É urgente reeducar!

Mensagem do Diretor-Presidente da LBV encaminhada às Nações Unidas, em diversos idiomas, a partir de 2000.

Tratado do Espiritualmente Revolucionário Novo Mandamento de Jesus (Reunido por Paiva Netto, consoante o Evangelho do Cristo de Deus segundo João, 13:34 e 35; 15:12 a 17 e 9.)

Ensinou o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista: “Novo Mandamento vos dou: Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. O meu Mandamento é este: que vos ameis como Eu vos tenho amado. Não há maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos. E vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando. E Eu vos mando isto: amai-vos como Eu vos amei. Já não mais vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto aprendi com meu Pai vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes; pelo contrário, fui Eu que vos escolhi e vos designei para que vades e deis bons frutos, de modo que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos conceda. E isto Eu vos mando: que vos ameis como Eu vos tenho amado. Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor”.

2009 — Comemorações dos 50 anos da Proclamação do Mandamento Novo de Jesus, pela Independência Espiritual do Brasil e do mundo.

 

É urgente reeducar!

Cuida do Espírito, reforma o Ser Humano.
E tudo se transformará*1.

Documento remetido por Paiva Netto, em diversos idiomas, aos chefes de Estado, alto comissariado, representantes do setor privado e sociedade civil de mais de 100 países, reunidos pela ONU em sua sede, em Viena, Áustria, durante o High-Level Segment 2000, do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc), no qual a LBV possui status consultivo geral.

É de Aristóteles*2 (384-322 a.C.) o ensinamento:

— “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”.

Tem razão o estagirita.
Educação e Cultura com Espiritualidade Ecumênica para o povo, desde o ensino básico, destacam-se entre as preocupações antissectárias maiores da Legião da Boa Vontade (LBV), ao lado de sua aplaudida Promoção Humana e Social (...). Aliás, na verdadeira Democracia — que deve ser entendida e vivenciada como o regime da responsabilidade — todos têm direito à liberdade de expressão, manifestado com o necessário bom senso e sentido de dever, alcançado com o amadurecimento espiritual, ético, portanto, democrático. E mais: o direito ao Trabalho, à Segurança, à Saúde, à Alimentação, ao Lazer (Alegria sem baixaria). Tudo isso com a indispensável espiritualização do sentimento, em qualquer estágio histórico do progresso das nações.

No ensino reside a grande meta a ser atingida, já! E vamos mais longe: somente a Reeducação, até mesmo dos educadores, como recomendava o jornalista, radialista e poeta, militante social, pregador religioso e político Alziro Zarur*3 (1914-1979), é capaz de garantir-nos dias de prosperidade e harmonia.

Sem temor
Porém, como escrevi em meu livro Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (51 a ed., 1987, p.160) e, anteriormente, no Jornal da LBV (janeiro de 1984): (...) quando falamos na união de todos pelo bem de todos, alguns podem atemorizar-se, pensando em capitulação de seus pontos de vista na enfadonha planura de uma aliança despersonalizada, o automatismo humano deplorável. Não é nada disso. Na Democracia, todos têm o dever (muito mais que o direito) de — honestamente (quesito básico) e com espírito de tolerância — enunciar seus ideais, sua maneira de ver as coisas. Entretanto, ninguém tem o direito de odiar a pretexto de pensar diferente, nem viver intimidado pela mesma razão. Dizia Gandhi*4 (1869-1948) que “divergência de opinião não é motivo para hostilidade”. E foi por nisso acreditar que, com certeza, o Mahatma se tornou o personagem principal da independência do seu povo.

O dever de expressar civilizadamente o seu ponto de vista não significa que — para viger a Democracia tenha Você de transformar-se a qualquer preço no vencedor. Quem com isso não pode conviver não sabe o que é Democracia, que, por sinal, é o regime da responsabilidade. É do sábio indiano esta notável afirmativa quanto à necessidade de fomentar a Cultura de Paz nos corações para vencer as animosidades entre os diferentes:

— “Que seus pensamentos sejam positivos, porque eles se transformarão em palavras. Que suas palavras sejam positivas, porque elas se transformarão em ações. Que suas ações sejam positivas, porque elas se transformarão em valores. Que seus valores sejam positivos, porque eles determinarão seu destino”.

Democracia espiritual — proposta da LBV
Ao lançar, em 21 de outubro de 1991, a Pedra Fundamental do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, na Quadra 915 Sul de Brasília/Distrito Federal, Brasil, recomendei no Manifesto da Boa Vontade:

O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica nasce sob o sinete da Democracia, mas não a meramente eleitoral, partidária. (...)
Pregamos a Democracia não somente na Política, mas em todas as áreas da vida humana, principalmente na Religião, que deve andar na vanguarda, por força de sua tarefa de Paz na Terra; senão, para que serviria? É uma ação de humildade, que, para ser frutífera, precisa, antes de tudo, estar revestida pela couraça da coragem sadia, aquela que não aprova violência em nome de um Deus que é Amor e Salvação. Alziro Zarur, o homem que deu início à LBV, costumava afirmar que:

— “O maior criminoso do mundo é aquele que prega o ódio em nome de Deus”.

E mais: que

— “governar é ensinar cada um a governar a si mesmo”.

Ninguém definiria melhor o sentido mais profundo do Ensino para uma nação forte no Terceiro Milênio.

Ver além do intelecto
De acordo com o que escrevi em Epístola Constitucional do Terceiro Milênio*5, publicada em 7 de setembro de 1988, no capítulo “Instruir é Iluminar a Consciência” (p. 77). Sem Educação e Instrução não há progresso. Todavia, educar e instruir não é apenas ensinar a ler, a mergulhar nos livros. Trata-se, acima de tudo, de iluminar a inteligência com o Novo Mandamento de JesusAmai-vos como Eu vos amei — para as funções harmônicas da Criatura Humana e/ou Espiritual (porque os mortos não morrem) na sociedade (...). Isso apenas será conseguido quando todos souberem ver, além do intelecto, com os olhos do Espírito (...).

Cidadania Planetária
Daí ser nosso lema, há tanto proclamado, Educação e Cultura, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho com Espiritua­lidade Ecumênica, porquanto é o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Misericórdia, da Moral, da Ética, da Honestidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência humana, mental, moral e espiritual. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não apenas no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária, porque continuaremos a ignorar que: o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, consequentemente, o direciona à construção da Cidadania Planetária.

