Libertador liberto

Fonte: Reflexão de Boa Vontade extraída do livro “Jesus e a Cidadania do Espírito”, de outubro de 2019.
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O jornalista e cineasta polonês Roman Dobrzyński esteve no Brasil para entrevistar Paiva Netto.

É nosso empenho, na Religião do Terceiro Milênio, apresentar um Jesus dessectarizado, sem arestas, para que Ele possa surgir em toda a Sua Divina Grandeza com poder e autoridade, a toda e qualquer consciência do mundo. Grafei este conceito da dessectarização do Cristo, durante uma entrevista que concedi, em 1989, ao produtor de documentários da TV polonesa, então vice-presidente da Associação Universal de Esperanto, jornalista Roman Dobrzyński. Na ocasião, Roman, ao analisar a missão do Templo da Boa Vontade, que eu inauguraria em 21 de outubro daquele ano em Brasília/DF, arguiu-me sobre como podia pregar o Ecumenismo Irrestrito falando em Jesus.  Resumindo o que há décadas tenho pregado sobre assunto tão fundamental da doutrina da Religião do Terceiro Milênio, respondi que uma das grandes tarefas da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo é dessectarizá-Lo, pois Jesus é o Cristo Ecumênico. (...) O Divino Mestre não é limitado. Ele é o Ideal Celeste de Humanidade, Amor, Solidariedade, Justiça e Compaixão para todos os Seres Humanos e Espirituais.

Numa das minhas palestras pelo rádio, dezesseis anos após a entrevista à TV polonesa, mais precisamente em 5 de novembro de 2005, durante a Cruzada do Novo Mandamento de Jesus no Lar, que é uma série de programas dedicados a integração das famílias nas Leis de Deus, reforcei o meu pensamento sobre a universalidade da figura do Professor Celeste:

É imprescindível a compreensão de que Jesus não é monopólio de qualquer crença, por mais notável ou elevada que seja. Ele é o Libertador Divino. Compreendido livre do vezo da intransigência, deixa de ser visto como “uma peça” — forma pela qual os escravos eram cruelmente rotulados e tratados.

Tela: Henrik Benedictus Olrik (1830-1890)

Detalhe da obra: Sermão da Montanha.

Libertador sob algemas?!

Desse modo, de mãos atadas, Jesus jamais poderia libertar alguém. Porquanto, não é o Mestre que pertence a nós — argumentação que desastrosamente tem levado a muitos conflitos lastimáveis, na luta por sua propriedade. Pelo contrário, nós é que pertencemos a Ele. (...) É urgente, pois, instruir-se, educar-se, reeducar-se, para devidamente instruir, educar e reeducar em Deus, no Cristo e no Espírito Santo. É a Cruzada de Reeducação Geral da Religião Divina em marcha.

Urge destacar essa qualidade do Taumaturgo Celeste, não obstante a redundância: um Libertador libertário que está realmente liberto. Ele vive acima de nossas medidas de espaço-tempo, que constringem o raciocínio, apequenam a filosofia e a lógica, pois submetem nossos métodos de análise aos parcos sentidos humanos. Apesar de saber que nem a Terra nem mesmo o Sol são o centro do Universo, o ser humano, em número apreciável, continua acreditando constituir o fulcro universal de todo o saber. Essa mentalidade geocêntrica, ou antropocêntrica, ou ambas, geoantropocêntrica, dificulta a dessectarização dos assuntos em debate.

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Joracy Camargo

Estamos longe de ser o núcleo do Cosmos. É preciso que a consciência também se livre desses conceitos que a Astronomia já derrubou, mas que ainda estão incrustados, de maneira oculta, na perspectiva humana de pensar. O raciocínio de Joracy Camargo (1898-1973), renomado jornalista, cronista e teatrólogo brasileiro, contribui com esta reflexão ao afirmar que: “A função do sábio não é condenar, mas investigar e explicar. O que mais o caracteriza é o espírito de tolerância”.

Assim ocorre com a Palavra de Deus. Ela não pode ser interpretada como se fosse um cativeiro mental e, sobretudo, espiritual. Sua contundente letra, examinada pelo prisma do livre-arbítrio*5 com que o Pai Celeste nos oferece condições de pensar e agir com responsabilidade, rompe correntes da ignorância espiritual. Ademais, nunca nos esqueçamos de que “Deus é Amor” (Primeira Epístola de Joao, 4:8), razão pela qual Sua Mensagem não pode ser discernida pelo diapasão do ódio. Um primeiro e acertado passo para tal postura é dessectarizar Jesus.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.