
- José de Paiva Netto, Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade.
Vou contar-lhes esta história porque quem disser que não quer ser amado está doente ou mentindo. Ela começa na Bahia, cruza o sul do país e tem belo desfecho no Rio de Janeiro.
Nesta segunda-feira, 27/1, meus pais, Bruno (1911-2000) e Idalina Cecília (1913-1994), se estivessem entre nós, completariam 68 anos de casamento feliz.
Peço licença a vocês para narrar-lhes um pouco do autêntico conto de amor que ambos viveram, modelo de perseverança e superação para os que se gostam.
Eles se conheceram em Camaçari/BA. Hoje, um dos mais importantes pólos petrolíferos do Brasil. Ele tinha 9 anos de idade. Ela estava com 7. Quando cresceram, a família foi contra o namoro por serem primos. Não que fossem pessoas ruins, contudo, pelo parentesco. Então, colocaram meu pai num seminário e mandaram minha mãe, ainda jovem, para o Rio de Janeiro.
Passa-se mais de uma década quando meu velho, já sem batina, também vai para a Cidade Maravilhosa. Entretanto, não a encontra nessa primeira tentativa. Desiludido, viaja por várias regiões do país, incluído o sul. Longe de seu verdadeiro amor, volta ao Rio decidido a localizá-la.
Cupido famosoCerto dia, na capital carioca, o querido e consagrado compositor e cantor Dorival Caymmi, conhecido deles desde a infância, topa com seu Bruno e lhe diz, com seu sotaque bem baiano: “Ô Ioiô, você sabe quem encontrei? Idalina! Ela veio, com uma prima, aqui na Rádio Tupi. Está morando na rua Gregório Neves, no Engenho Novo”. Meu pai não titubeou e dirigiu-se ao endereço indicado por Caymmi. Chegando lá, foi recebido por minha tia-avó, Amália. Ao vê-lo, ela se vira para dentro de casa e chama em alta voz: “Idalina, o seu primo da Bahia está aqui! Ele veio casar com você!” E um dado curioso é que, um mês antes desse reencontro, minha mãe terminara seu noivado forçado com um médico. Naquele tempo, o poder patriarcal era uma parada!
Idalina e Bruno uniram-se em 1940, vinte anos depois que se viram pela primeira vez. Adivinhem quem foi o padrinho de casamento? Dorival Caymmi, privilegiado marido de Dona Stella Maris e ditoso pai de Nana, Dori e Danilo e que sempre encantou as platéias.
Observando o grande exemplo de meus amados pais, relembro, com Lícia, minha irmã, algumas palavras que publiquei em “Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade”, lançado em 1987: Assim como o sangue, circulando pelo corpo, oxigeniza e alimenta as células humanas, o Amor, percorrendo os mais recônditos pontos de nossa Alma, fertiliza-a e a torna plena de vida. (...) Ao término de tudo, ele — que se expressa das mais surpreendentes formas no sublime labor de conduzir os homens à sobrevivência — vencerá! Prosseguimos acreditando na vitória final do Ser Humano e seu Espírito eterno, a Obra Máxima do Criador, na definição de Alziro Zarur (1914-1979).
Solteiros e casamentoE, para encerrar, esta consideração: Aos que porventura não tenham estabelecido matrimônio, a existência demonstra que isso não é motivo para tristeza sem remissão. Há gente casada feliz, ou não; semelhante ao que ocorre com quem é solteiro ou solteira. O melhor abrigo onde se deve procurar a felicidade é, primeiro, dentro de si mesmo ou de si própria. A concretização do sentimento pode ser descoberta na inteireza da criatura na tarefa que a realize, naquilo que veio cumprir na Terra (...). Conheço vários exemplos, e vocês também. Há muitos sofrendo no mundo à espera de socorro. Resta bastante a ser feito, em prol das comunidades, por solteiros e casados.