Mundo Espiritual, Ciência e microscópio
Há também — o que é essencial destacar — a Espiritua­lidade compreendida como a vivência do Ser nas Esferas Invisíveis, nas quais a Vida se estende perenemente. Enfim, o Mundo Espiritual! Não existe?! Por quê? Porque a Ciência contemporânea ainda não o reconhece?! Igualmente não admitiu o microcosmo, que era um universo invisível até a invenção do microscópio. Não faz muito tempo os alérgicos sofriam a suspeição de diversos clínicos, pois ninguém conhecia o ácaro... até o advento dos instrumentos óticos mais modernos para a investigação do hábitat desses organismos infinitamente pequenos.

Novo Mandamento de Jesus, Solidariedade Mundial e Voltaire
A respeito da necessidade constante do espírito solidário nos relacionamentos pessoais, entre as comunidades e entre as nações, cumpre lembrar o Novo Mandamento de um grande pedagogo, Jesus dessectarizado*6, portanto ecumênico, quando ensina:

— “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. O meu Mandamento é este: que vos ameis como Eu vos tenho amado. Não há maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos. E vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando. E Eu vos mando isto: amai-vos como Eu vos amei. Já não mais vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto aprendi com meu Pai vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes; pelo contrário, fui Eu que vos escolhi e vos designei para que vades e deis bons frutos, de modo que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos conceda. E isto Eu vos mando: que vos ameis como Eu vos tenho amado. Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor” (Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e 35; 15:12 a 17 e 9).

e também esta afirmativa de Voltaire*7 (1694-1778):

— “Desde a Índia até a França, o Sol não vê mais do que uma família imensa, que deveria reger-se pelas leis do Amor. Mortais, somos todos irmãos.”

O Mandamento Novo do Cristo, o Divino Estadista, e a reflexão do polêmico filósofo iluminista francês constituem dois fortes pilares de uma sociedade que queira viver distanciada do suicídio coletivo das guerras de todos os tipos, cada vez mais incontrolavelmente destruidoras.

Pedagogia do Cidadão Ecumênico e a Pedagogia do Afeto

Trago, por oportuno, algumas considerações que apresentei ao dirigir-me, de improviso, ao corpo docente dos centros de ensino da Legião da Boa Vontade e que foram publicadas, em parte, no jornal Correio Braziliense, da capital do Brasil, em fevereiro de 2000:

(...) A nossa meta é a grandeza do Espírito humano, o construtor de tudo. E, assim como o corpo precisa de sustentação, nossa parte eterna necessita do alimento transubstancial, sem o que adoece. Por esse motivo aqui está a Pedagogia do Cidadão Ecumênico*8. A saúde para o Espírito está singularizada no Amor Fraterno, “princípio básico do Ser, fator gerador de Vida, que está em toda parte e é tudo”. (...) Não há maior sofrimento do que a ausência dele (...), vigoroso alicerce de comunidades sadias, porquanto a reforma do social deve vir pelo espiritual, isto é, pelas forças internas da criatura, que a tornam poderosa e indestrutível no seu ideal altruísta. Disse Jesus:

— “O Reino de Deus está dentro de vós” (Evangelho do Cristo, segundo Lucas, 17:21).

Ninguém pode algemar, portanto, a Alma de um Ser liberto pelo conhecimento da Verdade iluminada pelo Amor Divino. Daí a virtude incomensurável do saber conduzido pelo sentimento bom que torna possível a sobrevivência humana: o da Justiça aliada à Fraternidade.

A Ciência descobre a prece
É nosso desejo, em vista disso, que seja clarificado não somente o cérebro, mas também o coração, e que jamais sejam esquecidas as ligações permanentes com o Mundo Espiritual Superior. Para que essa sintonia persista para todo o sempre, existe o exercício da prece, hoje investigado pela judiciosa Ciência*9, que nele tem encontrado agradáveis surpresas de desconhecidas capacidades do Ser Humano.

(Do meu ensaio Os mortos não morrem, um trecho, bem apropriado para estes comentários:

Dirigindo-se, na audiência geral das quartas-feiras, em 2 de novembro de 1983, aos peregrinos reunidos na Basílica de São Pedro, em Roma, o Papa João Paulo II*10 (1920-2005) declarou:

— “O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo...)”.

A prece de um cético e o amplo sentido da oração para religiosos e ateus
Apresento, para surpresa de alguns, a prece de um homem, citado anteriormente, tido como cético, ateu e materialista irremediável. Seu nome? François Marie Arouet (Voltaire). Na verdade, não era ateu no sentido que desejavam imputar-lhe. O que não aceitava eram os desmandos, fossem políticos ou religiosos, comuns em sua época, anterior à Revolução Francesa. O autor de Cartas Filosóficas (1734) irritava-os com sua inteligência notável.

Chegou um momento em que deve ter pensado: “Não há solução; temos de procurar uma força maior”. E lembrou-se de Deus, que nada tem a ver com as dissensões entre Seres Humanos, que usam e abusam do seu livre-arbítrio, sofrendo, ipso facto, as consequências dos seus excessos.

A prece do notável crítico francês é para todos que a apreciam. Façam seus pedidos. Deus pode atendê-los. Ou, se não acreditarem no Criador, pensem no que de bom Vocês possuem dentro de si próprios ou de si mesmas, de forma que essas qualidades supinas lhes ressurjam com maior intensidade.

Para os Irmãos ateus existe a meditação, que se compara ao ato da prece. Não se deve perder a oportunidade de fortificar a Alma, no que seja benéfico à Criatura Humana, por questões de diferença de opinião religiosa, ideológica, cultural etc. As leis físicas, que regem a sobrevivência do corpo, são iguais para crentes e descrentes. Trata-se de uma verdade ecumênica científica palmar.

Prece de Voltaire*11
Não é mais aos homens que me dirijo — é a Ti, ó Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todas as épocas! Se for permitido a fracas criaturas perdidas na imensidade e imperceptíveis ao resto do Universo ousar suplicar-Te alguma coisa, a Ti que tudo deste, a Ti cujos decretos são imutáveis e eternos, digna-Te a olhar com piedade os erros ligados à nossa natureza; que esses erros não constituam calamidades. Tu não nos deste coração para nos odiar nem mão para nos estrangular; faze com que nos ajudemos mutuamente a carregar o fardo de uma vida penosa e passageira; que as insignificantes diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos corpos, entre nossas línguas insuficientes, entre todos nossos hábitos ridículos, entre todas nossas leis imperfeitas, entre todas as nossas condições tão desproporcionadas a nossos olhos e tão iguais diante de Ti; que esses pequenos matizes que distinguem os átomos chamados homens não sejam sinais de ódio e de perseguição. Possam todos lembrar que são Irmãos! Se as desgraças das guerras são inevitáveis, não nos odiemos, não nos destruamos uns aos outros no seio da paz e empreguemos o instante de nossa existência a louvar igualmente em mil idiomas diversos, desde o Sião até a Califórnia, Tua Bondade, que, Senhor, nos permitiu esse momento.

