Ganância x lealdade e sobrevivência

Fonte: Jornal A Tribuna Regional, de Santo Ângelo/RS, edição de 12 e 13 de dezembro de 2009, sábado e domingo.

O vazamento de uma proposta urdida por Dinamarca, Estados Unidos e Grã-Bretanha, publicada pelo jornal inglês The Guardian, gerou forte desconforto e protestos dos países pobres e em desenvolvimento. Nela, grandes potências teriam poder para decidir o quanto cortar nas emissões de gás carbônico (CO2). E mais: exige ainda dos em desenvolvimento a apresentação de metas. Outra questão polêmica é quanto à possibilidade de transferir da ONU para o Banco Mundial a gerência dos financiamentos para adequação às mudanças climáticas, o que obrigaria as nações contempladas com os benefícios a seguirem as regras impostas pelos abastados.

Realmente, o entrave maior entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, para se chegar a um acordo plausível de redução das emissões, é terem de se comprometer em desacelerar o crescimento econômico. Todavia, um estudo patrocinado pela ONU aponta que pode haver, em 2030, uma diminuição de até 19% no Produto Interno Bruto (PIB) das nações, em virtude das crescentes intempéries, caso não tomem providências que verdadeiramente impeçam a degradação ambiental. E nesse impasse estão incluídos todos os povos, sem exceção. Ninguém pode ser contra o progresso. Contudo, enquanto a ganância e a deslealdade sobrepuserem-se ao bom e velho instinto de sobrevivência, a Humanidade viverá ombreando com tempos caóticos.

RECADO SEMPRE ATUAL
Isso me faz lembrar a dura advertência de Isaías, na sua solene mensagem, no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, 24:4 a 6: “A terra pranteia e definha; o mundo enfraquece e agoniza; tremem de medo os poderosos da Terra. Na verdade, ela está contaminada por causa dos seus moradores (e não por causa de Deus), porquanto transgridem as leis, violam os estatutos e quebram a aliança eterna. Por isso, a desolação consome a Terra, e seus habitantes se tornam culpados; por esse motivo, morrerão queimados os habitantes da Terra, e poucos homens restarão”.

Não sou eu quem se atreve a atestar algo tão grave, porém previsível aos que “têm olhos de ver e ouvidos de ouvir”, expressão usada pelo Profeta Muhammad – “Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele!”.

O ALERTA AGORA VEM DE CIENTISTAS
Em entrevistas concedidas à BBC Brasil em Londres, cientistas alertaram para o fato de que, por exemplo, temporais, enchentes, incêndios provocados por raios e secas, tornados (em lugares que não ocorriam), além de outros fenômenos climáticos extremos, devem ser vistos como alerta para a urgente necessidade de os povos sobrepujarem as incríveis transformações. A matéria é assinada por Eric Brücher Camara: “‘Certamente, as projeções feitas por modelos de computador sofisticados indicam um aumento na probabilidade de ondas de calor e na intensidade das chuvas, bem como um aumento no número de áreas que sofrem com secas’, disse o professor Richard P. Allan, do Centro de Ciência para Sistemas Ambientais da Universidade de Reading, na Grã-Bretanha. (...) Para uma cidade como São Paulo, construída em torno do Rio Tietê, a adaptação é ainda mais urgente. ‘É preciso pensar no sistema de drenagem e na infraestrutura da cidade, porque mais e mais eventos extremos devem acontecer. Pelo menos é essa a tendência que se pode ver hoje’, afirmou o professor Bill McGuire, da University College London. Londres também se prepara e já tem um plano que prevê reforços futuros na chamada ‘barreira do Tâmisa’, um sistema de comportas capaz de controlar o nível da água do rio para evitar enchentes na capital britânica”.

As previsões de respeitáveis homens da ciência – profetas laicos do Terceiro Milênio – são, de certa forma, análogas às profecias de outrora, levadas ao ridículo por alguns apressados. Essa surpreendente conjunção de vates requer de cada um de nós providências imediatas para salvar nossa moradia coletiva. O perigo não é para um ou outro povo. Não haverá privilégio, se as coisas persistirem no ritmo atual.

Ainda bem que existem muitos e muitos idealistas, dos sonhadores aos práticos, que se esforçam por abrir caminhos novos para um melhor porvir, desde as donas de casa criativas até aos empresários vanguardeiros.

LBV RECEBE COMENDA JK NAS NAÇÕES UNIDAS
Em 27 de novembro do corrente, a Legião da Boa Vontade dos Estados Unidos participou do Brazilian’s Night, promovido pelo Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo (CICESP), na sede da ONU, em Nova York. Na ocasião, o comendador Regino Barros, presidente do CICESP, prestou-nos o honroso tributo da Cruz do Mérito do Empreendedor Juscelino Kubitschek. São palavras dele: “Quero registrar a inserção no cerimonial da homenagem à nossa digníssima LBV, a fim de realçar e fazer-lhe justiça, homenageando o seu brilhante trabalho em prol da comunidade brasileira, em especial, ao emigrante brasileiro nos EUA”.

Grato, comendador Regino. Ao promover a solidariedade, a LBV fortalece a boa imagem do nosso Brasil no exterior. É a sua cooperação.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.