Liberdade depreende temperança

Fonte: Reflexão de Boa Vontade extraída do livro “Tesouros da Alma”, de dezembro de 2017. | Atualizado em dezembro de 2019.

Em qualquer momento da existência humana, a mesa está posta por Jesus àqueles que anseiam alimentar-se do Seu Evangelho, do Seu Apocalipse e das Suas Palavras, por intermédio dos Profetas, no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada. A ceia prossegue, ofertada pelo Cristo de Deus, como na Sua Carta à Igreja em Laodiceia (Apocalipse, 3:20 a 22):

“20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abri-la para mim, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.

“21 Ao vencedor, Eu o farei sentar-se comigo no meu trono, assim como também Eu venci e me sentei com meu Pai no Seu trono de glória.

“22 Quem tem ouvidos de ouvir ouça o que o Espírito diz às Igrejas do Senhor”.

Jesus bate à porta. Abramos-Lhe o caminho para que, com Ele, possamos usufruir o alimento e a água espirituais que nos bastarão por toda a Eternidade. Dessa forma, nunca mais sentiremos escassez do que nos faz fortes, consoante o Evangelho, segundo João, 6:35 e 51: “Eu sou o Pão da Vida. Quem vem a mim de modo algum terá fome, e quem em mim crê jamais terá sede! (...) Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Se alguém dele comer, viverá eternamente (...)”.

No entanto, é preciso haver aquela fé que remove montanhas, pois, na Boa Nova, conforme os relatos de Marcos, 16:15, o Cristo Ecumênico, o Sublime Estadista, ordena a Seus discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”.

Antes de nos transmitir essa famosa diretiva, Ele nos traz a seguinte advertência no versículo 14: “Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não deram crédito aos que O tinham visto ressuscitado” Jesus (Marcos, 16:14).

Tela: James Tissot (1836-1902)

Detalhe da Obra: A aparição de Cristo no Cenáculo.

Por isso, o Divino Mestre — durante a Sua Missão entre os incrédulos que Lhe pediam mais uma prova, depois de tantas que Ele já lhes mostrara — asseverou, em Seu Evangelho, segundo Mateus, 16:4: “Uma geração má e adúltera pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do Profeta Jonas [ou seja, o do sofrimento] (...)”.

Tela: James Tissot (1836-1902)

Título da obra: A pergunta de Jesus aos fariseus.

Deus respeita o livre-arbítrio. Que mais deseja o ser humano a não ser liberdade? Contudo, ela depreende temperança, e não pôr a casa do vizinho abaixo. A Sabedoria Espiritual ensina que “a semeadura [o que concretizamos, de bom ou de mau, com nossas escolhas] é livre, mas a colheita, obrigatória”. Do contrário, seria o reino desbragado da impunidade, que corrói países tal qual caruncho ou cupim, como se tem visto, há tempos, pelo mundo. Grandes estruturas se desfazem por causa da inconsequência, que convoca a ação urgente da Justiça Perfeita, isto é, a Divina, tornando melhores as nações, por força do Amor ou da aflição. Por esse motivo, concluo: Deus nos deixa moralmente livres, mas não imoralmente livres. Afirmo, ainda, como tenho feito há décadas: Liberdade sem Fraternidade Ecumênica é condenação ao caos.

O sinal de Jonas

Quanto ao “sinal de Jonas”, no segundo volume de O Brasil e o Apocalipse (1985) fiz o seguinte comentário acerca dessa advertência do Cristo, anotada por Mateus, 16:4 “(...) nenhum sinal lhe será dado, senão o do Profeta Jonas”:

Tela: Léon Bonnat

O fato se deu assim: depois de Jesus ter sobejamente demonstrado Sua Sabedoria e Seu Poder Espiritual, após realizar centenas e centenas de curas e de anunciar a vinda do Reino de Deus, homens tão sôfregos quanto levianos insistiam em Lhe pedir novos sinais, para que se convencessem de Sua Missão redentora e de que Ele, o Nazareno, era o Messias prometido desde Moisés. O Cristo energicamente respondeu-lhes que a eles, geração adúltera e perversa, só seria dado o sinal de Jonas. E o que é o sinal de Jonas? Resposta: O sofrimento pelo qual passou o Profeta israelita, da tribo de Zebulom, ao tentar fugir da tarefa de pregar e convencer os ninivitas a abandonar os seus muitos erros. Conta a Bíblia que Jonas, depois de penar por três dias e três noites na escuridão do “ventre de um peixe” (o calabouço infecto de um navio, como revela a Doutrina do Centro Espiritual Universalista — o CEU da Religião Divina*1), realmente arrependido, pediu perdão a Deus e foi para Nínive, capital da Assíria, onde honrou o que veio cumprir na Terra.

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Centro Espiritual Universalista — o CEU da Religião Divina — Leia mais sobre o assunto no primeiro volume das Sagradas Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, p. 212.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.