Orar = Meditar
No livro Somos todos Profetas*12, afirmei que estamos corpo, mas somos Espírito. Orar tem similitude com meditar, repito. Podemos dizer que, se o que tem Fé reza, o descrente reflete. Ser humilde perante a Verdade é conduta das pessoas de bem, e estas se encontram entre religiosos e ateus.

O Profeta Muhammad*13— “Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele!”, na 10 a Surata, versículo 5 o , do Alcorão Sagrado, traz-nos importante revelação sobre o ato de meditar:

— “(...) Deus não criou tudo senão com a verdade. Ele detalha as revelações para os que meditam”.

O instrumental da Solidariedade
A nossa ferramenta, portanto, para erigir o Cidadão Ecumênico (religioso ou não) é algo de que não podemos prescindir: o espírito universalista, cujo instrumental seja a Solidariedade, iluminando mentes e sentimentos. Habitamos uma única e imensa morada, a Terra. Se não marcharmos na direção do entendimento, onde haveremos de residir se a loucura do egoísmo e da ganância não for afastada dos nossos caminhos, neste planeta em novos tempos de globalização? Sociedade mundializada, satisfações ou males no mesmo grau. É matemático.

Que espécie de paz desejamos?”
No início da década de 1990, em uma série que fiz para rádio e TV, denominada O Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, comentei que o Presidente John Fitzgerald Kennedy*14 (1917-1963), dos Estados Unidos, já pressentira tal panorama insensato provocado pelo desprezo ao nosso orbe, como se pode inferir de seu discurso proferido em 10 de junho de 1963, em Washington, D.C.:

— “(...) Não sejamos, pois, cegos quanto a nossas diferenças, mas dirijamos também a atenção para nossos interesses comuns e para os meios pelos quais as diferenças possam ser resolvidas. Se não pudermos, agora, pôr paradeiro a elas, poderemos, pelo menos, auxiliar a proporcionar segurança ao mundo — não obstante nossas dificuldades —, pois, em última análise, nosso elo comum e básico está em todos nós habitarmos este planeta. Respiramos todos o mesmo ar. Todos nós acarinhamos o futuro de nossos filhos. E todos nós somos mortais (...)”.

Oswaldo Aranha, a ONU e a Paz
Em 1947, o Diplomata brasileiro Oswaldo Aranha*15 (1894-1960) foi nomeado Presidente da Segunda Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Anteriormente ocupou, entre outros, os cargos de Embaixador do Brasil em Washington e de Ministro das Relações Exteriores. O biógrafo Francisco Talaia O’Donnell, em seu livro Oswaldo Aranha, relata:

— “Discursando na ONU, ao tomar posse da presidência, em 16 de setembro de 1947, Oswaldo Aranha mais uma vez aproveitava a oportunidade para transmitir ao mundo a semente de seus ideais:

“‘O mundo totalitário ruiu porque quis afrontar a liberdade da consciência humana. As conquistas espirituais não são passíveis de ser alteradas pela força’.

Pregando a Paz aos povos do mundo, que foi o incansável apostolado de sua vida, afirmava:

“‘Aqui se ensina, se doutrina e sobremodo se crê e aprendem os povos a conhecerem-se e a confiarem-se uns nos outros e todos na necessidade de um destino comum e fraternal (...)’”.

A riqueza de um país é o seu povo

Abro parênteses — na minha palestra ao corpo docente do Instituto de Educação da Legião da Boa Vontade — para transcrever uma observação esclarecedora, que integra meu artigo “O Dinamismo da Paz”, o qual dediquei, em agosto de 2000, aos participantes da Conferência de Cúpula da Paz Mundial para o Milênio, realizada na sede da ONU, em Nova York:

(...) Sempre que Você ler em meus escritos ou ouvir em meus improvisos a palavra “Ecumenismo”, por favor, considere o aspecto original do termo. De acordo com sua etimologia, “ecumênico” (do grego oikoumenikós) significa “de escopo ou aplicabilidade mundial; universal”. Utilizamos esse termo em abundância porque não haverá verdadeira Paz mundial enquanto ela não for estendida a todos os habitantes da Terra. A paz dos separados é permanente convocação para novos conflitos.

IV Conferência da Mulher em Beijing
No meu artigo “Não há mundo sem a China”, publicado na revista International Business and Management, em 1987, e reproduzido para os participantes da IV Conferência sobre a Mulher, realizada em Beijing, em setembro de 1995, escrevi: O caminho da Legião da Boa Vontade, LBV, é a Paz. Chega de guerras! A brutalidade é a lei dos irracionais, não do Ser Humano, que se considera superior. Pregamos a valorização da Criatura, que é a riqueza de um país. A fortuna da China são os chineses, como a do Brasil e a das demais nações é o seu povo. (...)

O Buda e a Porção Solidária
Voltemos, então, às considerações com que me expressei ao corpo de educadores dos centros de ensino da LBV:

Por isso, na Legião da Boa Vontade cultivamos a Parte Divina, isto é, sublime, que existe em todos os indivíduos, esperando ser despertada para demonstrar sua eficácia no Bem, fração luminosa que cada um traz dentro de si, ao largo de crenças ou descrenças. A Misericórdia, a Compaixão, a Justiça — aliadas à Fraternidade — e outros nobres sentimentos são manifestações desse componente superior do nosso caráter. Expliquei tal conceito na oportunidade em que me dirigi, de improviso, aos presentes ao VII Congresso Mundial da Mulher Legionária, realizado em Vitória/ES, Brasil, em 7 e 8 de maio de 1982: Tudo o que de bom existe no marido ou na esposa, no noivo ou na noiva, no namorado ou na namorada, no pai ou na mãe, no filho ou na filha é o que podemos chamar de Parte Divina, ou Porção Solidária, que cada criatura do Criador, sabendo ou não sabendo, possui. As pessoas infelizes são as que não procuram tal poder fulgurando nelas mesmas e nos seus semelhantes. Quando vamos ao encontro dessa Nobre Parcela, tanto em nós quanto nos outros, deparamos com a felicidade verdadeira. A partir do momento em que Você alcança a Partícula Divina que habita em si própria, ou em si mesmo, adquire o privilégio de identificá-la nos demais.

Paulo Apóstolo proclamava, em sua Primeira Epístola aos Coríntios, 3:16:

— “Vós sois o Templo do Deus Vivo”.

