Nunca nos faltastes, Jesus!

Fonte: Revista JESUS ESTÁ CHEGANDO!, edição 125, de junho de 2016.

Aos meus Irmãos Legionários da Boa Vontade de Deus, do Brasil e do mundo,

Deus Está Presente!

1) São 4 e 51 da manhã. Hora de descansar. Hora de descansar. Quem tem juízo não se recolhe sem fazer a sua oração. Pelo menos a do Pai-Nosso, ensinada pelo próprio Jesus. Elevei o meu pensamento ao Mestre dos mestres:

2) Ó Jesus! Mais uma jornada de trabalho. Os pés sangram nas estradas de tantas vidas no Vosso serviço. Grande parte do caminho está trilhado sob o Vosso Divino Comando, posto que vim para a Legião da Boa Vontade aos 15 anos de idade. Dia e noite já se confundem, e a Seara não tem fim. Até os carros recebem o combustível dos homens que os usam. Não ando atrás de conforto humano, pois só Vós, Jesus, tendes aquele tônus que não negais ao mais inexpressivo dos miseráveis da Terra. Nada mais Vos peço do que isso. E não para mim apenas, mas também para todos os meus Irmãos em humanidade. Meu maior desejo é honrar, até o último dos meus dias, o sublime compromisso assumido no Vosso Reino Celeste. Só Vós tendes, Jesus, e em suprema abundância, o alimento do nosso Espírito, o Líquido Divino para nossa sede; a Palavra Eterna que ilumina o nosso cérebro; o conforto da Vossa Caridade para o nosso coração, que se fertiliza com as lágrimas invisíveis diante da dor do mundo vertidas. Nunca nos faltastes, Jesus! Por isso, jamais baqueamos nem baquearemos. Senhor! Continuais abençoando o nosso labor? Permanecemos a merecer a Vossa insubstituível Bênção? Sei que, no silêncio de mais esta madrugada a pastorear Vossas ovelhas, falareis de modo insofismável à minha pequena, mas a Vós eternamente fiel, compreensão.

Arquivo BV

Augusto de Lima

3) Levantei-me, peguei um dos livros da biblioteca e, confiante na presença do Divino Senhor da LBV e da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, abri o Parnaso de Além-Túmulo. Li em voz alta, para que o esforçado Irmão Wellington de Azeredo Arthur — ali presente — também pudesse ouvir, os oportuníssimos versos de Augusto de Lima* (1859-1934) [em “O Doce Missionário”] que, humildemente, ofereço à meditação de todos.

4) Lavo-lhes e respeitosamente beijo-lhes os pés, da mesma forma exemplificada por Jesus. Grato a vocês!

5) E assim devem fazer os Legionários da Boa Vontade uns aos outros, pois já aprenderam a não confundir covardia com humildade.

O doce missionário

Augusto de Lima

Sertão hostil. Agreste serrania.

Tela: José Wasth Rodrigues - coleção Dr. Alvaro do Amaral

José de Anchieta

Tendo por companhia

A cruz do Nazareno, humilde e solitário,

Ali vivia Anchieta, o doce missionário,

Carinhoso pastor, espelho de bondade,

Abençoando o bem, perdoando a maldade,

Servo amado de Deus, imitador de Assis,

Que na humildade achara a vida mais feliz.

 

Naquele dia,

Era intenso o calor.

Ninguém! Nem uma sombra se movia,

Tudo era languidez, desânimo e torpor.

 

Além se divisava a solidão da estrada,

Amarela de pó, tristonha e desolada.

Na clareira, onde o Sol feria os vegetais,

Viam-se florescer bromélias e boninas,

E, elevando-se aos céus, esguios espinhais

Implorando piedade às amplidões divinas...

 

Eis que o irmão de Jesus, o humilde pegureiro

Avista um mensageiro.

Dirige-se-lhe a casa,

Pisando vagaroso o chão que o Sol abrasa.

 

— “Meu protetor — diz ele —, o bom pajé,

Convertido por vós à luz da vossa fé,

Que tem oferecido a Deus o seu amor,

Agoniza na taba, ao longe, em aflição.

Ele espera de vós a paz do coração

E implora lhe leveis a bênção do Senhor.”

 

 — “Oh! doce filho meu, que vindes de passagem,

Que Jesus vos ampare, ao termo da viagem...”

 

E isso dizendo, o pastor prestamente

Toma da humilde cruz do Mártir do Calvário,

Abandonando o ninho agreste e solitário,

Para arrancar à dor o pobre penitente.

 

Há solidão na estrada,

Ferem-lhe os pés as pontas dos espinhos.

Que penosa jornada,

Em tão rudes e aspérrimos caminhos!...

Pairam no ar excessos de calor,

Nem árvores umbrosas e nem fontes,

 

Somente o Sol ferino e destruidor,

Que calcina, inflamando os horizontes.

 

Eis que a sede o devora;

Entretanto, o pastor não se deplora;

A terna e meiga efígie de Jesus

É-lhe paz e alimento, amparo e luz.

 

Numa férvida prece,

Ele ainda agradece:

— “Sê bendito, Senhor, por tudo o que nos dás,

Seja alegria ou dor, tudo é ventura e paz.

Eu vejo-te no alvor das manhãs harmoniosas,

No azulíneo do céu, no cálice das rosas,

Na corola de luz de todas as florinhas,

No canto, todo amor, das meigas avezinhas,

Na estação outonal, na loura Primavera,

No coração do bom, que te ama e te venera,

Na vibração dos sons, na irradiação da luz,

Na dor, no sofrimento, em nossa própria cruz...

Tudo vive a mostrar tua pródiga bondade,

Eterno Pai de amor, de luz e caridade.

Abençoados são o Inverno que traz frio

E os calores do Sol nas estações do estio...”

 

Terminando a sorrir a espontânea oração,

Inspirada em tão santa devoção,

Anchieta escuta em torno os mais sutis rumores.

Eis que nos arredores

Congregam-se apressadas

Todas as avezinhas,

E, asas aconchegadas,

Juntinhas,

Numa ideal combinação

Formam um pálio protetor,

Cobrindo o doce irmão

Que ia ofertar amor,

Luz e consolação,

Em nome do Senhor.

Pelos caminhos,

Foi-se aumentando

O alado bando

Dos bondosos e ternos passarinhos,

Aureolando com amor o Discípulo Amado,

Modesto, casto, humilde e isento de pecado,

Que ia seguindo,

Lábios sorrindo,

Em meiga mansuetude.

 

O enviado do Bem e da Virtude

Agradecia ao Céu, o coração em luz,

Evolando-se puro ao seio de Jesus.

 

Chegara ao seu destino. Ia caindo o dia

No poente de paz e de harmonia,

Brilhava nova luz, feita de crença e amor:

Era a bênção dos Céus, a bênção do Senhor...

A Primeira Caridade

Minhas Amigas e meus Irmãos, minhas Irmãs e meus Amigos, luto por merecer a Caridade de Deus. Fortalecido, pois, nela, me regozijo cheio da esperança divinal e na certeza da continuação dessa tarefa. Porquanto, em todos os momentos procurei guardar em minha Alma a Primeira Caridade — aquele ímpeto que, magicamente, nos impulsiona quando descobrimos o bom Ideal de nossa vida: Jesus, a certeza que não frustra.

Arquivo BV

Alziro Zarur   

O Irmão Zarur (1914-1979) ensinava que “a LBV é um compromisso que não cessa nem com a morte”.

Avante, pois, Guerreiros do Cristo! Construtores corajosos da Paz de Deus entre os seres humanos na Terra!

Jesus nos aguarda, lá adiante!

Avante!

Viva Jesus!

José de Paiva Netto

Servidor dos Amigos de Deus

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* Augusto de Lima — Poeta mineiro, nascido em Sabará/MG, no dia 5 de abril de 1859. Magistrado, orador, publicista, político, foi também Presidente da Academia Brasileira de Letras. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro/RJ, em 22 de abril de 1934. 

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem "o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno".