Queda das fronteiras e caminhos tortos

Fonte: Reflexão de Boa Vontade extraída do livro “Somos todos Profetas”, de junho de 2022. | Atualizada em outubro de 2022.

Assiste-se, hoje mais do que nunca, a quedas de fronteiras de todos os tipos. Realmente, isso é um fato inarredável como ocorreu com a Primeira (a do carvão) e a Segunda (a da eletricidade) Eras Industriais, que, afinal, trouxeram grandes benefícios. A questão é valermo-nos desse fenômeno social, a fim de conquistar os melhores proveitos para o povo, e não contra o povo. Costumo dizer que vivemos a época do integra ou desintegra. Já que os religiosos demoram a realizar, como é do seu dever, a integração sublimada pelo Amor, os negociantes o vão fazendo, o que é parte também de um determinismo econômico, mesmo que aos trancos e barrancos. O comércio possui a sua destacada função social. Falta-lhe, porém, o alto sentido do espírito de Caridade tão exaltado pelo Apóstolo Paulo, em sua imorredoura Carta dirigida aos Coríntios, sintetizado neste versículo: “Agora, pois, permanecem a Fé, a Esperança e a Caridade; destas três, porém a maior é a Caridade (Primeira Epístola aos Coríntios, 13:13).

Ou o ser humano aprende a linguagem do coração e faz dela poderoso instrumento de reforma humana, social e política, ou os efeitos da globalização irão se voltar até contra os que dela têm tirado proveito. Se as fronteiras do mundo estão desabando, até agora em maior prejuízo dos pobres, chegará o momento em que ninguém ficará a salvo em “torres de marfim” do avanço dos desprotegidos da Terra. (...)

Em meu ensaio O Capital de Deus, pondero, acerca do tema, que — para superar esse estado de coisas, quebrar essa estrutura alienada de progresso de destruição — é preciso que todos se unam, religiosos e ateus, para o encontro das soluções que se mostram urgentes. Daí pregarmos, na Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo — a Quarta Revelação —, o Ecumenismo dos Corações, do respeito mútuo, a partir do qual desponta campo fértil para o entendimento. Afirmo há tantos anos e publiquei em Reflexões da Alma (2003): O coração torna-se mais propenso a ouvir quando o Amor é o fundamento do diálogo.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.