Matéria também é Espírito

Em Arnoso, Portugal, redigi um artigo, originado de uma carta que escrevera, em 28 de fevereiro de 1993, a meu filho José Eduardo, àquela altura estudando música na Bulgária. Seu título, “Matéria também é Espírito. Deus não é suicida”. Foi publicado em 29 de abril de 1993, pelo Correio Braziliense (de Brasília/DF, Brasil):

Deus é matéria supinamente quintessenciada

José Eduardo,

Deus é Espírito, consequentemente Sua Política é espiritual; porquanto, no final do raciocínio filosófico mais apurado, até matéria é Espírito. Qual o seu significado? Da fartamente imaginada como concreta, depois de Einstein (1879-1955), nada restou. O que permaneceu foi a Energia, nome científico do Espírito.

Há muitas gradações de matéria, algumas das quais ainda imperceptíveis aos sentidos humanos. Existem em outras dimensões. E lá são “matéria”, pois visível aos olhos dos que por suas esferas habitam. Jesus e os Profetas não são vistos por nós. Mas onde vivem?

Graham Greene (1904-1991), famoso escritor inglês, nas suas meditações concluiu esperançoso: “O nosso mundo (o planeta Terra) não é todo o Universo. Talvez exista um lugar onde Cristo não esteja morto”.

Na nossa dimensão, veja-se o exemplo da luz. Você pode segurá-la com as mãos? De forma alguma! (pelo menos até agora) Mas os seus efeitos são comprováveis, e a sua curvatura no Espaço, atestada pelo famoso cientista judeu-alemão.

(...) A revolução de Einstein no campo da Física foi nessa mesma direção: E=mc2. A conceituação moderna de matéria é nuclear. A imagem da solidez foi substituída pelo circuito fissão/fusão. A liberação da energia, contida no dinamismo dos núcleos acelerados, passa pelos dedos e escapa às mãos dos que desejariam segurar a matéria, firmados em ultrapassados conceitos do materialismo dialético. Eis uma descoberta científica com sérias consequências morais, como todas o são em profundidade.

Dentro da relatividade dos conhecimentos terrenos mais avançados, ainda cativos da humilhante pobreza da linguagem humana, podemos afirmar que tudo é “matéria” sem o ser como a Humanidade a vem imaginando, desde que um primata mais ousado levantou os olhos do chão, imprimindo erectilidade à sua coluna recurvada, e elevou seus olhos surpresos ao céu, maravilhando-se com o festival de estrelas que poetizam a magnificência de Deus e a Sua Infinita Misericórdia. Naquele momento, a criatura (matéria ainda bruta), clareada pelo primeiro lampejo de sua inteligência erguida às razões superiores, começou a sua difícil e tortuosa ascensão ao Criador (matéria supinamente quintessenciada). (...)

Ela é Sagrada. Mais que isso: Sacratíssima. O mau uso ou a visão enferma que se tem a seu respeito é que está equivocado. Na verdade, não existindo, da maneira como a vinham concebendo em lucubrações terrenas restritas, já faz ver a sua presença verídica na área espiritual, à medida que a compreensão dos homens se ilumina. Graças a Deus, havendo o ser humano começado a perceber a irrealidade da matéria como forma definitiva (E = mc²), ela passará a ser analisada nas regiões da Vida Real.

Não vemos os Espíritos (Energia libertada) nem podemos tocá-los ainda. Todavia, nas dimensões diversas em que gravitam, os iguais se veem e convivem. Num mesmo ambiente astral, podem estar várias individualidades; contudo, os menos evoluídos só verão os Superiores se estes considerarem útil ao crescimento daqueles.

O “Ser” antes do “Ter”

José Eduardo, certamente já percebeste que te estou falando de Economia! Sim, Economia! Não confundir com Finanças. Existe uma Economia, além daquela definida como “A arte de bem administrar uma casa ou um estabelecimento particular ou público”. Que é o planeta Terra? Uma Casa, imensa Casa, com uma família chamada Humanidade, que praticamente desconhece por que nasce, sofre, ri, ama, odeia e por isso se debate na angústia de ter, quando primeiro necessita ser, isto é, alcançar o entendimento pleno de sua razão espiritual para conquistar tudo aquilo a que tem direito — sem roubar, saquear, chacinar. Esses conhecimentos, desde os milênios, se encontram à nossa disposição. Todos teremos integral acesso a eles, no momento em que nos iniciarmos na Suprema Verdade que rege a Economia de Deus, que Jesus trouxe à Terra, quando, ex cathedra, ensinou, durante o Sermão da Montanha: “Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas” (Evangelho, segundo Mateus, 6:33).

Com meu pobre Amor de pai (para a tua riqueza de Amor de filho), espero que sempre mereça alcançar o teu privilegiado coração.

Quem confia em Jesus não perde o seu tempo, porque Ele é o Grande Amigo que não abandona amigo no meio do caminho.

Com a Alma, abraço-te.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem "o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno".