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Solidariedade com a Terra

Publicado no Jornal O Sul – Porto Alegre, em 14 de dezembro de 2009

Desde o Protocolo de Kyoto, em 1997, pouco se alcançou de concreto.

Ocorre em Copenhague, na Dinamarca, a 15 a Conferência da Convenção do Clima (COP15). O planeta espera de fato o comprometimento de todos em reduzir drasticamente, nas próximas décadas, as emissões de gás carbônico (CO2). O Brasil comparece com firmes propostas.

Desde o Protocolo de Kyoto, em 1997, pouco se alcançou de concreto. Ao ser entrevistado para a Revista Boa Vontade, o dr. Kiyo Akasaka, subsecretário-geral da ONU para Comunicação e Informação Pública, na época embaixador do Japão e um dos principais negociadores de seu país nos debates sobre as mudanças climáticas, revelou que “na Conferência de Kyoto, ocasião em que o protocolo foi assinado, estávamos na expectativa de que, em 2005, começariam novas negociações. Estamos em 2009, portanto, já são quatro anos de atraso. (...) Em muitos países, (...) a sociedade civil e as pessoas em geral estão bem mais conscientes da necessidade de lidar com essas questões, porque se têm observado os efeitos das mudanças climáticas no aumento do nível do mar, nas tempestades, nas secas, no derretimento de geleiras nos Alpes... Algo precisa ser feito”.

Parecer compartilhado pelo mestre e doutor em Economia Sérgio Besserman, igualmente registrado pela Revista Boa Vontade: “Há, de fato, uma consciência de que é totalmente necessário tomar medidas rápidas, emergenciais, muito profundas, de modo que as economias do mundo, e não apenas a produção, mas o consumo, aquilo de que todos participamos também, mudem e passem a emitir menos gases do efeito estufa, com o objetivo de evitar piores cenários de aquecimento global. (...) Existem muitas dúvidas sobre se haverá ou não um acordo nessa reunião. É importante que haja, mas, se isso não acontecer, que se mantenha consciência de que é preciso agir rápido...”

Indagado sobre quais providências devem ser tomadas, o prof. Besserman foi categórico: “Eu diria que há ainda muita inércia. É natural que haja certo conservadorismo diante de mudanças, somos assim; se o médico nos dá uma má notícia ficamos zangados com o médico, buscamos outro. Só quando a gente está convencido de que precisa emagrecer, fazer exercícios, ter hábitos saudáveis, de que necessita dar atenção à Espiritualidade, só então a gente encontra forças para mudar. O mundo não é tão diferente, ele já tem certa consciência da necessidade de considerar que o planeta é finito; temos de respeitar o ritmo em que a Natureza renova os serviços que ela nos dá, mas isso ainda não encontrou forças suficientes para se tornar em ação e início da transformação necessária neste século 21”.

Fica explícito que, acima de tudo, o assunto exige urgente cooperação individual e coletiva. Sem solidariedade com a própria Terra, não sobrará ninguém para contar a história.
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