindo a Morte e a Vida após Ela”, que preparou para os participantes reunidos no Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF (Quadra 915, Lotes 75/76, CEP 70390-150, tel. (61) 3245-1070), de 23 a 25 de outubro de 2003. O evento foi mais um encontro preparatório para a segunda sessão plenária do Fórum Mundial Permanente Espírito e Ciência, a ser realizada em outubro de 2004, nos auditórios do ParlaMundi da LBV.

*5 Boa Vontade TV — A TV da Educação, da Cultura e da Cidadania Solidária Altruística com Espiritualidade Ecumênica! — O sinal está disponível em dezenas de operadoras de TV a cabo em todo o País e pela Internet (www.boavontade.com). Outras informações pelo tel. (11) 3358-6800.

*6 e *7 — Palavras de Edgar Mitchell e de Patrick Drouot durante a primeira sessão plenária do Fórum Mundial Permanente Espírito e Ciência, realizada em outubro de 2000, no ParlaMundi da LBV.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.