Ciência, tecnologia e diferencial feminino

Fonte: Trecho do artigo “Mulheres e tecnologia em prol da Paz”, publicado na Revista BOA VONTADE Mulher, de março de 2018. | Atualizado em agosto de 2021.

Em minha coluna no Jornal de Brasília, da capital federal do Brasil, datada de 3 de março de 2015, escrevi que não é surpresa o fato de a internet se ter transformado em ferramenta imprescindível em nossa rotina. Ao ser acessada, vêm abaixo fronteiras antes intransponíveis à maioria da população. Entretanto, tenho frequentemente asseverado  também para o bom uso do meio cibernético  que Educação é poder. Sem o devido ensino, aliado aos valores da Espiritualidade Ecumênica, o manuseio desse influente recurso pode ser desastroso. Por isso, urge intensificar eficientes práticas de orientação, desde a infância, a fim de que esse progresso extraordinário não se volte contra os próprios usuários e não seja, por consequência, em detrimento da comunidade inteira.

Defesa da Mulher

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Anália Franco

A ilustre educadora, jornalista, poetisa e filantropa brasileira Anália Franco (1853-1919), forte defensora do direito à educação das mulheres e meninas, certa vez, declarou: “É uma necessidade da sociedade recuperar com vantagem o benefício que a humanidade perdeu. Temos muita fé nos esforços da mente humana em prol da educação da mocidade, único meio para a regeneração futura. Não é só desbastando as inteligências que se reformarão as gerações; é preciso penetrar no sentimento e fortificar o coração”.

Aliás, Anália Franco rompeu barreiras, valendo-se do espírito associativo, para proporcionar abrigo, instrução e acesso ao trabalho digno aos deserdados da sorte. Instituiu uma importante rede de proteção à mulher e a órfãos. Na defesa da mulher, protagonizou, com O Álbum das Meninas — revista literária e educativa lançada por ela, em 30 de abril de 1898 —, a difusão de ideias de liberdade e de igualdade de gênero, de ingresso da mulher nos ensinos básico e profissional e de sua consequente participação efetiva no mercado de trabalho, de seu destacado papel como guardiã e gestora da educação das novas gerações, além do conceito de empoderamento feminino para a necessária mudança na sociedade de seu tempo.

Madame Curie (1867-1934), notável cientista polonesa, primeira mulher a receber o Prêmio Nobel e única personalidade a conquistá-lo em áreas científicas diferentes (Nobel de Física de 1903 e de Química de 1911), foi reconhecida não só pelos esforços e sacrifícios incontáveis em favor do progresso científico, na pioneira pesquisa sobre radioatividade, que lhe custou a própria vida. Quando de seu falecimento, o jornal The New York Times denominou-a “mártir da Ciência” que “contribuiu mais para o bem-estar da humanidade”. O Nobel de Física de 1923, Robert Millikan (1868-1953), à época presidente do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech, na sigla em inglês), em nota acrescentou: “Apesar de constantemente absorvida pelo seu trabalho científico, ela devotou muito do seu tempo à causa da Paz”.

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Madame Curie

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Robert Millikan

Essa brilhante mulher, de cujas descobertas surgiram significativas tecnologias para o campo da Medicina, do alto de sua perseverança e espírito humanitário concluiu: Jamais devemos sonhar em construir um mundo melhor sem o aperfeiçoamento dos indivíduos. Para esse fim, cada um de nós precisa trabalhar pelo próprio progresso e, ao mesmo tempo, compartilhar a responsabilidade geral por toda a humanidade”

Calar as sinistras vozes das armas

Com a força educativa das mulheres e das mães, utilizemos os recursos tecnológicos disponíveis e os que serão ainda criados pela audácia humana para persistir trabalhando no caminho da Paz e da Justiça.

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Reflexões da Alma (2003) – Lançado também em Portugal, pela  Editora Pergaminho, em 2008, e em Esperanto, em 2011, e em Espanhol, pela Editora Dunken. Adquira!

Em Reflexões da Alma (2003), afirmei que, se não desistirmos de lutar pelo Bem, haverá um dia em que as armas terão, por fim, suas sinistras vozes caladas. Neste milênio, que considero o das mulheres, mesmo que demore, os seres humanos entenderão que a essência do poder não se encontra egoisticamente neles próprios, mas, sim, no espírito de Solidariedade, que a todos deve irmanar. Resta muito a ser feito. As futuras gerações esperam de nós atitudes mais ousadas. Se é difícil essa empreitada, comecemos ontem!

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.