O Buda*16 (563-483 a.C.) afirmava serem as criaturas, assim como todas as coisas neste orbe, constituídas de uma única essência, diferindo-se apenas umas das outras segundo as formas que adquirem, em virtude das influências exercidas sobre elas. Consequentemente, no caso dos Seres Humanos, seus atos os caracterizam. Por isso mesmo, em sua grande jornada, o criador do Budismo não se cansava de apontar as boas ações como um dos elevados caminhos para a iluminação:

Não façais pouco caso do mal, dizendo: ‘Ele não recairá sobre mim’. A água, embora caindo gota a gota, acaba por encher o vaso; o mal, embora praticado pouco a pouco, acaba por encher a Alma do transgressor.

Quando um homem, depois de uma longa jornada, retorna são e salvo, parentes e amigos festejam com júbilo sua volta. Assim ocorre, quando aquele que fez o Bem passa deste para outro mundo, os méritos que conquistou na vida dão-lhe as boas-vindas, como parentes dão as boas-vindas a um ser amado que volta”.

O Ecumenismo das Almas
Pregamos o Ecumenismo Irrestrito, ou Ecumenismo das Almas, ou Ecumenismo dos Sentimentos Fraternos (que a tudo transcende), porquanto constitui a projeção mais elevada da Esperança dos que anseiam unir-se no soerguer de uma era feliz para os povos. Um dia, a Ciência, que com tanto progresso tem favorecido as nações, chegará à compreensão definitiva daquilo que já percebem os místicos universalistas: somos um.

(E, aqui, um pequeno lembrete: a razão científica, no tocante à mesma procedência do Ser Humano, deu importante passo. Assinalei isso no artigo que redigi para a antiga revista Manchete, de 8 de julho de 2000, “Genoma, Ética e Fraternidade”, a respeito do mapeamento do genoma humano e sua sequência descoberta pela primeira vez na História.)

Saudade?! Só do futuro!
E é por conquistas como essa e pela evolução humana, em diversos campos do pensamento, ainda por ser alcançada que sempre afirmei e fiz publicar em meu livro Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade, na década de 1980: Saudade?! Tenho-a do futuro!

Realmente, saudade só do futuro! É preciso olhar para a frente, com decisão e certeza de épocas melhores. Quanto ao passado, ele contribui, como ensino valioso, para que não incorramos em idênticos equívocos, de acordo com a advertência de Cícero*17 (106-43 a.C.):

— “A História é a Mestra da Vida”.

Apesar das lições da Mestra, não há como negar que ela possui alguns maus alunos.

Gradações do Ecumenismo

Neste ponto, aproveito para destacar mais este trecho de minha publicação Paz para o Milênio, editada para a Conferência de Cúpula da Paz Mundial para o Milênio, realizada também em 2000 na Organização das Nações Unidas:

Ecumenismo — Educação aberta à Paz
Quando falamos em Ecumenismo, queremos dizer Universalismo, Fraternidade sem fronteiras, Solidariedade internacional, pois entendemos a Humanidade como uma família. Muitos, todavia, poderão pensar apenas em Ecumenismo Religioso*18 — pelo qual tanto se bateu o pensador e ativista brasileiro Alziro Zarur, com sua pioneira Cruzada de Religiões Irmanadas —, que já constitui um enorme passo para a civilização, necessitada urgentemente de Paz.

Entretanto, em todos os campos, o Ecumenismo suplica ser praticado, como o demonstra a Legião da Boa Vontade, com a abrangência de suas ações em todos os setores da vida humana:

Ecumenismo na Educação
Ecumenismo na Comunicação
Ecumenismo na Política
Ecumenismo na Ciência
Ecumenismo na Arte
Ecumenismo na Filantropia
Ecumenismo na Economia
Ecumenismo no Direito
Ecumenismo na Filosofia
Ecumenismo no Esporte, e assim por diante.

É importante ainda destacar o Ecumenismo Racial ou Étnico; o Ecumenismo de Classe, o Ecumenismo que permeia as Nacionalidades, o Ecumenismo Cultural, enfim, porquanto não se pode perder uma vírgula que seja do conhecimento e da Fraternidade que os povos, a duras penas, conquistaram. A contribuição à sobrevivência planetária deve partir de todos os pontos, de homens e mulheres, tribos e nações da Terra e do Céu da Terra, porque existe vida no Mundo Espiritual, como a criteriosa Ciência um dia provará, pois os mortos não morrem.

Por isso apregoo o Ecumenismo Irrestrito e o Total*19. Este último propõe a aliança das Duas Humanidades, como preconizava Alziro Zarur:

— “O segredo do governo dos povos é unir a Humanidade da Terra à Humanidade do Céu”.

Trata-se, portanto, de uma desafiante empreitada, a ser vencida com denodo, Razão e Fé.

Suplantar a intolerância
Todas as animosidades que costumam dividir, segregar os Seres Humanos em grupos intolerantes, se opõem ao Ideal Ecumênico, portanto, promovem a intransigência, contribuem para a manutenção desse estado de tensões múltiplas que vão empurrando o mundo na direção de um conflito indescritível que ninguém, em sã consciência, pode desejar.

Vemos o Ecumenismo Irrestrito e o Total como expressões máximas do Amor e da Justiça, o eixo de gravidade de uma sociedade sadia. É o estado natural e o querer espontâneo de toda criatura quando espiritualmente integrada ao Criador, ou ao verdadeiro sentido de humanidade, e bandeira dos que, religiosos ou não, labutam por uma convivência planetária melhor. O Ecumenismo pregado pela LBV não impõe nada a ninguém, a não ser suscitar o convite para o entendimento lógico entre gente civilizada.

O Profeta Muhammad, Virtude e Piedade
Agindo assim, como acabamos de ver na transcrição de uma passagem de “Dinamismo da Paz”, estaremos contemplando um desejo divino revelado pelo Profeta Muhammad:

— “Auxiliai-vos na virtude e na piedade”.

Virtude e piedade: duas pilastras essenciais ao sentimento humano, conceito sublime que, um dia, será incorporado à ação política das nações, antes que não reste espaço algum para qualquer providência salvadora. (...) Nos tempos correntes encontram-se flagrantes resultados do efeito estufa, que foram desmentidos ao extremo, anos seguidos, por muitos daqueles aos quais interesses subalternos suplantavam o próprio instinto de sobrevivência, a ponto de se terem esquecido do efeito Arrhenius, resultante do progresso sem preocupações ecológicas e do uso indiscriminado do carvão na sensível atmosfera terráquea. Eis que o perigoso abuso já tem mais de 200 anos, a idade da era industrial, consoante escrevi em Epístola Constitucional do Terceiro Milênio, cuja primeira edição foi impressa em 1988.

