A Fé e a dor

Fonte: Jornal A Tribuna Regional, de Santo Ângelo/RS, edição de 13 e 14 de junho de 2009, sábado e domingo.

 

Tela: Leonardo da Vinci (1452-1519)

Título da obra: A Dama com Arminho.

Tela: Giovanni Sassoferrato (1609-1685)

Título da obra: Maria em oração.

Num artigo assinado por Ian Sample, datado de 1/10/2008, publicado no periódico inglês The Guardian, tomamos conhecimento de uma pesquisa científica que confirma a eficácia da religiosidade no combate à dor. De acordo com a matéria, uma equipe de cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, chegou a essa conclusão ao realizar exames de imagens cerebrais em uma série de indivíduos que foram submetidos a choques elétricos, após observar estampas religiosas. Afirma ainda o texto que “o trabalho contou com dois grupos: um de católicos praticantes e outro de ateus e agnósticos. O experimento consistiu em mostrar a eles a figura da Virgem Maria, do artista italiano Sassoferrato, e a pintura ‘A Dama com Arminho’, de Leonardo da Vinci. Após admirar uma das imagens durante meio minuto, os participantes recebiam descargas elétricas durante 12 segundos e deviam qualificar o nível de dor que sentiam. Os católicos e os agnósticos registraram níveis similares de dor após ver a pintura de Leonardo, mas os primeiros experimentaram 12% menos depois que observaram a imagem da Virgem Maria. Quando foram comparados os escaneamentos cerebrais de ambos os grupos, ficou comprovado que, quando os crentes viam a Virgem, ativava-se em seus cérebros uma área denominada córtex pré-frontal ventrolateral direito”.

Reprodução BV

Katja Wiech

Relativamente ao texto em lide, a jornalista Maria Jesús Ribas, da Agência Efe, traz a palavra da doutora Katja Wiech, uma das autoras do trabalho: “Esta área se encarrega de dar um significado neutro ou positivo a uma experiência nociva, o que nos ajuda a enfrentá-la melhor, e auxilia as pessoas a interpretar a dor e a torná-la menos ameaçadora”.

Segundo a referida Agência, o estudo também atestou que esse “efeito analgésico” não está atribuído a uma religião em particular, sendo possível alcançá-lo por intermédio de meditação e outras estratégias psicológicas.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.