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Legião da Boa Vontade e a Ideologia do Bom Samaritano

Meus Amigos e meus Irmãos, em 1° de janeiro de 1950, Dia da Confraternização Universal, a Legião da Boa Vontade (LBV) surgiu na face da Terra sob a inspiração e os auspícios das palavras e exemplos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Seu fundamento prima­cial está contido no Evangelho-Apocalipse do Celeste Orientador.

E, ao raiar deste novo ano, quando a LBV completa mais um de profícua existência, expresso a minha perene satisfação ao ver, latente no seio do povo, a sua presença marcante, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira com a sua benéfica influência no campo da Educação com Espiritualidade e o seu crescente alargamento pelo mundo.

LBV é também Comunicação

Nessa data histórica para os de Boa Vontade, mais uma vez niti­damente recordo-me daquela manhã de 29 de junho de 1956 quando ouvi na Rádio Tamoyo, do Rio de Janeiro, Alziro Zarur (1914-1979) falar sobre a missão da LBV no auxílio aos humildes e no preparo dos caminhos da Volta Triunfal do Cristo de Deus. Naquele tempo, estava em plena agitação a campanha pela compra da Emissora da Boa Vontade (a antiga Mundial), que acabou sendo adquirida. E quanto a preparar o retorno do Divino Mestre — como O chamava São Francisco de Assis (1181-1226), Patrono da LBV — é também proclamar incessantemente o Seu Evangelho-Apocalipse em Espírito e Verdade, quer dizer, não “ao pé da letra”*1, que pode gerar a calamidade chamada fanatismo. Mas à luz do Seu Mandamento Novo — Lei de Amor Universal — que significa viver com intensidade Suas pala­vras e exemplos, sem menosprezar os outros caminhos. Considerar-se dono da verdade é como que ombrear com a mentira. Ora, o milagre que Deus espera dos Homens é que aprendam a amar-se.

Por isso, já dissera Jesus:

— Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (...) Não há maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos. (...) Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor (Evangelho do Cristo segundo João, 13:34 e 35; 15:12, 13 e 9).

LBV é igualmente Comunicação! Sua saga heroica não se restringe ao socorro dos que têm a fome do estô­mago, mas se estende ao amparo espiritual, porque com o Espírito reformado pelo esclarecimento das Coisas Divinas e pela afetividade pedagógica tudo tende a melhorar. Ela trabalha em prol de Educação e Cultura, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho com Espiritualidade Ecumênica.

Uma bela lição do Cristo

Falando a uma simpática plateia, no ano de 1991, em Portugal, revelei-lhe que, ainda na minha meninice, a primeira notícia pela qual tive conhecimento da Bíblia Sagrada, em particular a Boa Nova*2 de Jesus, veio por intermédio de meu saudoso pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000). Ele me falou sobre uma comovente história contada ao povo pelo Cristo de Deus: a Parábola do Bom Sama­ritano. E a leu para mim. A passagem se encontra no Evangelho segundo Lucas, 10:25 a 37:

“25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando Je­sus, ao interrogá-Lo assim: ‘Mestre, que farei para herdar a Vida eterna?’.

“26 Jesus perguntou-lhe então: Que está escrito na lei? Como a lês?

“27 E o doutor da lei declarou-Lhe: ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua Alma, e de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo’*3.

“28 Jesus, então, lhe respondeu: Disseste-o bem; faze isso, e viverás.

“29 E o doutor da lei, contudo, querendo justificar-se a si mesmo, questionou-Lhe: ‘Mas quem é, Jesus, o meu próximo?’.

“30 O Mestre replicou-lhe, contando-lhe uma parábola: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, retiraram-se, deixando-o semimorto.

“31 Descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.

“32 E de igual modo um levita chegando àquele lugar, e, avistando o pobre homem, passou também de largo.

“33 Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, fitando-o, tomou-se de infinita compaixão;

“34 e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e pondo-o sobre um animal de sua propriedade, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.

“35 No outro dia, partindo, tirou dois denários (antiga moeda romana), e deu-os ao dono da hospedaria e lhe disse: Cuida bem deste ferido, e tudo o que de mais gastares, eu te pagarei quando aqui voltar.

36 Qual, pois, destes três — perguntou Jesus ao homem da lei — te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?

“37 Ao que o doutor da lei Lhe respondeu: ‘Claramente o que usou de misericórdia para com ele’. Disse-lhe, então, calmamente Jesus: Vai, pois, e faze da mesma forma”.

Ao reler essa Parábola, medito, profundamente tocado em minha Alma, sobre mais esta bela lição do Cristo Ecumênico, Aquele que se dispõe a socorrer a qualquer necessitado em suas agruras, e que me despertou para o valor da Solidariedade, e me fez disposto, de todo o coração, ainda adolescente, a participar desta divina empreitada (Legião da Boa Vontade) sem jamais dela desertar. Afinal, aprendemos com Jesus a persistir até o fim:

— “Na vossa perseverança, salvareis as vossas al­mas” (Evangelho de Jesus segundo Lucas, 21:19).

