Desglobalização e superprotecionismo

Fonte: Reflexão de Boa Vontade extraída de entrevista concedida pelo Irmão Paiva à jornalista portuguesa Ana Serra, acerca do livro dele “Reflexões da Alma”, lançado em terras lusitanas pela Editora Pergaminho, em 2008. | Atualizado em fevereiro de 2019.

Reflexões da Alma

Apresento a todos vocês trecho de entrevista que concedi, em 19 de setembro de 2008, à jornalista Ana Serra, de Lisboa, por ocasião do lançamento, naquele ano, de minha obra Reflexões da Alma, em terras lusitanas, pela Editora Pergaminho. À certa altura, ela me perguntou:

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Ana Serra

Ana Serra – Caro dr. Paiva Netto, em sua obra o senhor fala também em atitudes e consequências. Como é que o que se faz no passado pode refletir-se no presente e no futuro?

Respondi: Prezada Ana, isso é matemático. Basta analisarmos a atual crise financeira, logo em seguida fatalmente econômica, e, por consequência, social e política, que os países vêm e virão a enfrentar. Ela não se formou agora e nem é a primeira. Está sendo alimentada desde o momento em que se priorizou a ganância de alguns em detrimento do bem-estar de muitos. A economia em voga é muitas vezes desalmada porque, para criar riqueza setorial, garante, mantém e espalha a pobreza. Para ela, hoje mais do que nunca, quase que não há limites éticos. E presentemente temos de manter aceso o nosso cuidado, pois algo pode acontecer, até mesmo um movimento de desglobalização como, por exemplo, o superprotecionismo, digamos, forçado pela crise que se configura.

O deserto dos romanos

Entronizou-se o capital monetário e esqueceu-se do que chamo de o “Capital de Deus”, que é justamente o ser humano e o seu Espírito Eterno. Este é, embora alguns não saibam, o centro da Economia, a mais espiritual, no sentido mais amplo, das ciências ou arte, conforme defendi numa entrevista à Folha de S.Paulo, em 1982.

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Tácito

Em Reflexões da Alma, escrevo ainda sobre o “progresso de destruição”, promovido por quem está impulsionado pela cobiça de ganhar a qualquer preço e nem alcança que põe em risco a si próprio, ou a si mesma, à família, à pátria e ao mundo como o conhecemos. Ecoa pelo orbe a advertência de Tácito (55-120 d.C.), aplicada originalmente aos romanos, pela assolação de Cartago: “Vocês criaram um deserto e chamam-no de paz”.

Exato, pois os filhos de Roma devastaram Cartago até as bases. E é o que andam a fazer, tais loucos, com a Mãe Terra atualmente.

(...)

Sinais do esgotamento planetário

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Isaac Newton

Não somos suseranos nem censores da humanidade, mas humildes servos do Divino Educador. Porém, o planeta vem dando muitos sinais de que não mais tolera ofensas à sua frágil camada protetora de ozônio. Basta anotar a incidência crescente do câncer de pele. Vejam igualmente os múltiplos reflexos das súbitas mudanças climáticas que já abordamos. Mesmo que seja a repetição de um ciclo natural da Terra, é inegável que temos colaborado muito para o apressamento desse drama que a todos vem atingindo. É a implacável regra física de ação e reação, a terceira lei de Newton.

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Gandhi

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Benjamin Franklin

Em minha página “Gandhi: o capital em si não é mau”, apresento esta irreprochável advertência de Benjamin Franklin (1706-1790): “Só sabemos o valor da água quando o poço seca”.

Touché! Vero, mas lamentável.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.