Michelangelo e o mármore ferido

Fonte: Revista JESUS ESTÁ CHEGANDO!, edição 118, de junho de 2014.

Você que me honra com a sua atenção já viu como é feita uma grande escultura? Um Michelangelo (1475-1564) produzindo Pietà, Davi ou Moisés? É ferindo o mármore! Aliás, existe uma lenda — se bem que pode ser fato verídico —, na qual se conta que após esculpir a famosa estátua de Moisés, Michelangelo teria batido nela, na altura da perna, e dito: — Perché non parli? (Por que não fala?!)

Esculturas: Michelangelo.

Esculturas: Pietá e David.

Michelangelo (1475-1564)

Escultura: Moisés.

Realmente é uma obra de arte extraordinária, que se encontra na Igreja de San Pietro in Vincoli, em Roma. Já estive lá, olhando essa estátua bem de frente. Dá a impressão de que está viva, de tão perfeita!

E qual é o ensinamento que nos deixa o consagrado pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano? Se ele não tivesse ferido o mármore, não nos legaria aquela beleza escultural.

Assim é a vida. Os acontecimentos são os cinzéis, e vocês sabem quem são os escultores? Nós mesmos, sim, nós próprios esculpimos monstruosidades ou obras-primas.

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Daí não podermos ousar pôr a culpa em Deus, no Cristo e no Espírito Santo, ou aleatoriamente até mesmo nas outras criaturas. Os escultores somos nós, usando os cinzéis no mármore de nossa vida.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.