Lincoln, o prego e o reino

Fonte: Jornal "Folha de S.Paulo", de 28 de junho de 1987.

O Brasil precisa, mas precisa mesmo, agora mais do que nunca, da união de todos os seus filhos em torno de Deus. Sim, porque não há ideal maior que Deus. Na definição de João Evangelista (Primeira Epístola, 4:16), “Deus é Amor”. E toda criatura precisa do amparo divino.

Hubble & NASA

Assim como o sangue, circulando pelo corpo, oxigeniza e alimenta as células humanas, o Amor, percorrendo os mais recônditos pontos de nosso Espírito, fertiliza-o e o torna pleno de Vida. As Almas sem Amor sucumbem na esterilidade, permanecem secas, quedam-se infrutíferas, até que concluam que somente o Amor Fraterno pode definitivamente alimentá-las, fortalecendo-as e transformando-as em verdadeiros dínamos.

Tela: Gebhard Fugel (1863-1939)

Detalhe da obra: Cristo cura os enfermos.

Há quase vinte anos, recebi de Idenir Borges, de São Paulo/SP, esta página atribuída a Abraão Lincoln (1809-1865), o velho Abe, que diz assim:

Reprodução

Abraão Lincoln

“Porque um prego se perdeu, um ferro se perdeu. Porque um ferro se perdeu, uma ferradura se perdeu. Porque uma ferradura se perdeu, um cavalo se perdeu. Porque um cavalo se perdeu, um cavaleiro se perdeu. Porque um cavaleiro se perdeu, uma mensagem se perdeu. E porque uma mensagem se perdeu, um reino inteiro se perdeu. E tudo isso só porque um prego se perdeu”.

Então, lembrei-me de uma página que escrevi há muito tempo, para responder a uma pergunta, e que foi transcrita no livro de Mário Frigéri, Paiva Netto, o Comunicador da Solidariedade Humana (1986).

A importância de um parafusinho

P — Se sou tão pequenino, como posso sentir-me útil e ser realmente valioso no serviço em prol do meu semelhante?

Paiva Netto — Na Legião da Boa Vontade, meu amigo, você mesmo é que se promove, agindo da melhor maneira possível na tarefa que lhe compete fazer. Na LBV, não há trabalho humilhante. Todos os serviços são vitais. Se um parafuso na máquina não estiver devidamente ajustado, mais dia, menos dia, essa máquina ficará emperrada... Pode demorar um ano, dois... Se o pequeno parafuso estiver frouxo, começa a vibração excessiva, que vai relaxando outro, outro, outro... Quer dizer: aquele parafusinho tem uma função importantíssima naquela máquina, mesmo que o não pareça. Assim são os valiosos instrumentos humanos na grande máquina espiritual e social chamada Legião da Boa Vontade — essa extraordinária obra de engenharia moral e cósmica — e assim o deve ser na sociedade realmente civilizada. Não há mais departamentos estanques na Terra. Basta considerar que o que ocorre aos antípodas imediatamente repercute em toda a parte. Vivemos a era nuclear... Os que têm “olhos de ver e ouvidos de ouvir” são capazes de entender isto nesta hora apocalíptica: agora, mais do que antes, a definitiva promoção é a espiritual. Ensinou o Cristo: “Procurai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas” (Boa Nova, segundo Mateus, 6:33). A elevação espiritual, oriunda do nosso próprio esforço, deve preceder a promoção material. Quando isso se dá, a marcha é correta e duradoura. Reformar o ser humano depreende realizar todas as reformas com êxito.

Nossa grande tarefa na Legião da Boa Vontade e na Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo é valorizar o Espírito Eterno do ser humano — a obra máxima do Criador. A Esperança não morre nunca.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem "o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno".