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Sexo, Pátria e reação

Artigo publicado no Jornal O Sul, em 05/11/2007.

  • José de Paiva Netto, Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade.
Nos seus artigos em O Sul, a aguerrida jornalista Beatriz Fagundes denuncia a grave situação de meninas da região metropolitana de Porto Alegre, raptadas para trabalharem em casas de prostituição, no país e no exterior.

Em outra notícia não menos alarmante, datada de 21 de maio de 2007, este periódico publicou:

“Abuso sexual de meninos cresce em São Paulo: Meninos que ainda não completaram 18 anos aparecem cada vez mais nas estatísticas de violência sexual na cidade de São Paulo. Em dois anos, cresceu 152% a quantidade de menores do sexo masculino atendidos nos programas de Proteção à Criança e ao Adolescente. Em 2004, a prefeitura atendeu cem garotos que sofreram abusos. O número subiu para 135 em 2005 e, no ano passado, saltou para 252 casos (...)”.

E esses dados certamente se referem aos fatos conhecidos.

Solidarizo-me com os que se indignam e agem contra tão execrável conduta, uma doença a ser extirpada com urgência. Desde a década de 1980, insisto que o Brasil não é um prostíbulo ancorado no Atlântico Sul. A sua forma é a de um coração, embora alguns imaginem que ele se pareça com “um pernil”, porque assim lhes interessa, como apontava Alziro Zarur (1914-1979), ainda nos anos 1950, no seu famoso “Jesus está chamando!” E, famélicos, não se cansam de tentar arrancar-lhe um fornido pedaço. São aqueles constantemente famintos a vampirizar os valores e as qualidades maiores da grande Pátria do Cruzeiro do Sul.

Felizmente, temos por parte do governo gaúcho o programa de enfrentamento à violência sexual infanto-juvenil, coordenado pela Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social, para conter o abuso que se pratica contra crianças e adolescentes, que não são objetos descartáveis, mas o Capital de Deus, e possuem Espírito eterno.

Crime inafiançável

No meu livro As Profecias sem Mistério, escrevi:

Costumo dizer — Deus criou o sexo; e o ser humano, as enfermidades conseqüentes do seu mau uso e dolorosos efeitos. Outro exemplo?! A banalização do sexo pela exposição excessiva (enfocada pelo veterano jornalista Carlos Arthur Pitombeira, membro eminente da nossa heróica Associação Brasileira de Imprensa, a ABI, na revista Boa Vontade no 219). E isto não se aplica somente à área da Sexologia. Que aberrância cruel é roubar um povo, dilapidando o seu patrimônio, levando-o ao desânimo? É crueldade causadora da desgraça de muitos, até mesmo da morte (...).

Não nos arrogamos a posição de juiz de quem quer que seja. Nossa intenção é evidenciar as qualidades dos indivíduos. Contudo, cada um é inequivocamente responsável pelos seus atos perante Deus, a comunidade e a própria consciência. Referimo-nos ao covarde tráfico, à venda de criaturas humanas, à exploração sexual de crianças, jovens e mulheres, à pedofilia, à pornografia, ao assédio sexual, ao aborto e a tantos outros males que precisam ser eficientemente combatidos em escala planetária, para que não sejamos acomodados espectadores de situações como a ressaltada por Alziro Zarur no seu “Poema do Mundo Escravo”, que dedicou a Castro Alves (1847-1871), publicado no matutino A Pátria, em 7 de julho de 1935, com o título “Vozes do Mundo”:

“(...) Olha aquela menina de treze anos!/ Já provou desta vida os desenganos/ E ali está, a exibir-se:/ O pai caiu do andaime na calçada,/ E a mãe, herdando a prole esfomeada,/ Mandou-a prostituir-se! (...)”.

Dia dos “Mortos”

O segundo dia deste mês é dedicado aos “mortos”. Razão por que lhes trago, também de Zarur, o ilustrativo e confortador “Poema do Imortalista”, porquanto os mortos não morrem:

“Dois de novembro é um dia, na verdade,/ Rico em lições para quem sabe ver:/ A maior ilusão é a realidade,/ Já ensinava o excelente Paul Gibier.

“Os vivos (pseudovivos) levam flores/ E lágrimas aos mortos (pseudomortos);/ E os mortos se comovem ante as dores/ Dos vivos a trilhar caminhos tortos.

“Legítimos defuntos, na ignorância/ Desses espirituais, magnos assuntos,/ Parece que inda estão em plena infância,/ E vão homenagear falsos defuntos.

“Não é preciso ser muito sagaz/ Para sentir que a vida tem seus portos:/ Um dia, o Cristo disse a um bom rapaz/ ‘Que os mortos enterrassem os seus mortos’.

“Amigos, por favor, não suponhais/ Que a morte seja o fim de nossa vida;/ A vida continua, não jungida/ Aos círculos das rotas celestiais.

“Os mortos não estão aí, cativos/ Nos túmulos que tendes ante vós:/ Os finados, agora, são os vivos;/ Finados, mais ou menos, somos nós”.

A morte não interrompe a Vida. Aos que descrêem: concedam-se o cientificamente consagrado direito à dúvida. E se a vida não cessa com a morte, hein?

Ao Coração de Deus

Ocorre em Porto Alegre a 53ª Feira do Livro. Nela está “Ao Coração de Deus — Coletânea Ecumênica de Orações”, versão pocket, um dos sucessos da Editora Elevação na XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Essa e outras obras de minha autoria estão nos estandes da AJR Distribuidora de Livros, JCA Livros, Cathilli Comércio e Representação de Livros e na Livraria Momento.
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