Parusia e a questão espiritual do tempo

Fonte: Artigo publicado no Jornal de Brasília, terça-feira, 25 de outubro de 2011. | Atualizado em janeiro de 2018.

Foi para um 22 de outubro, do longínquo ano de 1844, que alguns irmãos cristãos norte-americanos aguardavam o retorno de Jesus à Terra. Fundamentaram-se em interpretação própria da profecia das 2.300 tardes e manhãs, descrita no livro de Daniel, no capítulo 8º, no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada.

Pelo fato de o segundo advento (a Volta de Jesus ao plano das formas) não ter se dado, essa ocasião foi por eles denominada o Dia do Grande Desapontamento.

   

No dia 22/10, um sábado, durante a sessão solene das comemorações dos 22 anos do Templo da Boa Vontade, que tive a honra de comandar, reforcei que não percamos de vista o necessário cuidado que devemos ter ao propor datas para o cumprimento das profecias de Deus. Como colaboração ao tema, apresento-lhes aqui trechos do capítulo “A questão espiritual do Tempo”, constante do meu livro Jesus, o Profeta Divino, um dos campeões de venda da 15ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro:

João Periotto
Arquivo BV

Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da LBV.

Tela: Peter Paul Rubens

Pedro

Essa questão do tempo, que está realmente próximo (Apocalipse, 1:1) — mas sempre lembrando que o tempo próximo da profecia apocalíptica se realiza por partes, dentro de grandes partes e da Grande Parte Final —, por sua vez, deve ser com insistência objeto de estudo e reflexão. O salmista no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada (Salmos, 90:4) o afirma e Pedro Apóstolo (Segunda Epístola, 3:8 e 9) no Novo Testamento o ratifica: “Mil anos dos homens são para Deus como o dia de ontem que já passou”. Então, “Jesus pediu dois dias para voltar”, constantemente destacava o saudoso Alziro Zarur. “E vai ressurgir, do mesmo modo como (no passado) ressuscitou, ao terceiro dia”, depois de ter sido “morto” e “sepultado” pelos seres humanos, os quais veio salvar. Atentemos ainda para o fato de que esse “terceiro dia”, que terá início em 2001 (estávamos na década de 1990), possui mil anos de duração, segundo a contagem terrena. É palmar que lhes falamos do Terceiro Milênio, que vem logo ali. Nenhum de nós na Terra detém autoridade suficiente para apontar esta ou aquela data como a da Volta de Jesus, mas pode concorrer para abreviá-la, conforme se encontra na Segunda Epístola de Pedro, 3:11 e 12: “(...) Vivei em santo procedimento, (...) esperando e apressando a vinda desse Dia do Senhor (...)”.

O Breve Tempo de Deus

Reforçando o assunto Tempo, no tocante ao Retorno do Divino Mestre — como "o Leão da Tribo de Judá", Apocalipse (5:5), isto é, "com poder e grande glória" (Evangelho segundo Mateus, 24:30), não mais como cordeiro a ser abatido —, releio em Reflexões da Alma trechos da análise que fiz, depois de estudar Zarur e em anos de pesquisa variada.

Tela: Ivan Aivazovsky (1817-1900)

Título da obra: Jesus caminha sobre a água.

Alguns argumentam contra a credibilidade do Apocalipse, tendo em vista esta sua afirmativa: "... pois o tempo em breve chegará". E o fazem até sem jamais o ter lido. Ou, se abriram suas páginas, passaram apenas os olhos nelas, com a ligeireza de quem lê um romance de quinta categoria... A esses, reiteradamente convido a levar em consideração determinados fatores, como há pouco vimos, e que, por serem tão importantes, ilustraremos melhor em outra ocasião.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.