Ano-Bom depende de nós

Fonte: Jornal O Sul, edição de 31 de dezembro de 2006 e 1º de janeiro de 2007, domingo e segunda-feira. | Atualizado em novembro de 2019.

É costume exclamar à zero hora de cada primeiro de janeiro: “Ano-Novo! Ano-Bom!" E muita gente o faz movida a álcool e a droga. E como... Depois vem a violenta ressaca. E depois do depois, a turma cai na realidade e põe a culpa em Deus, no Diabo e no mundo... E, azar de quem estiver por perto...

Abro a página 91 do primeiro volume da coleção Sagradas Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo e leio estas palavras de Alziro Zarur (1914-1979):

“Os fatalistas, com o seu derrotismo permanente, estão completamente enganados. Existe, na verdade, o destino, ou determinismo, como consequência do passado de cada criatura: mas há, sempre, o livre-arbítrio, que Deus garante a cada um de Seus filhos. Portanto, qualquer infeliz pode mudar o seu destino com Boa Vontade, que é o princípio da verdadeira Paz. Cada um é senhor do seu destino”.

Realmente, cada um é senhor do seu destino. Só que muita vez mete os pés pelas mãos, porque não tem a visão de que todo ato resulta em consequência. A Física explica muito bem o que a Moral capitula entre suas leis éticas e a Religião registra como caminho para o bom, digno e respeitoso relacionamento humano que deve, por exemplo, iluminar toda a ação política, para afastar os perigos que se somam de problemas nacionais mal resolvidos.

É bom meditar sobre este pensamento de Napoleão Bonaparte (1769-1821): "Sociedade alguma pode sustentar-se se não estiver fundamentada na moral (...)". E se alguém apressadamente argumentar que o Bonaparte não era “flor que se cheire”, nem por isso a lição do Corso deixa de ser válida.

Jesus, que é a medicina preventiva de que o Brasil precisa, admoestava: “Fazei aos outros aquilo que desejais que eles vos façam”.

O duro é que alguns são contumazes na tentativa de burlar essa lei, na ilusão de que seja ela história da carochinha. E vão empurrando tudo com a barriga. Um dia, a casa pode cair. Aquele grande ensinamento do Cristo, Confúcio já o tinha intuído e chamara de Lei da Reciprocidade: “O que não quereis que vos façam, não o fareis a outrem”.

Muita gente estudiosa, sabendo que o grande preceptor chinês viveu 500 anos antes do Cristo, pergunta se o Divino Mestre teria escamoteado o ensinamento confuciano. Mas eis o perigoso equívoco, oriundo da ignorância de que existe um Governo Invisível zelando pelos atos humanos e conduzindo à Terra, de época em época, eminentes Instrutores Espirituais. Existe ainda para muita gente o desconhecimento de que Jesus é o Supremo Governante do Planeta Terra e que, nesta condição, determina a vinda desses Mentores ao plano material. O discípulo de Lao-tsé (aprox. 570-490 a.C.)  (e o próprio Lao) foi um deles. Veio pregar o que aprendera com o Divino Chefe no Plano Superior, na honrosa qualidade de Seu predecessor.

A suprema meta do equilíbrio

Há quem considere estes ensinamentos espirituais, que comentamos neste artigo, se não ridículos, pelo menos curiosos. Entretanto, em todos os setores da cultura universal, nenhuma inovação surgiu sem as reações contrárias de praxe. É sempre aconselhável repetir que natura non facit saltum (A Natureza não dá saltos). (Apesar de que essas lições espirituais são antiquíssimas!) Todavia, para estes anos finais de milênio*¹ e início de outro, anuncia-se o apressamento da evolução moral e espiritual do ser humano. E não há surpresa alguma com esta afirmativa, porque se voltarmos os nossos olhos para o início do século 20, veremos que o homem, em reduzido número de anos, passou do transporte a cavalo para o foguete interplanetário. O sucesso material tem sido incrível, mas o mesmo não se deu com o espiritual. Estabeleceu-se o choque. O Homem moderno vive a queixar-se de frustração. Precisa colocar em simetria os dois pratos da balança. Daí Zarur afirmar que “atingir o equilíbrio é a meta suprema”. Que 2020 coopere para isto. Haja decisão e bom ânimo. Nos momentos de crise os grandes caracteres são formados. É quando se consolidam as mais potentes nações. Mas é preciso respeitar o povo, verdadeira riqueza de qualquer país, o seu patrimônio.

A realidade da Vida Espiritual

Por sinal, a Legião da Boa Vontade comemorou, no dia 1o de janeiro de 2000, seu cinquentenário. Não foi à toa que ela, pregando o Novo Mandamento de Jesus: Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, Lei de Solidariedade Humana, surgiu no Dia da Confraternização Universal. Seus frutos justificam a sua existência.

Ano-Bom? Depende de nós! E da compreensão de que — sem a consciência de que a Vida Espiritual é uma realidade — a material será, cada vez mais, nestes tempos derradeiros de um ciclo histórico, um terrível transtorno.

Que o Ano-Novo seja um Ano-Bom, realmente. Com toda certeza, isso depende de nós. Todos nós.

Com a ajuda prestimosa do povo, a Legião da Boa Vontade continuará fazendo a parte dela, trabalhando por um Brasil melhor e por uma humanidade mais feliz!

O homem moderno vive a queixar-se de frustração. Precisa colocar em simetria os dois pratos da balança. Daí Zarur afirmar que “atingir o equilíbrio é a meta suprema”. Que 2020 coopere para isto. Haja decisão e bom ânimo.

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*¹ Matéria publicada na Revista LBV, em janeiro de 2000.
*² Novo Mandamento de Jesus — Ensinou Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista: “Novo Mandamento vos dou: amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (...) O meu Mandamento é este: que vos ameis como Eu vos tenho amado. Não há maior Amor do que doar a própria vida pelos seus amigos. E vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando. E Eu vos mando isto: amai-vos como Eu vos amei. Já não mais vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto aprendi com meu Pai vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes; pelo contrário, fui Eu que vos escolhi e vos designei para que vades e deis bons frutos, de modo que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome Ele vos conceda. E isto Eu vos mando: que vos ameis como Eu vos tenho amado. Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor.” (Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e 35; 15:12 a 17 e 9).

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.