Natal de Jesus e Direitos Humanos

Fonte: Jornal A Tribuna Regional, de Santo Ângelo/RS, edição de 20 e 21 de dezembro de 2008, sábado e domingo | Atualizado em novembro de 2018.

O Natal não é época de esquecer os problemas, mas, sim, de pedir a Inspiração Divina para resolvê-los. A sua ambiência deve ser a da Fraternidade sem fronteiras, agora mais do que nunca, imprescindível para que, de fato, surja a Cidadania Planetária, que positivamente saiba defender-se da exploração mundial endêmica. Não apenas o corpo adoece; o organismo sociedade, também.

Ryoji Iwata-Unsplash

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada, pela Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 10 de dezembro de 1948.

Bastante se avançou desde a promulgação da Magna Carta da ONU. Todavia, há muito a ser feito para impedir que, em pleno século 21, mulheres, homens, meninas e meninos continuem sendo vendidos como mercadoria; tragédia que vem afetando a massa de refugiados que fogem de conflitos étnicos, da fome, da seca, da miséria; que crianças prossigam trabalhando em fornos de carvão ou em outras atividades cujas condições são subumanas e que se tornem cegas por carência de vitamina A; que a certeza da impunidade arraste pessoas ao absurdo de roubar doações destinadas aos flagelados por desastres naturais. Sem contar a tortura institucionalizada, que se dissemina pelo planeta. E mais: que tormento maior que a fome — espiritual e material —, além das multidões de analfabetos ou semialfabetizados, dos quais a perspectiva de uma existência decente é mantida distante?

Lei da Solidariedade Universal

Reprodução BV

Giuseppe Mazzini

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Augusto Comte

Na contramão da insensatez humana, vislumbramos, na vivência do Mandamento Novo de Jesus — “Amai-vos como Eu vos amei. (...) Não há maior Amor do que doar a própria vida pelos seus amigos” (Evangelho, segundo João, 13:34 e 15:13) —, o denominador comum capaz de, fraternalmente unindo, iluminar os corações. É a religião da amizade, do bom companheirismo*, destacado por João Evangelista, no Apocalipse do Cristo, 1:9. É a Lei da Solidariedade Universal; portanto espiritual, moral e social. Asseverou Giuseppe Mazzini (1805-1872), patriota e revolucionário italiano: “A vida nos foi dada por Deus para que a empreguemos em benefício da Humanidade”. E Augusto Comte (1798-1857), o filósofo do Positivismo, concluiu: “Viver para os outros é não somente a lei do dever, mas também da felicidade”.

A vivência do revolucionário espírito de Caridade, sinônimo de Amor, é essencial, a começar dos governantes. Os que sofrem violência que o digam.

Exaltação aos bem-aventurados e a Cidadania do Espírito

No Sermão da Montanha de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Estadista Sublime, vemos a exaltação aos bem-aventurados, isto é, àqueles que compreenderam, ao longo das eras, que, cumprindo com seus deveres de ser humano e de cidadão ecumênico, têm plenamente garantidos os seus direitos, a partir de uma esfera que nem todos ainda podem conceber: a espiritual.

Tela: James Tissot (1836-1902)

Detalhe da obra intitulada: O Sermão das Bem-aventuranças.

Arquivo BV

Alziro Zarur   

Como homenagem a todos vocês, encerro este artigo brindando-os com “As Bem-Aventuranças do Sermão da Montanha de Jesus”, constantes do Evangelho do Cristo, segundo Mateus, 5:1 a 12, da magnífica forma com que Alziro Zarur (1914-1979), saudoso criador da LBV, as proferia:

“Jesus, vendo a multidão, subiu ao monte. Sentando-se, aproximaram-se Dele os Seus discípulos, e Jesus ensinava, dizendo:

“Bem-aventurados os humildes, porque deles é o Reino do Céu.

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados pelo próprio Deus.

“Bem-aventurados os pacientes, porque eles herdarão a Terra.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de Justiça, porque eles terão o amparo da Justiça Divina.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão Deus face a face.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da Verdade, porque deles é o Reino do Céu.

“Bem-aventurados sois vós, quando vos perseguem, quando vos injuriam e, mentindo, fazem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão no Céu.

“Porque assim foram perseguidos os Profetas que vieram antes de vós”.

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Nota dos editores

* Bom companheirismo — João Evangelista é destacado por Paiva Netto como exemplo de perseverança e de bom companheirismo. Foi exilado na Ilha de Patmos — local em que recebeu o Apocalipse de Jesus — justamente por sua demonstração de amizade verdadeira a todos aqueles que, obstinados, testemunhavam Jesus, mesmo sob implacável perseguição de Seus infelizes inimigos. Diz o Evangelista-Profeta, no Livro da Revelação, 1:9: “Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, encontrei-me na ilha chamada Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem "o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno".