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Natal de Jesus e Direitos Humanos

Artigo publicado no jornal O Sul em 22/12/2008.

  • José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
O Natal não é época de esquecer os problemas, mas, sim, pedir inspiração divina para resolvê-los. A sua ambiência deve ser a da fraternidade, agora mais do que nunca, imprescindível para que de fato surja a cidadania planetária, que positivamente saiba defender-se da exploração mundial endêmica. Não apenas o corpo adoece, a sociedade também.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos completou no dia 10 o seu 60º aniversário. Em apoio a tão significativo marco, apresento trechos de palestras que proferi, alguns deles reunidos em “Dialética da Boa Vontade” (1987) e “Manifesto da Boa Vontade”, de 21 de outubro de 1991, quando lancei a pedra fundamental do ParlaMundi da Legião da Boa Vontade, em Brasília, na presença de cerca de 100 mil pessoas.

Bastante se avançou desde a promulgação da Magna Carta. Todavia, há muito a ser feito para impedir que, em pleno século 21, mulheres, meninas e meninos continuem sendo vendidos como mercadoria; crianças prossigam trabalhando em fornos de carvão ou em outras atividades cujas condições são subumanas; ou que se tornem cegas por carência de vitamina A; que a perspectiva de impunidade arraste pessoas ao absurdo de roubar doações destinadas aos flagelados de Santa Catarina. Sem contar a tortura institucionalizada que se dissemina pelo planeta. Contudo, que tormento maior que a fome, além das multidões de analfabetos ou semi-alfabetizados, dos quais a perspectiva de uma existência decente é mantida distante?

Lei da solidariedade universal

Na contramão da insensatez humana, vislumbramos na vivência do Mandamento Novo de Jesus o denominador comum capaz de, fraternalmente unindo, iluminar os corações. É a religião da amizade, do bom companheirismo, destacado por João Evangelista, no Apocalipse (1:9). É a lei da solidariedade universal, portanto espiritual, moral e social. Asseverou Giuseppe Mazzini (1805-1872), patriota e revolucionário italiano: “A vida nos foi dada por Deus para que a empreguemos em benefício da humanidade”. E Augusto Comte (1798-1857), o filósofo do Positivismo, concluía: “Viver para os outros é não somente a lei do dever, mas também da felicidade”.

O amor é essencial, a começar dos governantes. Os que sofrem violência o digam.

Deveres de ser humano e de cidadão

No Sermão da Montanha de Jesus, o Cristo Ecumênico (Evangelho, segundo Mateus, 5:1 a 12), vemos a exaltação aos bem-aventurados, isto é, aqueles que compreenderam ao longo das eras que, cumprindo com seus deveres de ser humano e de cidadão, têm plenamente garantidos os seus direitos, numa esfera que nem todos ainda podem conceber.

Direitos Humanos no ParlaMundi

Em 24 de outubro do corrente, por ocasião das comemorações do 19 o aniversário do Templo da Boa Vontade (TBV), em Brasília, a dra. Monica Sharma, diretora de Formação de Capacidades e Lideranças da Sede das Nações Unidas (ONU), participou da solenidade em homenagem aos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que fez parte da Semana de Espiritualidade, Valores e Interesses Globais promovida na sede da ONU — instituição onde a LBV tem status consultivo geral no Conselho Econômico e Social (Ecosoc). Na oportunidade, foi recepcionada pelo Coral Ecumênico Infantil e, em seguida, visitou os ambientes do Templo da Paz e do ParlaMundi, o qual considerou “um espaço de coragem e compaixão, que todos precisamos manifestar”.

No local, conectando-se por videoconferência a integrantes da comunidade internacional no auditório Labouisse Hall, no prédio do Unicef, na sede da ONU em Nova York/EUA, a dra. Monica palestrou sobre o tema “Como a Espiritualidade e a Consciência podem ajudar a concretizar os Direitos Humanos”.

Ao conhecer o Instituto de Educação da LBV, em São Paulo, a dra. Monica, com quem tive o prazer de falar ao telefone, escreveu no livro de visitas:

“Esta educação é tão completa – uma aproximação holística:
“– Dos jovens membros da nossa família global para a juventude;
“– Da escola para o lar e a família;
“– Do aprender de matemática e ciências;
“– Da criatividade na música e balanço pelo caratê!
“Como podemos fazer disso um movimento mundial? Respeitando os valores profundos de cada religião e aprendendo a ‘amar em ação’”.

Ministério Público

No Rio Grande do Sul, o primeiro a constituir uma Comissão de Direitos Humanos no país, o Ministério Público realizou, em 10/12, o Seminário Anual do Fórum de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Pessoas com Altas Habilidades. A matéria publicada no site do Ministério e assinada pelo jornalista Marco Aurélio Nunes esclarece que “o objetivo é integrar ações e iniciativas que possibilitem a melhor informação, implementação dos direitos e melhoria na acessibilidade das pessoas com deficiência”.

Parabéns! A deficiência que mais compromete a vida em sociedade é a falta de respeito ao semelhante.
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