O Ecumenismo que se comove com a dor

A Humanidade é uma família. E não existe uma só em que todos os filhos tenham idêntico comportamento. Cada um é um cosmos independente, mas não significa dizer que esses “corpos celestes” tenham de esbarrar uns nos outros. Seria o caos.

Precisamos, por isso, viver o Ecumenismo Irrestrito, não resumido, portanto, aos cristãos que compõem uma parte dos povos. E mais: Ecumenismo não circunscrito às religiões, todavia aquele que se expande pelos campos da Ciência, da Filosofia, da Política, das categorias sociais, das profissões, dos times de futebol, das etnias, assim por diante, e que se encontra acima da perspectiva de conhecimento que governa a inteligência neste planeta, pois ainda vivemos apenas a expectativa dele, não o Conhecimento no sentido lato, que seria imergir no oceano do Saber Divino; de corpo e Alma, banhar-se no mar luminoso da Sapiência de Deus.

Referimo-nos ao Ecumenismo dos Corações, do sentimento bom, que independe das diferenças comuns da família humana, em que as pessoas raciocinam de acordo com o amadurecimento próprio, com a extensão do seu saber ou da falta dele. Aquele que nos convence a não perder tempo com ódios e contendas estéreis, mas a estender as mãos aos caídos, pois se comove com a dor, tira a camisa para vestir o nu, contribui para o bálsamo curador do que se encontra enfermo, protege os órfãos e as viúvas*20, sabe que a Educação com Espiritualidade Ecumênica é fundamental para o sustentamento de um povo, porque Ecumenismo é Educação aberta à Paz, para o fortalecer de uma nação (não para que domine as outras), portanto o abrigo de um país e a sobrevivência do orbe que nos agasalha como filhos nem sempre bem-
-comportados. Basta lembrar o lamentável fenômeno do aquecimento global, cada vez menos desmentido pelas maiores cabeças pensantes do mundo. (...) Os vanguardeiros — ecólogos, políticos e cientistas de ponta — já procuram soluções práticas para conter a poluição, que nos envenena desde o útero materno.

Nunca como agora se fez tão indispensável unir os esforços de ambientalistas e seus detratores, como também trabalhadores, empresários, o pessoal da mídia, sindicalistas, militares, advogados, cientistas, religiosos, céticos, ateus, filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas, esportistas, professores, médicos, estudantes, donas de casa, chefes de família, barbeiros, taxistas, varredores de rua e demais segmentos da sociedade, na luta por um Brasil melhor e uma Humanidade mais feliz. Esse Ecumenismo, derrubando barreiras, promove a troca de experiências que instigam a criatividade global, corroborando o valor da cooperação sócio-humanitária das parcerias, como, por exemplo, nas cooperativas populares em que as mulheres têm grande desempenho, destacando o fato de que são frontalmente contra o desperdício. Há muito que aprender uns com os outros. Um roteiro diverso, comprovadamente, é o da violência, da brutalidade, das guerras, que invadiram os lares em todo o orbe. Resumindo: cada vez que suplantarmos arrogância e preconceito, existirá sempre o que absorver de justo e bom com os componentes desta ampla “Arca de Noé”, que é o mundo globalizado de hoje. Daí preconizarmos a união de todos pelo Bem de todos, porquanto compartilhamos uma única morada, o planeta Terra, cujos abusos de seus habitantes vêm exigindo providência imperativa: ou integra ou desintegra (...), razão por que devemos trabalhar estrategicamente em parcerias que promovam prosperidade efetiva para as massas populares.

Num improviso que fiz na cidade do Rio de Janeiro/RJ, em 20 de junho de 1987, no sugestivo auditório do Ecumenismo Total, da antiga sede da LBV na capital fluminense, ressaltei que não se erige uma pátria melhor e um povo mais feliz fazendo coleção de seus defeitos, todavia catalisando seus acertos. É um verdadeiro suicídio querer compatibilizar os homens por aquilo que têm de condenável. A conciliação tem de ser feita por cima: por suas virtudes e qualidades eternas. Um país progride na razão direta do talento e da pertinácia de seus filhos (...). O mesmo ocorre em âmbito planetário.

Anatole e Caridade
Enfim, o Ecumenismo da Caridade, Estratégia de Deus à sobrevivência dos povos, benéfica atitude explicitada também pelo criticíssimo Anatole France*21 (1844-1924), que citei em As Profecias sem Mistério (Ed. Elevação, 84 a edição):*22

— “A verdadeira caridade é o dom das obras de cada um para todos, é a bondade, é o gesto harmonioso da alma que se transborda como um vaso cheio de nardo precioso e expande-se em dinheiro; o dinheiro que se escoa misturado com o amor e com o pensamento”.

Na publicação Ciência e Fé na Trilha do Equilíbrio, que encaminhei aos participantes do I Fórum Mundial Espírito e Ciência (FMEC), da Legião da Boa Vontade, ocorrido de 18 a 21 de outubro de 2000, no Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF, tive o ensejo de lhes oferecer à leitura um belíssimo poema de Sam Levenson (1911-1980) “Time Tested Beauty Tips” (Dicas de Beleza à Prova do Tempo), que a atriz belga, consagrada em Hollywood, Audrey Hepburn (1929-1992), em seu último Natal na Terra, leu para seus filhos (Veja boxe na próxima página). Mãe dedicada, procurou expandir seu amor para as crianças do mundo, tornando-se Embaixadora do Unicef*23. Eternizou no papel sua filosofia de viver. A experiência de seu bondoso coração pode servir de modelo a todos.

Ecumenismo das Religiões Irmanadas
A nossa palavra, pois, é a do Ecumenismo das Reli­giões Irmanadas, proclamado, vanguardeiramente, no Brasil, por Alziro Zarur, é a do inter-relacionamento religioso da Religião do Bem, o Ecumenismo que coloca a Paz acima das barreiras, ama a todos e constitui o denominador comum que derruba os ódios, ilumina os olhos da criatura e fertiliza seu coração com o Amor, que, no dizer do padre João de Brito*24 (1647-1693), é o “sublime impulso de Deus, energia que move os mundos”, que está em toda parte e é tudo.

Em 2 de novembro de 1979, numa palestra realizada na antiga Sede do Núcleo da Legião da Boa Vontade, na cidade de Niterói/RJ, Brasil, logo após o falecimento do filósofo Zarur, encerrei a reunião com estas palavras: O maior sofrimento é a ausência de Amor.

A propósito, escreveu o Yogui Ramacharaka*25 (1862-1932) em Curso Adiantado de Filosofia Yogui*26, valioso presente que recebi de meus saudosos pais, Idalina Cecília de Paiva (1913-1994) e Bruno Simões de Paiva (1911-2000):

— “Os milhares de pedaços de palha que voam pelo ar indicam donde vem vindo o vento, e aonde sopra. A brisa começa a ser sentida; em pouco tempo se tornará mais forte, e depois vem uma ventania que arranca muitas coisas, de que se pensou que foram construídas para séculos. E depois da tempestade construirá o homem coisas melhores — coisas que persistirão. Não vistes os sinais, não sentistes a brisa? Porém, notai-o bem: a transformação final não virá do ódio, da vingança e de outros motivos indignos — ela virá como o resultado de um grande e crescente Amor, de um sentimento que convencerá os homens que são da mesma família, que o sofrimento de um é o sofrimento de todos, que todos são Um só. E então aparecerá a aurora da Idade de Ouro”. (O negrito é nosso.)

O Ecumenismo da Fraternidade será a razão de ser das Criaturas Humanas no transcurso do Terceiro Milênio. Trata-se de uma questão de progresso (e de sobrevivência), no qual acreditaram gerações e gerações que nos antecederam. Se assim não fosse, onde estaríamos nós hoje? Talvez na era da pedra lascada!...

A Política mais inteligente
O Amor não é degradação de corpos nem de mentes, e sim a Força de Deus ou da Sabedoria Superior (ou como pensem os Irmãos ateus) em nós. É a Política mais inteligente que um indivíduo pode conceber. Do contrário, o que virá sobre a Terra será o doloroso inverso, como, por exemplo, esse ecocídio suicida que vemos por aí. É preciso espiritualizar, dentro do Ecumenismo dos Corações, as pessoas. Somente assim, e com perseverança, os diversos segmentos da sociedade passarão a viver em harmonia, demore o tempo que for necessário até que isso venha a ocorrer. Cabe aqui, perfeitamente, este raciocínio profundo de Abraão Lincoln*27 (1809-1865), que se encontrava exposto no gabinete de Alziro Zarur, na antiga Rádio Mundial, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil, naquele tempo, de 1956 a 1966, a Emissora da Boa Vontade:

—“O homem que se decide a parar até que as coisas melhorem, verificará, mais tarde, que aquele que não parou e colaborou com o tempo estará tão adiante que jamais poderá ser alcançado”.

Costumo afirmar em minhas palestras que, se é difícil, comecemos já, ontem!, porque resta muito a ser feito.

E quando digo Seres espiritualizados, quero reiterar: revestidos do Amor Fraterno, que a Humanidade precisa viver, também politicamente, com urgência. Como escreveu José Bonifácio*28 (1763-1838), o patriarca da Independência brasileira:

— “A sã Política é filha da Moral e da Razão”.

Assim é a ação religiosa e política do Ecumenismo dos Corações, aquele que levanta o caído; que não se precipita ante as ilusões das contendas filosóficas, quando estas ocorrem apenas pelo prazer de discutir assuntos transcendentais, sem levar em conta o que padece à beira do caminho. Ele não se influencia pelas lucubrações do intelecto quando arrogante. Pelo contrário. Ilumina-o incansavelmente toda vez que é convocado a manifestar sua qualidade excelsa. Desconhece os ódios, quer dizer, não os vive nem os dissemina. É Amor Fraterno, que promove a Estratégia da Sobrevivência, que espiritualiza a Economia e a disciplina. (...)

Pastor ressalta origem ecumênica da LBV
Por intermédio da Equipe Solidária da Legião da Boa Vontade da Europa, recebi um raro exemplar do jornal O Cristão, de 31 de janeiro de 1950, da cidade do Rio de Janeiro/RJ, Brasil. Trata-se de um número comemorativo do 58 o aniversário desse órgão oficial da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais e Cristãs do Brasil. Nele encontramos uma reportagem, na página 10, sob o título “O valor da cooperação”, assinada por Salustiano César*29, Ministro Evangélico que documenta o nascimento da Legião da Boa Vontade (LBV), criada por Alziro Zarur em 1 o de janeiro de 1950. Abaixo, para registro histórico, apresento alguns trechos:

O Valor da Cooperação
... Nós somos cooperadores de Deus... (Apóstolo Paulo, I Coríntios, 3:9.)
Há muita coisa na vida cristã que ainda não foi devidamente evidenciada em termos de poder evangélico. A cooperação é uma dessas coisas, cuja compreensão conceitual melhor firmada girará novos rumos para notáveis realizações.
Sentimos necessidade de falar em cooperação, mas não como geralmente se faz, com arranjos de vocábulos enfeitados, com elegância estilística.
Começarei afirmando que o espírito de cooperação entre nós tem gerado e produzido pouquíssimos efeitos em todos os planos de nossa denominação. O que tem faltado não é o sentimento cooperativista. Este existe muito latente nos corações, porém sem educação, sem planificação, sem direção. (...)
O valor da cooperação é inegável na existência de empreendimentos os mais dignos de renome. (...)
Na sociedade hodierna encontramos fatos que constituem verdadeiros reptos ao povo cristão. No dia 7 de janeiro corrente, especialmente convidado como Ministro Protestante, participei de uma interessantíssima quão surpreendente reunião no edifício da Associação Brasileira de Imprensa, onde o espírito colaborativo, numa forma toda providencial, se caracterizou pela representação em conjunto de pessoas de diferentes credos e correntes filosóficas. Nossa palavra baseada em Romanos, 12, foi ouvida com extraordinários aplausos, ao lado dos oradores: Israelita, Positivista, Esoterista, Espírita, Católico Romano, (Livre-pensador). Muitíssimo impressionante foi essa solenidade pelo objetivo culminante de congregar as ‘pessoas de Boa Vontade’ em favor dos que ficaram à margem da vida. Com este objetivo, foi organizada a ‘Legião da Boa Vontade’, que atenderá ‘sem preconceitos’ a todos os que sofrem nos seus leitos de dor, em suas casas ou emparedados nos hospitais. (O negrito é nosso.)
Que lição esta que vem de Deus! (...)
Vamos agir no espírito da Palavra de Deus que diz:
“‘Amai-vos cordialmente uns aos outros, com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.
“‘Não sejais vagarosos no cuidado: sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor:
“‘Comunicai com os Santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade’”.

O sentido de Religiosidade
Voltemos, agora, à transcrição de minha palavra ao corpo docente do Instituto de Educação da LBV, em fevereiro de 2000:

Nossa posição quanto ao desenvolvimento da religiosidade — não de “religiosismos”*30, que, em geral, terminam em conflito — visa à sublimação desse sentimento fraterno, que não se coloca como concorrente das religiões nem se apresenta como um travo na garganta dos que — por sustentarem critério ideológico cético ou deplorarem a trágica história de certos conflitos religiosos do passado e até do presente — consideram o ensino religioso um retrocesso (...). Entretanto, conforme escrevi em um artigo para a Folha de S.Paulo, de 9 de agosto de 1987, e posteriormente, em meu livro Mãezinha, deixe-me viver, de 1989, não se pode eternamente impedir a manifestação daquilo que nasce com o indivíduo, mesmo quando ateu: o sentido de religiosidade, que se expressa das mais variadas formas altruísticas. Antes que fatalmente a Ciência conclua em laboratório a perenidade da Vida, cumpre à Religião não temer falar sobre a existência do Espírito após a “morte” do corpo físico com maior objetividade e pesquisar decididamente o Mundo Invisível ativo.

(...) O Cidadão Ecumênico é aquele que compreende a necessidade de superar obstáculos que separam multidões, porque estas não cultuem o mesmo pensamento religioso, político, social ou não pertençam à mesma cultura ou etnia. É o que junta forças para diminuir a avassaladora carência de comunidades ou de uma única pessoa que seja, sem se preocupar com sua cor, sexo, religião, ideologia, e assim por diante. (...)

(Há de existir um caminho que não leve a Terra à destruição pelas armas ou pelo criminoso descaso com suas populações ou com ela mesma.)

O alvo de nossa faina é a sobrevivência, com Espiritualidade Ecumênica, das populações nesta época de globalização desalmada. Infelizmente, desde o pretérito tem sido desse jeito. O Império Romano foi uma globalização feroz, a ferro e fogo. Mais do que nunca, a de hoje é, acima de tudo, conduzida pelo domínio mental das multidões, por causa da massificação, fomentada pela mídia. (...)

Se destruirmos o planeta, para onde fugiremos?
O Pai Celestial — ou Energia Ultrainteligente, que tem conseguido manter a Humanidade subsistindo às loucuras com que muitos vêm pontean­do a História — espera que aprendamos a viver pacificamente em comunidade planetária. Só existe uma raça: a Raça Universal dos Filhos de Deus. Contudo, quando me reporto ao Pai Celestial, não estou discorrendo sobre o deus antropomórfico, portanto criado à imagem e semelhança do indivíduo imperfeito, responsável por tantos dramas neste mundo, pois que, ao mesmo tempo que promove o progresso, destrói o planeta*31. Refiro-me, na verdade, ao Deus Divino, com muita sensatez descrito por Alziro Zarur, no poema que transcrevo mais adiante. O Ser Humano civilizado ainda precisa civilizar-se, a ponto de compreender que, acima da ganância, deve tratar de não destruir nossa morada coletiva. Perguntemos, para argumentar: se ocorrer alguma coisa com a Terra, fugiremos para onde?

(Não vale mais a desculpa
Aqui, abro parênteses para dizer o seguinte:

A situação é tão grave que especialistas das mais diversas áreas científicas têm redobrado esforços para que providências sejam urgentemente tomadas, como informou a agência Reuters, em 7 de junho de 2005:

Homem seria a causa do aquecimento global
Cientistas de 11 países, entre eles Estados Unidos, China e Brasil, assinaram um comunicado conjunto hoje para declarar que a humanidade é a maior fonte do aquecimento global e que o assunto exige providências imediatas. A declaração foi divulgada a um mês da cúpula do Grupo dos Oito (G8).

(...) O aquecimento global estará no topo da agenda da cúpula, que acontece em julho (2005) na Escócia. (...)

“‘Está claro que os líderes mundiais, incluindo o G8, não podem mais usar a incerteza sobre aspectos da alteração climática como desculpa para não tomar providências urgentes para cortar os gases estufa’, disse Lord May, presidente da academia nacional de ciência da Sociedade Real Britânica”.)

Preparação eficaz
Retornemos, agora, à mensagem dirigida aos educadores da LBV em 2000:

O Espírito tem lugar preponderante na nossa lide. Entretanto, na preparação de jovens e adultos para a subsistência neste mundo material de tecnologia jamais vista — e, paradoxalmente, na atualidade, tão instável para os que labutam pelo futuro próprio —, devemos levar na mais alta consideração que os educandos têm de ser com eficiência qualificados para a exigente demanda do acirrado mercado atual de trabalho. E mais: de tal maneira que não persigam um caminho em que a profissão para a qual se aprontaram não mais exista ao fim do curso. É essencial, pois, receberem formação eficaz para que sejam arrojados, empreendedores, de modo que possam suplantar os fatos supervenientes que a qualquer instante desafiam a sociedade, assustando multidões. (...)

De nada adiantarão, portanto — digamos para argumentar —, planejamentos audaciosos se não houver quem tenha sido devidamente instruído para desenvolvê-los.

Os jovens da Terceira Idade
A situação atual é diversa da do tempo em que outros e eu éramos meninos. Diante disso, nós, os mais vividos, não podemos situar-nos ou ser colocados à margem da conjuntura moderna em virtude de idade.

Se, no passado, se dizia que “a vida começa aos 40”, agora, tendo em vista os grandes avanços da Medicina, pode ter início tranquilamente aos 60. No Brasil, já se costuma afirmar que a Terceira é a melhor idade. De fato, velho é aquele que perdeu o ideal. Não obstante estendida numa cama, uma pessoa, ainda que tenha mais de 50, 60, 70, 80 anos, pode levantar muitos caídos nas lutas diárias. Zarur declarava, em suas pregações radiofônicas, que “uma palavra pode salvar uma vida”. Hoje, mais do que nunca, com o avanço da tecnologia nas áreas de comunicação (celular e internet, por exemplo), até um enfermo pode levantar alguém que sofre, embora esteja a milhares de quilômetros de distância. Nos tempos que correm, a possibilidade de ajudar encontra-se ao alcance de todos. Portanto, que não se perca o bom ideal, porque ele é determinante na idade útil das criaturas. Você é quem decide se é velho ou moço, por mais duras que sejam as condições em que se ache, temporária ou permanentemente. Em minha longa vida dedicada às causas sociais e espirituais da Legião da Boa Vontade, tenho sido testemunha de exemplos inigualáveis vindos de pessoas que, em virtude de lastimosas condições de saúde, poderiam considerar-se desobrigadas de socorrer, com uma palavra que fosse, outras criaturas também necessitadas de atenção. E muitas — surpreendentemente socorridas por quem de nada mais se poderia esperar (no dizer humano), por padecer males tormentosos — se viram na condição de reagir à sua própria dor, tantas vezes encontrando, após o auxílio inesperado, razões para enfrentar seus dramas com decisão, que pensaram ter perdido há muito tempo. Isso é ter a Boa Vontade, a respeito da qual tanto pregou Alziro Zarur:

Boa Vontade e Lei Divina
Quem estuda, com Boa Vontade, as Leis Divinas, que são as leis naturais, sabe por que deve amar ao próximo como a si mesmo: cada Ser Humano é uma parcela do grande organismo chamado Humanidade. Por causa de um órgão doente, todo o organismo sofre. Logo, ninguém será inteiramente feliz enquanto houver um infeliz na face da Terra. Quem faz mal ao seu próximo a si mesmo faz mal. Quem odeia o seu próximo a si mesmo é que odeia. Quem engana o seu próximo a si mesmo é que engana. Quem trai o seu próximo a si mesmo é que trai. Quem rouba o seu próximo a si mesmo é que rouba. Quem mata o seu próximo a si mesmo é que mata. Fora do Bem não há salvação para ninguém!”. (...)

