Natal de Jesus e Direitos Humanos

Fonte: Jornal A Tribuna Regional, de Santo Ângelo/RS, edição de 20 e 21 de dezembro de 2008, sábado e domingo | Atualizado em dezembro de 2016.

O Natal não é época de esquecer os problemas, mas, sim, pedir a Inspiração Divina para resolvê-los. A sua ambiência deve ser a da fraternidade, agora mais do que nunca, imprescindível para que, de fato, surja a cidadania planetária, que positivamente saiba defender-se da exploração mundial endêmica. Não apenas o corpo adoece, a sociedade também.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos completa no dia 10 o seu 68o aniversário. Em apoio a tão significativo marco, apresento trechos de palestras que proferi, alguns deles reunidos em Dialética da Boa Vontade (1987) e Manifesto da Boa Vontade, de 21 de outubro de 1991, quando lancei a pedra fundamental do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da Legião da Boa Vontade, em Brasília/DF, na presença de cerca de 100 mil pessoas.

Bastante se avançou desde a promulgação da Magna Carta. Todavia, há muito a ser feito para impedir que, em pleno século 21, mulheres, meninas e meninos continuem sendo vendidos como mercadoria; crianças prossigam trabalhando em fornos de carvão ou em outras atividades cujas condições são subumanas; ou que se tornem cegas por carência de vitamina A. Sem contar a tortura institucionalizada que se dissemina pelo planeta. Contudo, que tormento maior que a fome, além das multidões de analfabetos ou semialfabetizados, dos quais a perspectiva de uma existência decente é mantida distante?

Lei da Solidariedade Universal

Na contramão da insensatez humana, vislumbramos na vivência do Mandamento Novo de Jesus o denominador comum capaz de, fraternalmente unindo, iluminar os corações. É a religião da amizade, do bom companheirismo, destacado por João Evangelista, no Apocalipse (1:9). É a Lei da Solidariedade Universal, portanto espiritual, moral e social. Asseverou Giuseppe Mazzini (1805-1872), patriota e revolucionário italiano: “A vida nos foi dada por Deus para que a empreguemos em benefício da humanidade”. E Augusto Comte (1798-1857), o filósofo do Positivismo, concluía: “Viver para os outros é não somente a lei do dever, mas também da felicidade”.

O Amor é essencial, a começar dos governantes. Os que sofrem violência que o digam.

Deveres de ser humano e de cidadão

No Sermão da Montanha de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, vemos a exaltação aos bem-aventurados. Aqueles que compreenderam ao longo das eras que, cumprindo com seus deveres de ser humano e de cidadão, têm plenamente garantidos os seus direitos, numa esfera que nem todos ainda podem conceber.

Como homenagem a todos Vocês, encerro este artigo brindando-os com “As Bem-Aventuranças  do Sermão da Montanha de Jesus”, constantes do Evangelho do Cristo, segundo Mateus, 5:1 a 12, da magnífica forma com que Alziro Zarur (1914-1979), saudoso criador da LBV, as proferia:

“Jesus, vendo a multidão, subiu ao monte. Sentando-se, aproximaram-se Dele os Seus discípulos, e Jesus ensinava, dizendo:

“Bem-aventurados os humildes, porque deles é o Reino do Céu.

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados pelo próprio Deus.

“Bem-aventurados os pacientes, porque eles herdarão a Terra.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de Justiça, porque eles terão o amparo da Justiça Divina.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão Deus face a face.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da Verdade, porque deles é o Reino do Céu.

“Bem-aventurados sois vós, quando vos perseguem, quando vos injuriam e, mentindo, fazem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão no Céu.

“Porque assim foram perseguidos os Profetas que vieram antes de vós”.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem "o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno".