“Vigiai e orai”

Fonte: Livro Os mortos não morrem, outubro de 2018.

Em minha obra Os mortos não morrem, considero que o ponto central para que jamais percamos a sintonia afinada com os Poderes Espirituais Superiores — que legitimamente governam a vida em nosso orbe — é a constante vigilância tendo em mãos a Potente Autoridade que nos foi conferida por aquele que é UM com o Pai Celestial. Disse Jesus:

Eu e o Pai somos UM (Evangelho, segundo João, 10:30).

Perseveremos, pois, na oração e na vigilância, exortadas pelo Divino Salvador em Sua Boa Nova, segundo Marcos, 13:33; e Mateus, 26:41:

— Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O Espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

Culto no lar

Acerca da indispensável força da oração, André Luiz (Espírito), pela psicografia de Chico Xavier (1910-2002), em sua obra Os Mensageiros, narra episódio ímpar — testemunhado por ele, por Vicente e pelo instrutor Aniceto — ocorrido na residência da nobre viúva do Espírito Isidoro. Reunida com os cinco filhinhos, ela realiza o culto no lar. Reparem que fortaleza inexpugnável é formada por essa valente mulher, Isabel, ao cultivar, na Terra, a oração em família:

Aquela residência de aspecto tão humilde, que alcançávamos [no Rio de Janeiro], agora, proporcionava-me cariciosa impressão de conforto. Estava lindamente iluminada por clarões espirituais, que recordavam precisamente nossa cidade [espiritual] tão distante. (...) Notando a nossa admiração, Aniceto indicou a casa pobre e falou:

— Teremos aqui o nosso refúgio. É uma oficina que representa Nosso Lar.

É que o grupo composto de André Luiz, Vicente e Aniceto, vindos de Nosso Lar — uma cidade do Mundo Invisível —, descera ao Plano Físico para importante tarefa de auxílio. Prossigamos com a narrativa do autor espiritual, logo após terminada a palestra “no santuário doméstico”. Aqui temos a nítida demonstração do Poder, da Autoridade do Governo de Jesus, a Política de Deus, que, um dia, empolgará o mundo:

Terminado o culto familiar, um dos companheiros também rendeu graças.

— Esperemos que esses celeiros de sentimentos se multipliquem — disse Aniceto, sensibilizado. O mundo pode fabricar novas indústrias, novos arranha-céus, erguer estátuas e cidades, mas, sem a bênção do lar, nunca haverá felicidade verdadeira. — Bem-aventurados os que cultivam a paz doméstica — exclamou uma senhora simpática, que estivera presente ao nosso lado, durante a reunião.

 (O destaque é meu.)

 

Enquanto a humilde família humana de Isidoro repartia parco alimento numa pequena saleta, em outro ambiente da casa, o grupamento espiritual os acompanhava na ceia (eles sempre estão presentes; jamais nos esqueçamos disso), conforme registra André Luiz:

Dois cooperadores de Nosso Lar serviram-nos alimentação leve e simples, que não me cabe especificar aqui, por falta de termos analógicos.

— Em oficinas como esta — explicou o instrutor amigo —, é possível preservar a pureza de nossas substâncias alimentícias. Os elementos mais baixos não encontram, neste santuário, o campo imprescindível à proliferação. Temos bastante luz para neutralizar qualquer manifestação da treva.

(Os destaques são meus.)

 

Agora, muita atenção ao fato que se dará enquanto André Luiz, Vicente, Aniceto e outros servidores de Nosso Lar mantêm conversação edificante no jardim da modesta residência. Os moradores da casa já se haviam recolhido ao descanso. Passava das 23 horas. A brisa que antes soprava, inundando de bem-estar o ambiente, se transformava em repentina ventania, anunciando forte tempestade:

(...) notei que formas sombrias, algumas monstruosas, se arrastavam na rua, à procura de abrigo conveniente. Reparei, com espanto, que muitas tomavam a nossa direção, para, depois de alguns passos, recuarem amedrontadas. Provocavam assombro. Muitas pareciam verdadeiros animais perambulando na via pública. Confesso que insopitável receio me invadira o coração.

Calmo, como sempre, Aniceto nos tranquilizou:

— Não temam — disse. Sempre que ameaça tempestade, os seres vagabundos da sombra se movimentam procurando asilo. São os ignorantes que vagueiam nas ruas, escravizados às sensações mais fortes dos sentidos físicos. Encontram-se ainda colados às expressões mais baixas da experiência terrestre e os aguaceiros os incomodam tanto quanto ao homem comum, distante do lar. Buscam, de preferência, as casas de diversão noturna, onde a ociosidade encontra válvula nas dissipações. Quando isto não se lhes torna acessível, penetram as residências abertas, considerando que, para eles, a matéria do plano ainda apresenta a mesma densidade característica.

(Os destaques são meus.)

 

O orientador Aniceto traz ainda a marcante instrução acerca da energia protetora que se forma ao redor dos lares que cultivam, com Fé Realizante, o hábito da oração em família:

Observem como [esses espíritos malfeitores] se inclinam para cá, fugindo, em seguida, espantados e inquietos. Estamos colhendo mais um ensinamento sobre os efeitos da prece. Nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração. Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pelas claridades espirituais que acende em torno. O homem que ora traz consigo inalienável couraça. O lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza, compreenderam? As entidades da sombra experimentam choques de vulto, em contato com as vibrações luminosas deste santuário doméstico, e é por isso que se mantêm à distância, procurando outros rumos...

(Os destaques são meus.)

 

Jamais desprezemos essa lição celeste a respeito do valor da prece, a nós trazida pelos Emissários Divinos. No Getsêmani, o Sublime Pedagogo legou-nos o Seu próprio exemplo de força:

— E estando [Jesus] em agonia, orava mais intensamente (Evangelho, segundo Lucas, 22:44).

Por esse motivo, na Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, incentivamos a formação das Igrejas Familiares. Os Cristãos do Novo Mandamento, Amigos de Jesus, realizam a Cruzada no Lar* em prol da união das famílias, tendo por referência o estudo e a vivência do Evangelho-Apocalipse do Divino Mestre. Nas reuniões da Religião do Terceiro Milênio, a Quarta Revelação, o Irmão Flexa Dourada (Espírito), por intermédio do sensitivo Cristão do Novo Mandamento Chico Periotto, no dia 29 de setembro de 2018, fraternalmente recomendou:

— Sempre que sentirem necessidade no coração, abram a Bíblia Sagrada. Peguem qualquer trecho e leiam em voz alta. Os Espíritos do Bem que estão à volta vão lhes dar muitos passes, muitos fluidos, vão estimulá-los. Irão aumentar a Corrente da Boa Vontade! Os Apóstolos de Jesus, os Missionários, aqueles que são encaminhados para fazer tarefa grande precisam estar sempre, sempre, com a Bíblia Sagrada por perto, se socorrerem nela, abrirem o Evangelho. Simplesmente quando abrem o Evangelho, vocês já espantam a treva, vocês já tiram do ambiente qualquer mal-intencionado que esteja tentando entrar. E, às vezes, vem por outras pessoas cercadas de espíritos atrasados, que acabaram atraindo. E a simples abertura do Evangelho de Jesus e uma leitura dele, de qualquer parte do Evangelho, é como se jogássemos uma água para poder espantar aqueles que não querem tomar banho.

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Cruzada do Novo Mandamento de Jesus no Lar — Veiculada, toda segunda-feira, na Super Rede Boa Vontade de Rádio (veja a relação de emissoras no portal boavontade.com ou baixe o aplicativo Boa Vontade Play), a Cruzada do Novo Mandamento de Jesus no Lar é transmitida diretamente da Igreja Familiar no 1 da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, sob a responsabilidade do casal Paiva Netto, e estendida a todas as Igrejas Familiares da Religião do Amor Universal. Para se inteirar mais sobre esse importante trabalho da Religião Divina, leia o primeiro volume das Sagradas Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo.

 

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.