Não haverá Paz enquanto persistirem cruéis discriminações e desníveis sociais criminosos.
Em 29 de abril, trouxe-lhes um pequeno estudo que desenvolvi sobre o significado da Religião, naturalmente que longe da intolerância. Eis sua última parte:
A ausência de Fraternidade tem suscitado grande defasagem entre progresso material e amadurecimento moral e espiritual. Mas é sempre hora de aplacar ressentimentos. Contudo, não haverá Paz enquanto persistirem cruéis discriminações e desníveis sociais criminosos, provocados pela ganância, que, pela eficiente Educação com Espiritualidade Ecumênica, devemos combater. Se não optarmos por caminhos semelhantes, estaremos sentenciados à realidade denunciada pelo Gandhi (1869-1948): “Olho por olho, e a Humanidade acabará cega”.
Sempre um bom termo pode surgir quando os indivíduos nele lealmente se empenham. E isso tem feito que a civilização, pelo menos o que vemos por aí como tal, milagrosamente sobreviva aos seus piores tempos de loucura. A sabedoria do
Talmud dá o seu recado prático: “A paz é para o mundo o que o fermento é para a massa”. Exato.
Há quem prefira referir-se ao espírito religioso, exaltando desvios patológicos ocorridos no transcorrer dos milênios. (De modo algum incluo nestes comentários os historiadores e analistas de bom senso.) Creio que essa conduta beligerante, que manchou de sangue a História, deva ser distanciada de nossos corações, por força de atos justos, porquanto maiores são as razões que nos devem confraternizar do que as que servem para acirrar rancores.
O ódio é arma voltada contra o peito de quem odeia. Muito oportuna, pois, esta advertência do Pastor Martin Luther King (1929-1968), que não negou a própria vida aos ideais que defendeu: “Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não a arte de conviver como irmãos”.
Ademais, o milagre que Deus espera dos Seres Humanos é que aprendam a amar-se, para que não ensandeçam de vez, conforme pesquisa para o uso bélico da antimatéria. O melhor altar para a veneração do Criador são Suas criaturas. Torna-se urgente que a Humanidade tenha humanidade.
A virtude da temperança
Em
Reflexões da Alma, anotei que não haverá Paz duradoura enquanto prevalecerem privilégios injustificáveis, que desonram a condição humana, pela ausência de solidariedade, que deve iluminar homens e povos. Escreveu Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865): “A Paz obtida com a ponta de uma espada não passa de uma simples trégua”. Por isso, nestes milênios de “civilização”, multidões morreram sob a chacina das armas, da fome e da doença. (...) Jesus sempre pregou e viveu a fraternidade. Como realmente acreditamos no Divino Chefe, temos de batalhar pelo que apresentou como solução para os tormentos que ainda afligem as nações. A temperança é virtude indispensável nesta peleja. Entretanto, diante dos desafios, não confundamos pacifismo com debilidade de caráter. Bem a propósito, estas palavras da autora Eleanor L. Doan: “Qualquer pusilânime pode louvar a Cristo, todavia é preciso ânimo forte para segui-Lo”. Não podemos também nos esquecer dos exemplos dos cristãos primitivos, mas, sim, neles buscar a vivência que precisa ser repetida neste mundo, qual seja, a da Paz: “Da multidão dos que creram, era um o coração e a alma. (...) E assim, perseguidos por todos os meios, passaram a viver em comunidade, não havendo necessitados entre eles, porque todos se socorriam, cada qual com o que possuía” (Atos dos Apóstolos de Jesus, 4:32 a 34).