Adam Smith e Solidariedade

Fonte: Reflexão de Boa Vontade extraída do livro “Jesus e a Cidadania do Espírito”, de outubro de 2019. | Atualizado em julho de 2020.

Adam Smith (1723-1790), economista e filósofo escocês, o chamado pai da economia moderna, escreveu em Teoria dos Sentimentos Morais:

“Por mais egoísta que se suponha o homem, evidentemente há alguns princípios em sua natureza que o fazem interessar-se pela sorte de outros, e considerar a felicidade deles necessária para si mesmo, embora nada extraia disso senão o prazer de assisti-la. (...)

“Por intermédio da imaginação podemos nos colocar no lugar de nosso irmão, concebemo-nos sofrendo os mesmos tormentos, é como se entrássemos no corpo dele e de certa forma nos tornássemos a mesma pessoa, formando, assim, alguma ideia das suas sensações, e até sentindo algo que, embora em menor grau, não é inteiramente diferente delas. Assim incorporadas em nós mesmos, adotadas e tornadas nossas, suas agonias começam finalmente a nos afetar, e então trememos, e sentimos calafrios, apenas à imagem do que ele está sentindo”.

E é justamente quando, sentindo a dor de nossos Irmãos em Humanidade, passamos a perceber o imenso valor que possui a Solidariedade, a Compaixão, a Fraternidade, a Generosidade. Por isso, ao me referir à Solidariedade Espiritual e Humana, quero reforçar que se trata de uma Estratégia Divina, pedagógica, a nos ensinar a viver fraternalmente irmanados. A outra face disso é a perspectiva sinistra da guerra de todos os tipos, que é vigorosamente rejeitada pelo Cidadão do Espírito.

A respeito da nobre atitude de concórdia a ser exercitada entre os habitantes do orbe, nos fala o radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979) nestas estrofes de seu incomparável:

Poema da Amizade

Eu tenho, neste espírito de velho

Que não compreende a vida em solidão,

Meu particularíssimo Evangelho:

Amizade é a minha religião.

 

Nem só de feras se compõe o mundo,

Como proclamam todos os egoístas:

Basta verificar o amor profundo

Que transborda nas almas dos altruístas.

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Mas é preciso que haja em todos nós

Um pouco de renúncia e de modéstia,

Uma nesga, uma fímbria ou fraca réstia

De solidariedade em nossa voz.

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Cultivemos, senhores, a amizade

Em suas santas manifestações,

Sentindo as agonias e aflições

Das camadas servis da sociedade!

 

Por isso eu tenho – espírito de velho

Que não compreende a vida em solidão –

Meu particularíssimo Evangelho:

Amizade é a minha religião.

Ao encontro dessa verdadeira ode à amizade, apresento, por oportuna, a substanciosa conclusão do monsenhor Gaspar Sadoc (1916-2016)*, da Igreja Nossa Senhora da Vitória, em Salvador/BA: “Quando os amigos estão reunidos, até os ponteiros do relógio param, a gente não sente o tempo passar. A amizade é uma bênção de Deus”.

Dedico-lhes sempre este mantra sagrado da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo: Quem confia em Jesus não perde o seu tempo, porque Ele é o Grande Amigo que não abandona amigo no meio do caminho.

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* Em 5 de novembro de 2009, o monsenhor Gaspar Sadoc proferiu esse pensamento ao visitar a Super Rádio Cristal AM 1.350, emissora da Super Rede Boa Vontade de Rádio, em Salvador/BA. Na ocasião, foi presenteado pela equipe de comunicação da LBV com um porta-retratos contendo a majestosa estampa de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, o que o deixou muito comovido. Naquela data, aos 93 anos de vida e 70 de dedicação sacerdotal, ao ser entrevistado falou sobre sua trajetória, a simpatia dele pelo trabalho da Legião da Boa Vontade e sua amizade com Paiva Netto.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.