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Distração humana, Dinamarca e destino (final)

Artigo publicado no jornal O Sul - Porto Alegre, em 05 de outubro de 2009

Nesta era globalizante ninguém, mas ninguém mesmo, está protegido de algo realmente ameaçador, que tenha ocorrido ou venha a acontecer nos pontos mais isolados da Terra, se é que estes ainda existem.

Finalizei o último artigo com o Evangelho de Jesus (Lucas, 17:26 e 27), que bem ilustra a distração da humanidade quanto ao aquecimento global. Prosseguindo, não há aqui nenhuma história de “misticismo delirante”, que é a acusação preferida de alguns que sistematicamente negam a existência do intruso que tenta arrombar-lhes a porta. O caso da bolha econômica norte-americana, que a todos afetou, é emblemático. Ter apenas o conhecimento a respeito dos perigos que nos rondam não nos faz prudentes. Há aqueles que se entregam ao canto das sereias de interesses que, agora ou depois, se mostram genocidas. Só que nesta era globalizante ninguém, mas ninguém mesmo, está protegido de algo realmente ameaçador, que tenha ocorrido ou venha a acontecer nos pontos mais isolados da Terra, se é que estes ainda existem. O vírus, o menor-maior inimigo que nos assusta, hoje mais do que ontem, nunca encontrou condições tão favoráveis à sua proliferação como nestes tempos. Sua fiel amiga, Dona Poluição, e outros companheiros menos votados o abastecem de tudo que necessita para instalar-se em nosso corpo e tornar-se dificilmente controlável pelos abismos de mutações inconcebíveis.

A LIÇÃO DA HISTÓRIA
Também quanto às tribulações pelas quais o orbe anda ameaçado, vimos no texto da semana passada, na opinião do cientista Paul Mayewski, que a subida do nível dos mares pode gerar o êxodo de povos inteiros na busca de salvação. É básico voltarmos os olhos ao passado para melhor nos defender, agora e no futuro, segundo propõe Brian Fagan, autor de “O longo verão. Como o clima mudou a civilização”.

Estudiosos, entre eles Fagan, arqueólogo inglês, destacam as possíveis ligações entre as mudanças climáticas e, por exemplo, o alude mongólico sob o comando de Genghis Khan. Povo nômade, necessitava de terra fértil e água farta para as suas criações. Os territórios semiáridos, como as estepes da Mongólia, ao experimentarem épocas de muita chuva em virtude de alterações atmosféricas, proporcionaram ao Khan condições para fortalecer a sua cavalaria guerreira e expandir-se.

COMPROMISSO
De volta ao século 21, populoso e em crise econômica, aliada ao poderio bélico atual, qualquer migração se tornará mais perigosa, consoante ponderei à jornalista portuguesa Ana Serra.

Aguardemos atentos a 15 a Conferência da Convenção do Clima, em dezembro, na Dinamarca. Essa reunião, considerada por especialistas a mais importante desde o acordo pós-Segunda Guerra, visa reforçar o compromisso dos países G8+5 em manter o aquecimento global abaixo de 2º C.

“Será?”, arguem alguns. Mas continuemos labutando na expectativa de que o planeta seja o grande vencedor na mesa de discussão. A mãe natureza suplica por nossa solidariedade e mais juízo.
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