Uma comovente página do mestre Eça de Queiroz

Fonte: Livro Crônicas & Entrevistas, de 2000.

A mensagem política do Suave Milagre

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Eça de Queiroz

Em agosto de 2000, completou-se o primeiro centenário do falecimento de José Maria Eça de Queiroz (1845-1900). Por muitos aplaudido como o maior romancista português, ele escreveu uma das mais comoventes páginas da literatura mundial, intitulada “Suave Milagre”, mas poucos entenderam a sua mensagem política.

Numa hora de tanta materialidade, em que o ser humano, sufocado pela violência, começa a procurar acentuadamente no Amparo Divino socorro para os seus desesperos particulares e coletivos, só lhe pode fazer bem, enquanto pacientemente aguarda pelas soluções terrenas, a recordação da súplica de um pequenino atendida por um dos maiores símbolos de Solidariedade de que se tem notícia:

Suave Milagre

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“Nesse tempo Jesus ainda não saíra da Galileia, das margens do lago de Genesaré; mas a nova dos Seus milagres chegara já a Siquém, cidade rica, entre vinhedos, no país de Samaria.

“Ora, junto a Siquém, num casebre, vivia uma viúva desgraçada entre todas, que tinha um filho doente com as febres. O chão miserável não estava caiado, e nele não havia enxerga. Na lâmpada de barro vermelho secara o azeite. O grão faltava na arca, o ruído dormente do moinho doméstico cessara, e esta era em Israel a evidência cruel de infinita miséria.

“A pobre mãe, sentada a um canto, chorava. E, estendida sobre os joelhos, embrulhada em farrapos, pálida e tremendo, a criança pedia-lhe, numa voz débil como um suspiro, que lhe fosse chamar esse Rabi da Galileia, de quem ouvira falar junto ao poço de Jacó, que amava as crianças, que nutria as multidões e curava todos os males humanos com a carícia das Suas mãos. E a mãe dizia, chorando:

“— Como queres tu, meu filho, que eu te deixe e vá procurar o Rabi da Galileia? Obed é rico e tem servos, eu os vi passar, e embalde buscaram Jesus por arraiais e cidades, desde Corazim até o país de Moab. Septimus é forte, tem soldados, e também os vi passar, e perguntavam por Jesus sem O acharem, desde o Hebron até o mar. Como queres tu que eu te deixe? Jesus está longe, nossa dor está conosco. E sem dúvida o Rabi, que lê nas sinagogas novas, não escuta as queixas de uma pobre mãe de Samaria, que só sabe ir orar, como outrora, no alto do monte Garizim.

“A criança, com os olhos fechados, pálida e como morta, murmurou o nome de Jesus, e a mãe, chorando, continuou:

“— De que servirá, meu filho, partir e ir procurá-Lo? Longas são as estradas da Síria, curta é a piedade dos homens. Vendo-me tão pobre e tão só, os cães viriam ladrar-me à porta dos casais. Decerto Jesus morreu e com Ele morreu, uma vez mais, toda a esperança dos tristes.

Mas, embora pálida e desfalecida, a criança murmurou de novo:

“— Mamãe, eu quero ver Jesus da Galileia!

“E logo, abrindo devagar a porta, Jesus, sorrindo, disse-lhe:

“— Aqui estou!”

Ele sempre faz a Sua parte

Mesmo estando longe, Jesus veio e realizou o Seu compromisso para servir ao apelo de uma criança. Hoje, não há mais distâncias. Todavia, que tem sido este planeta senão um menino enfermo por séculos de beligerância? É preciso chegar junto à alma esquecida dos povos. Portanto, Paz pela internet, que em parte é o sistema nervoso alterado da sociedade tecnológica.

Sylvio Pélico

Recebi, do velho jornalista Sylvio Pélico Leitão Filho, competente editor do Jornal da ABI , esta mensagem que muito me honra: “Cumprimento o prezado companheiro pela excelente crônica publicada na revista Manchete (1o de julho de 2000). É válido o seu alerta às autoridades. Respiração é vida, não morte”.

Caro Sylvio, meus agradecimentos pela atenção.

Betinho e Emerson

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Betinho

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Ralph Emerson

Como disse o Betinho (1935-1997): “Não posso ser feliz diante da miséria humana. O fim da miséria não é uma utopia”. E, para realizar a utopia, o nome do que conquistaremos amanhã, é urgente compreendermos como realidade pragmática este pensamento de Ralph Emerson (1803-1882), citado pelo leitor Vincent Martins da Silva, do Rio de Janeiro: Os corações generosos irradiam constantemente as forças misteriosas que, sem cessar, provocam grandes acontecimentos.

Como término, esta assertiva de Jesus, que sempre soube o que disse. Nós é que precisamos entendê-Lo cada vez melhor: Tudo é possível àquele que crê (Evangelho, segundo Marcos, 9:23).

E é mesmo, que o digam os que souberam perseverar até o fim.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.