Daniel, a Fé e o poder da Prece

Fonte: Jornal de Brasília, edição de 27 de julho de 2010, terça-feira | Atualizado em outubro de 2016.

Alcione Giacomitti

Da edição revista e ampliada do meu livro Cidadania do Espírito, que a Editora Elevação em breve lançará, adianto-lhes trecho de entrevista que concedi ao escritor Alcione Giacomitti, para o seu livro Os Pilares da Sabedoria de um Novo Mundo (2001):

Costumo dizer que o milagre que Deus espera dos seres humanos (e espirituais) é que aprendam a amar-se. E a Prece é ferramenta poderosa para essa metamorfose urgente, porquanto a oração é o alimento da Alma, e o Amor, a substância da Justiça e da Paz. Tanto é verdade que inspirou a Melanchthon (1497-1560), educador e teólogo luterano, esta preciosa manifestação: “As tribulações e as perplexidades levam-me à Prece; em compensação, a Prece aparta-me dessas aflições”.

Reprodução BV

Melanchthon

Profeta Daniel, famoso pela interpretação que fez do sonho de Nabucodonosor (Livro de Daniel, capítulo 2), por jamais duvidar do Senhor dos Universos, comprovou tal força oriunda da convicção suprema no Pai Celestial. Não titubeou nem mesmo quando Dario, o Medo, assinou edito que condenava à cova de leões os que adorassem, durante o período de um mês, qualquer deus ou homem que não fosse o próprio rei. Neste episódio, vemos o soberano de Babilônia ser induzido maliciosamente por seus príncipes ardilosos, os quais desejavam encontrar alguma infração na conduta impecável daquele que seria promovido a administrador de todo o reino. Isso não impediu Daniel de reverenciar o Criador, orando de joelhos, como de hábito, três vezes ao dia. Denunciado o profeta pelos que cavavam sua ruína, Dario, com lamento e pesar, sentenciou-o à morte, ainda que tentando, sem sucesso, evitar tamanha injustiça. Agoniza, então, em seu palácio, passando a noite em jejum. Pela manhã, dirige-se às pressas ao local do martírio, testemunhando fato milagroso.

Reprodução BV

"Daniel interpreta o primeiro sonho de Nabucodonosor", obra de Mattia Preti (1613-1699).

Sem um arranhão sequer, Daniel louvava: “Ó rei, vive para sempre! O meu Deus enviou o Seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante Dele; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum”.

Nem é preciso descrever quão feliz ficou Dario. E à forma dura e crua daquele tempo, parecido algumas vezes com este, fez com que os acusadores do profeta, com suas famílias, fossem lançados às garras dos leões.

Depois disso, o rei conclamou o povo a adorar o Deus de Daniel por ser o Deus vivo que permanece eternamente, cujo reino não se pode destruir (Daniel, cap. 6).

Paulo Apóstolo escreveu que “a Fé é a substância das coisas desejadas, a convicção de fatos que não se veem” (Epístola aos Hebreus, 11:1).

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.