Aliás, para os de Boa Vontade, ser tenaz no Caminho do Se­nhor significa desenrolar-se além do chamado fim humano, porque a Vida continua, pois os mortos não morrem. Nem os Irmãos ateus, entre os quais se encontram criaturas de esmerada generosidade.

Pois bem, aqui estou mais de meio século de labuta nas lides das Instituições da Boa Vontade e intensamente feliz ao lado de Vocês, por poder prestar serviço a esta Causa Sublime, cujo lema é, desde os seus primórdios, por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais feliz. O que me sustenta é a pertinácia ensinada pelo Operário Divino em Sua Boa Nova de libertação. Sempre trago na mente uma grave advertência do filósofo Goethe (1749-1832), um gênio alemão que iluminou o mundo nos séculos 18 e 19. Disse o autor de Fausto:

— “Conhecer não é o bastante, precisamos aplicar. Desejar não é o suficiente, precisamos fazer”.

A verdadeira forma do existir

Voltando à lição da Parábola, vemos no com­portamento desse samaritano (representante de uma comunidade desprezada naquele tempo) a verdadeira forma de viver do cidadão solidário que há décadas aqui pregamos. Essa passagem evidencia que não basta unicamente educar. É imprescindível a espi­ritualização da criatura e, além disso, manifestar a todos os Seres Humanos e Espirituais a importância do afeto, do entendimento para que haja uma sociedade realmente fraterna. O desafiante Voltaire (1694-1778) afirmou em Érphyle, ato III, cena 20:

— “Os mortais são iguais. Não é o nascimento, mas apenas a virtude que estabelece a diferença entre eles”.

Cícero (106-43 a.C.), um dos mais respeitados oradores e pensadores políticos romanos, vem ao encontro do meu raciocínio ao asseverar que:

— “Os homens devem fazer somente o que, sendo útil a eles, o seja também aos demais”.

Esses modelos que lhes trago podem parecer românticos aos pragmatistas (naturalmente que me refiro aos sem-Fraternidade, pois existem os que têm a Alma cheia de sentimentos benévolos). Aliás, certa vez eu disse a um grupo de amigos o seguinte: Ser idealista, sim. Mas, por favor, com talento e pragmatismo. É preciso ter ideal e sobretudo ser capaz de realizá-lo, para continuar merecendo a bênção de Deus.

O Brasil virá a tornar-se Coração do Mundo e Pátria do Evan­gelho Ecumênico quando essas qualidades forem comuns entre seus habitantes. Então, transformar-se-á, realmente, no celeiro do planeta. Não apenas do trigo que se ceifa do chão, mas daquele que se colhe da Alma.

Ao me referir à Boa Nova de Jesus, não a com­preendo como atributo de uma parte privilegiada da Humanidade. A linguagem moral que Ele transmite pertence a todos os corações que batalham por um mundo mais cordial.

E, em todas as eras, muitas figuras exponenciais da História tiveram como tema de suas reflexões os mais admiráveis sentimentos que o Ser Humano pode expressar. Numa época de tanto hedonismo, é bom nos recordarmos de alguns deles:

— “Não façais ninguém sofrer: todos são filhos do mesmo Deus. (...) Facilitar uma boa ação é o mesmo que praticá-la”.

Profeta Muhammad (570-632) — “Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele!”

— “Se os homens puserem o dever em primeiro lugar e o êxito depois, não melhorarão o caráter?”.

Confúcio (551-479 a.C.)

— “O Homem não é infeliz enquanto age com justiça”.

Demócrito (460-370 a.C.)

— “O maior e melhor príncipe é aquele sob cujo domínio a terra é mais fértil”.

Zoroastro (628-551 a.C.)

— “Aquele que transforma em beleza todas as emoções, sejam de melancolia, de tristeza, prazer ou dor, vive na perpétua alegria”.

José Pereira de Graça Aranha (1868-1931)

— “Onde quer que haja um homem, haverá oportunidade para sermos generosos”.

Sêneca (4 a.C.-65 d.C.)

— “Grandeza e bondade não são meios, são fins”.

Samuel Taylor Coleridge (1772-1834)

— O reconhecimento é a memória do coração.

Antístenes (444-365 a.C.)

— A primeira das virtudes é a justiça.

Aristóteles (384-322 a.C.)

— Não há nada que tão bem refresque o sangue como uma boa ação.

Jean M. de La Bruyére (1645-1696)

— Se o gênio é uma grandeza, a bondade é uma excelência; o homem mais digno é aquele que mais se preocupa com o bem geral, procurando, com a força do seu espírito, corrigir os males e minorar o sofrimento dos infelizes.

