Sustentabilidade pela Economia Celeste e Reeducação

No artigo desta edição, o diretor-presidente da Legião da Boa Vontade, o jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto, nos impulsiona a acreditar na força transformadora do ser humano, quando esclarecido pelo Conhecimento Espiritual e inspirado pelo exercício do Bem Fraterno. Para ele, são ferramentas fundamentais para vencer qualquer dificuldade e construir um mundo mais equilibrado, consciente e sustentável. Por essa perspectiva ecológica e ética, o autor destaca o papel da Educação e, principalmente, da Reeducação com Espiritualidade Ecumênica no caminho da Paz, na luta contra a fome e pela conservação da Vida na Terra.

Os editores

O mundo inteiro fala em sustentabilidade, mas firmada em quê? Em geral, num pensamento econômico que sobrevive pela avidez. E vai liquidando os seres humanos não apenas por força do desemprego, da fome — em várias regiões de nosso orbe —, mas também pela carência de instrução. E esta, muitas vezes, nega melhor perspectiva à juventude e até a indivíduos na idade adulta. Não obstante, existe, por todo lado, o empenho de pessoas decididas a corrigir tal situação, que impede o crescimento sustentável de inúmeros países. E não basta instruir e educar. É imprescindível reeducar e ecumenicamente espiritualizar as nações, fazendo com que vejam além do intelecto.

Com isso, pode-se notar que, em diversos lugares onde a Economia se tornou mais forte, após certo tempo, por ausência de maior investimento nos princípios espirituais e éticos, a violência, que diminuíra, ressurge, advinda tantas vezes da indiferença aos que têm menos em suas fronteiras ou fora delas. Disso decorrem muitos conflitos internacionais. Por quê? Porque faltou não somente o ensino, todavia muito mais: a Reeducação, que é somar aos conteúdos formais a sabedoria universal da Alma.

As ações humanas com frequência refletem uma cultura em que o futuro depende unicamente das coisas que se pode tocar, segurar. Ora, e se existir algo além? É importante priorizarmos o Espírito, que antes de tudo somos, aguardando por ser esclarecido, iluminado pela Verdade e pelo Amor. Uma fórmula cujo resultado constitui a elevada Justiça, aquela que alcançará a eficiência de ser, de acordo com o que dizia Confúcio (551-479 a.C.), “o castigo para acabar com o castigo”. Ou seja, corrigir a criatura, livrando-a de seus enganos e conduzindo-a por caminhos acertados. A Reeducação, portanto, é uma escolha que nos deixa mais receptivos ao apoio celeste, pois o governo da Terra começa no Céu.

As bases renováveis eternas do Espírito

A sustentabilidade é o desafio das nações emergentes ou das que já atingiram o mais alto nível de crescimento material de suas economias. Ela igualmente é a luta dos ecologistas e a meta a ser alcançada pelos administradores da Terra. Jesus, o Economista Divino, por Sua vez, nos oferece um caminho novíssimo, porque firmado em bases renováveis eternas do Espírito, o moto-contínuo, a curul do desenvolvimento planetário intermundos.

No Evangelho do Cristo Ecumênico, o Estadista Celeste, segundo João, 15:1 a 11, podemos ler:

A videira e os ramos

"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai, o viticultor. Ele corta os ramos que não derem fruto em mim e limpa todos os que dão fruto, para que o deem mais em abundância. Já estais limpos pela palavra que vos tenho anunciado; permanecei em mim e Eu em vós. Assim como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não se conservar na videira, o mesmo vos sucederá se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Aquele que permanece em mim, e no qual Eu permaneço, dá muito fruto, pois sem mim nada podereis fazer. Se alguém não o fizer, será lançado fora como a vara e secará; e será jogada ao fogo para queimar. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras em vós permanecerem, pedi o que quiserdes, e vos será concedido. A glória de meu Pai está em que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu Amor; assim como tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no Seu Amor. Tenho-vos dito estas coisas a fim de que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa".

É preciso iluminar o Espírito Eterno da criatura humana, origem da sua liberdade ou do seu cativeiro. A chave dessas afirmativas encontra-se no Evangelho, segundo Mateus, 6:33, preconizada pelo saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, Alziro Zarur (1914-1979), como a “Fórmula Urgentíssima de Jesus”: Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas”, que considero ser a Lei Econômica Urgentíssima do Supremo Comandante da Terra, o principal pilar da Economia da Solidariedade Espiritual e Humana, que há décadas pregamos. A Fórmula do Cristo é valiosíssimo preceito que impulsiona e ilumina os Estatutos Superiores da Esperança e da Paz, que só podem vicejar onde imperam a Verdade e o Amor, a Humildade e o Bem.

Reforma a partir do Espírito

Em meu artigo “Leis, homens etc...”, publicado há mais de 30 anos na Folha de S.Paulo, já alertava para o fato de que é urgente educar. A Lei Áurea capaz de abolir a escravatura em qualquer país é livrar seu povo da ignorância. Escreveu Rui Barbosa (1849-1923) que “instruir não é simplesmente acumular conhecimentos, mas cultivar as faculdades por onde os adquirimos e utilizamos a bem do nosso destino. Se não as educamos simultaneamente na direção da esfera intelectual e na direção da esfera moral, tê-las-emos condenado a um desenvolvimento incompleto. Conhecer é possuir a noção plena e o conhecimento perfeito da lei no mundo moral, como no da criação material. A ausência da percepção do dever é, pois, uma das faces da ignorância, no sentido em que entendemos, quando lhe opomos como antídoto a escola”.

Não basta, portanto, apenas instruir, informatizar, digitalizar, porque a Espiritualidade Ecumênica é fator de comedimento que sustenta a ética nas ações humanas, particulares ou públicas. Levemos em conta esta reflexão do velho Sêneca (4 a.C.-65 d.C.), filósofo estoico, arrastado à morte por Nero (37-68): “A estrada para a sabedoria é longa através de preceitos, breve e eficaz por intermédio de exemplos.

O que não se faz por reformas que flagrantemente batem à porta pode vir a ser realizado por meio de processos traumáticos. E aí, além dos anéis, vão-se os dedos (...).

Razão além da razão

Aliás, uma de minhas grandes lutas tem sido demonstrar, por meio da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico1, que existe uma Razão além da preconizada pelo Iluminismo. E que Razão é essa? Aquela aclarada pelo Amor Celeste, que, pela intuição — a competência de Deus em nós —, conduz seguramente a criatura ao Bem, isto é, à Ciência do Criador. Naturalmente, nos referimos ao conhecimento livre de preconceitos e dogmatismos medíocres, bafejado pela necessária Caridade. Ela é uma função espiritual e social, não apenas um ato particular de socorrer apressadamente o mais próximo. É uma política dignificante, um planejamento humanitário, uma estratégia, uma logística de Deus, entendido como Amor, a nós oferecida, de modo que haja sobreviventes à cupidez humana. A Caridade é a Força Divina que nos mantém de pé. Sabemos, e basta ir ao dicionário, que ela é sinônimo de Amor. Portanto, é respeito, generosidade, solidariedade, companheirismo, cidadania sem ferocidades. O mundo precisa de carinho e Amor Fraterno.

Em suma, a Caridade é o conforto de Deus para as Almas e o relacionamento cordial entre aqueles que firmemente desejam a preservação deste orbe. 

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.