Paz e Fraternidade

Fonte: Jornal O Estado do Paraná, edição de 22 de julho de 2007, domingo.

Todos estamos comovidos e perplexos diante do trágico acidente aéreo do vôo 3054 da TAM, ocorrido na noite do último dia 17, na cidade de São Paulo. Neste momento de dor, solidarizo-me com as famílias e amigos das vítimas, pedindo a Deus o amparo e o conforto espiritual para os que ficam e também para os que nos deixaram de forma tão dramática. Onde quer que estejam, pois os mortos não morrem, recebam as nossas vibrações de Paz e Fraternidade, veneranda saudação de Francisco de Assis.

Ecumenismo dos Corações

Trago, hoje, trecho de minha mensagem constante da publicação especial que a Legião da Boa Vontade encaminhou aos participantes do High-Level Segment 2007, do Ecosoc (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas — ONU), ocorrido em Genebra/Suíça, de 2 a 5 de julho:

Olho para o mundo e penso que não pode ser considerado liberto quem anda faminto; quem passa diante de um colégio, mas não pode freqüentá-lo, porque os pais não têm dinheiro para comprar-lhe o material escolar; quando na TV, mesmo hoje, aos negros sobram papéis secundários e faltam os de projeção no enredo; quando a mulher recebe salários inferiores aos dos homens; quando a droga força a porta das casas das famílias; quando os ricos, para sair à rua, precisam blindar seus carros e, até assim, não se sentem seguros; quando os pobres vivem no aconchego do lar sob o risco de balas perdidas; quando os enfermos não recebem a assistência devida; quando o respeito à liberdade de expressão está sob ameaça constante. Enfim, quando qualquer pátria potencialmente forte, porém com expressiva parte da população ainda na indigência, não alcançou a autonomia espiritual verdadeira, porque tudo tem início na Alma das Criaturas: tanto o acerto como o desacerto. Daí a necessidade urgente de instruir, educar e espiritualizar com o ecumenismo do coração. Trata-se de um desafio no oceano encapelado pela indiferença de alguns à situação dos indivíduos ou de seus povos. Contudo, constitui uma das mais avançadas decisões que a Humanidade é capaz de enfrentar e tornar auspiciosa realidade. O Amor Fraterno é o mais potente instrumental para a libertação do Ser Humano.

A propósito, Cícero (106-43 a.C.), grande tribuno romano, grafou:

“— Dentre todas as sociedades, nenhuma há mais nobre e mais estável que aquela em que os homens estejam unidos pelo Amor”.

Eis por que — estimados ouvintes e leitores e respeitáveis leitoras e ouvintes que me honram com sua atenção — o isolacionismo, quando caracterizado pela ilusão do orgulho espiritual, social e político, há sempre de se render, um dia, ao contagiante sentimento de Solidariedade Espiritual e Humana. Alziro Zarur ensinava:

“— Deus criou o Ser Humano de tal forma que ele só pode ser feliz praticando o Bem”.

(...) Para os que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir, a Humanidade, em razão das extraordinárias ferramentas que conquistou a duras penas pelos milênios, jamais presenciou tempos tão prósperos de transformação semelhantes a estes. Mas uma providência é questão vital para que não se perca, como outras vezes ocorreu, tamanho ensejo: reeducar, ecumenicamente espiritualizando, as massas populares e defendê-las das águias-rapaces, que, pela corrupção, desviam os meios necessários à melhoria do quadro penoso em que vivem.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.