Coelho Neto (1864-1934)

Recordo-me, também, de um aforismo de Edmund Burke (1729-1797) perfeitamen­te aplicável ao que despretensiosamente lhes digo:

— “Para que o mal vença, basta que os homens de bem fiquem de braços cruzados”.

Naturalmente que, com essas palavras, Burke está combatendo o mal da covardia.

Ajusta-se bem aqui outro pensamento do grande filósofo Confúcio, pois defendemos a Paz, não a impu­nidade:

— “Pague a Bondade com a Bondade, mas o mal com a Justiça”.

Sobre a correta aplicabilidade desse ensinamento do sábio chinês, o cientista e matemático Blaise Pascal (1623-1662) adverte-nos para a necessária simetria entre o vigor e a retidão:

— “A justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica. É preciso, pois, que se ponham em harmonia a justiça e a força, para ser justo o que é forte e ser forte o que é justo”.

A fraqueza do Homem e a Providência de Deus

(...) Diante disso, nada melhor do que ouvir o recado dos versículos 12 e 16 do Salmo 90 da “Oração de Moisés, varão de Deus”:

“12 Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio.

“16 Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória, sobre seus filhos”.

O nosso destino

Trago, por oportuna, significativa página atribuída a Charles Chaplin (1889-1977) — gentilmente remetida por minha bela prima Ana Paula Bomfim Kistmann, que reside nos Estados Unidos.

Chaplin, um dos maiores gênios do cinema, demonstra que o Ser Humano deve sustentar em sua mente e em seu coração, mesmo diante das intempéries da vida, o propósito de caminhar adiante.

“Hoje levantei pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia-noite. É minha função escolher que tipo de dia terei hoje. Posso reclamar que está chovendo ou agradecer às águas por levarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter de ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saírem como planejei, posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente, esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar a forma. Tudo depende de mim!”.

Tinha razão o velho Victor Hugo (1802-1885):

— “Aqueles que hoje afirmam que uma coisa é impossível de ser concretizada, tacitamente, se colocam ao lado dos que vão perder”.

Agradecimento

Novo ano tem início. Com a bondosa ajuda do povo, chegamos até aqui. Meus sinceros agradecimentos a todos os que têm colaborado pelo sucesso da LBV: os seus voluntários e contribuintes. Nosso muito obrigado, também, às autoridades, aos religiosos, aos ateus, aos artistas, à mídia. Enfim, a todas as criaturas de Boa Vontade que nos ajudam. Aos participantes do Clube Cultura de Paz, meu incentivo. Aos mantenedores da Religião de Deus, Cristãos do Novo Mandamento do Jesus Ecumênico, o Divino Estadista, que a todos ensinou o auxílio ao próximo, a ponto de preconizar o Amor até mesmo aos inimigos (Evangelho segundo Lucas, 6:27), meu estímulo. A todos reitero os meus votos de um ano-novo repleto de realizações, espirituais e humanas, sob a iluminação da Paz, da Fraternidade, da Verdade e da Justiça, porquanto a esta assim se referiu Rui Barbosa (1849-1923):

— “Nesta palavra — a Justiça — cabe quase inteira a noção da nossa felicidade na Terra. É a substância da civilização, a essência da sociedade, a síntese da política cristã. As nações medram ou desmedram, segundo a sabem ou não sabem guardar”.

Um Feliz Natal Permanente do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista!

Quem confia em Jesus não perde o seu tempo, porque Ele é o Grande Amigo que não abandona amigo no meio do caminho.

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*1 Ao pé da letra — Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios, 3:6 — “A letra mata, mas o Espírito vivifica”.
*2 Boa Nova (de Jesus) — Evangelho significa Boa Nova.
*3Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua Alma, e de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” — Levítico,19:18.
Comentários
Marcos Bordallo - Rio de Janeiro/RJ Mil aplausos para o sr Bruno, que impulsionou um adolescente no caminho da solidariedade e o resultado, o Brasil e o mundo agradecem. O senhor Bruno de uma maneira bem simples, reeditou a parábola através de seu filho, que vem levantado a humanidade na persistência em servir a Jesus e dar o exemplo aos demais. Tanto na parábola do Senhor Jesus, como uma história subjacente deste artigo, temos que nos atentar ao detalhe simples, como um pai que conta uma "simples" parábola de Jesus ao filho; como o samaritano com o "simples" gesto de interromper uma viagem, mostrou o que é importante fazer na vida; como Jesus que com uma "simples pergunta" não aceitou a provocação e reverteu-a em ensinamento para toda a humanidade.

Valmir Tiberio - Marilia/SP Maravilhas de palavras, que nos ajudam a conduzir nossa vida material e nos prepara para a volta à parte espiritual. Obrigado querido amigo e Irmão Maior Paiva Netto.

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