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O discurso de Roosevelt e o Apocalipse

Artigo publicado no Jornal A Tribuna, em 02/03/2008.

  • José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
Encontramos no discurso de posse, como presidente dos Estados Unidos da América, de Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), em 4 de março de 1933, estas palavras, que têm muito a ver com o que preconizamos:

O direito de não ter medo

“Deixem-me garantir-lhes minha firme crença de que a única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo — terror sem nome, sem razão, injustificado, que paralisa todos os esforços necessários para transformar recuo em avanço”.

Neste momento crucial da História, busquemos segurança em Deus e demos as mãos àqueles que trabalham, realmente, por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais feliz, antigo slogan da Legião da Boa Vontade. Procuremos, como aconselha Roosevelt, “transformar recuo em avanço”, isto é, receio em conhecimento, portanto, em luz, mas sob a claridade da qual possamos, vencendo milenares temores, construir o mundo novo prometido por Deus. Vejam bem: por Deus no próprio Apocalipse (21:3 e 4).

O novo céu e a nova terra (Apocalipse, 21:3 e 4)

“3 Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão Seu povo, e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus.

“4 E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, não haverá mais morte, não haverá mais luto, não haverá mais pranto, nem gritos, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.”

Medo versus sobrevivência

Temos livre-arbítrio... Deus o respeita. Entretanto, se a sementeira é livre, a colheita é inevitável. Quando digo, em meus improvisos, que não nos convém cultivar temores do Apocalipse (o último livro da Bíblia Sagrada), é porque se trata de um providencial alertamento sobre a conclusão do plantio que praticamos. Nunca disse que aqueles recados ali escritos com letras de fogo são histórias da carochinha. Estou, sim, convocando-lhes a atenção para o fato de que o medo não é bom professor para nos ensinar a vencer coisa alguma. Onde ele se instala, a Liberdade não frutifica; onde existe o ódio, reina a fraqueza. Se há o que recear, não é o Apocalipse. Ele é nossa fortaleza. As más posturas humanas é que podem causar pavor. Contudo, até mesmo isso precisamos superar pela força das providências devidas, tomadas a partir de nossa integração na Sabedoria Divina. Caso contrário, atos de irresponsabilidade planetária são capazes de nos levar a um arrasamento sem precedentes da civilização como a conhecemos. A ameaça de um confronto nuclear não diminuiu. Nem com o fim da guerra fria ou mesmo com os acordos internacionais. Dezenas de artefatos atômicos estão desaparecidos. Permanece o perigo do contrabando de material bélico, do bioterrorismo e também do lixo radioativo. Fatos gravíssimos.

Bendita obstinação

Todavia, teimosamente continuemos a crer no bom senso final das criaturas. Até aqui a sociedade tem conseguido sobreviver. Bendita obstinação, que se mostra superior às doidices de muitos dos que ainda possuem poder neste mundo. Aliás, como exclamam os irmãos muçulmanos: “Deus é maior!”. Portanto, viver é melhor!

Herança espiritual

Numa entrevista concedida à Super Rede Boa Vontade de Rádio, a partir da AM 1300, de Porto Alegre, o prefeito em exercício do município de São Miguel das Missões, José Roberto de Oliveira, trouxe comentários enriquecedores sobre a espiritualidade latente dessa região mística e tradicionalista do Rio Grande do Sul.

Diz ele: “A região missioneira tem uma herança advinda do lado religioso guarani (a casa de reza, um grupo de pajés que produziam esta religiosidade), mesclado com a entrada dos jesuítas de 1626 em diante. Há cerca de um mês, ganhamos um prêmio nacional, um reconhecimento com relação a uma dessas heranças que são os benzedores. Hoje vem gente de todo o mundo procurando essas energias que estão distribuídas nos mais diversos pontos da região. Esses elementos todos são citados por especialistas como um dos grandes portais da humanidade. (...) É extremamente importante Paiva Netto estar escrevendo para um dos jornais da nossa região missioneira, ‘A Tribuna Regional’. Por quê? Pois é o momento de reacender nos corações de cada um dos missioneiros essa espiritualidade que pertence à terra missioneira. São Miguel das Missões não poderia deixar de mandar a sua mensagem a ele. Inicialmente de agradecimento, exatamente por abrir todas essas possibilidades de estudo e de conhecimento para o povo missioneiro. E também parabenizá-lo por toda a ação que faz no país. O Brasil é a grande saída espiritual para os povos, e Paiva Netto, um dos homens que mais trabalham essas questões, está nos ajudando. Parabéns por todo esse labor que vem sendo, com mérito, reconhecido internacionalmente”.

Grato, dr. José Roberto, por suas generosas palavras. Sem dúvida, esta região missioneira é um dos mais belos exemplos ecumênicos de fé, em todo o mundo.
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