Boa Vontade de Jesus
Nossa Boa Vontade não é, absolutamente, a boa vontade que se vulgarizou nos banquetes das futilidades humanas. A nossa é a Vontade Boa de Nosso Senhor Jesus Cristo, aquela que sabe discernir entre o Bem e o mal, entre a Verdade e o erro, entre o fato e as aparências do fato”. (Os negritos são nossos.)

O generoso celeiro humano
O Ser Humano é celeiro de realizações incessantes. É a verdadeira fortuna da civilização. Não pode permanecer cruelmente explorado, submetido à servidão e ao desprezo. Para ele devem ser criadas condições, por mínimas que sejam, de viver com dignidade, qualquer tempo que haja vivido.

Nós, das Instituições da Boa Vontade, temos, durante todos esses anos, granjeado experiência para, sem falácia e com a Pedagogia do Cidadão Ecumênico — proposta pela LBV —, labutar entre os mais atuantes pugnadores do processo educativo que prepara gerações.

E assim encerrei o pronunciamento com que saudei, em 2000, o corpo docente do Instituto de Educação da Legião da Boa Vontade, cuja sede se encontra na capital do Estado de São Paulo, Brasil.

A escola não substitui o lar
Na sequência desta publicação a respeito de Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, prossigamos explanando sobre tão crucial assunto.

A escola é imprescindível, mas não substitui o lar. O Estado e a sociedade têm de, unidos, gerir soluções para que as famílias criem e eduquem dignamente os seus filhos, conforme publiquei na Folha de S.Paulo, em 27 de julho de 1986.

Tempos mais tarde, anotei esta assertiva do cientista e filósofo judeu-alemão Albert Einstein*32 (1879-1955), naturalizado norte-americano:

— “Nas crianças reside a esperança do mundo”.

Produção sem consumo?
Ainda no Manifesto da Boa Vontade (1991), ponderei:

(...) Nossos empresários devem entender que de nada lhes valerá a modernização das máquinas se não houver homens capazes de administrar-lhes o desempenho. E que é impossível pensar numa civilização de robôs que produzem, mas não consomem.

Formar Cérebro e Coração
Esse trecho do citado Manifesto nos faz meditar quanto à perplexidade das populações desoladas diante da ação brutal da injustiça crescente, demonstrando que o refinamento do cérebro — menosprezadas, porém, as claridades do coração bem instruído das grandezas espirituais — torna o Ser Humano como que forçosamente débil para impedir a marcha de um sistema econômico míope (...), que o arrasta a situações de penúria em vastas re­giões do planeta. No entanto, assevera o próprio povo, seguido pelos mais eminentes pensadores do mundo: “Enquanto há Vida, há Esperança”. O caminho mais acertado permanece na área da Educação com Espiritualidade Ecumênica, um passo à frente no Terceiro Milênio, que se aproxima (estávamos em 1991).

Contudo, a insensibilidade de muitos foi a motivação do lamento expresso pelo extraor­dinário líder dos direitos civis, o negro norte-americano, pastor protestante e doutor Martin Luther King Jr.*33 (1929-1968):

— “Ao longo do caminho da História, uma das maiores tragédias do homem tem sido o seu limitado interesse pelo próximo, seja este tribo, raça, classe ou nação”.

Por isso há que se orientar os esforços mundiais, aplicando-os na tarefa de resgate da parcela desfavorecida do planeta, colocando, assim, os valores da sociedade na devida ordem e fazendo a marcha do desenvolvimento econômico dirigir-se em prol da Criatura Humana, porquanto o ser vivente é a geratriz do progresso, a despeito das máquinas. Do contrário, os governos poderão não estar governando para seus povos.

Basilar o ensinamento de Gandhi, o ícone indiano da filosofia da não-violência, que apresento a seguir:

— “Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa às minorias”.

E aí, na indiferença de muitos Seres Humanos para com os demais, reside a sua fraqueza, se nada fizer para mudar o rumo dos fatos, para o que é necessário também que deixe de culpar a Deus e os Seus ensinamentos pelos tropeços que dá. Atualíssima, portanto, esta admoestação de antigo aforismo:

— “Tolo é aquele que afunda seus navios e ainda acusa o mar de culpado”.

Atenção merecida às crianças
Para que isso não venha a ocorrer com muitos infantes que se preparam para a vida, com honra inaugurei, em São Paulo/SP, Brasil, em 25 de janeiro de 1986, data natalícia da colossal cidade sul--americana*34, a Supercreche Jesus, que integra um grande Instituto*35, hoje responsável pela educação diária de mais de 1.200 crianças, jovens e adultos provenientes de famílias de baixa renda.

Meditemos sobre este ensinamento do Profeta Muhammad, no Corão Sagrado:

— “As crianças são os ornamentos da vida neste mundo”.

E a respeito dos pequeninos, a Bíblia Sagrada, no Evangelho do Cristo, segundo Mateus, no capítulo 19, conta:

13 Trouxeram, então, a Jesus algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse. Mas os discípulos as repreendiam.
14 Jesus, porém, lhes disse: Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos Céus.
15 E, tendo-lhes imposto as mãos, para abençoá-los, partiu dali”.

Pedagogia do Amor, do Carinho e do Afeto
Ao entregar o Instituto de Educação da LBV à comunidade, resumi em poucas palavras sua filosofia de trabalho: Aqui se estuda. Formam-se Cérebro e Coração. Trata-se da Pedagogia de Deus, que é Amor, a qual prepara o indivíduo para viver a Cidadania Ecumênica, firmada no exercício pleno da Solidariedade Espiritual, Humana e Social. Daí há tanto tempo afirmar que é urgente difundir a Pedagogia do Amor, do Carinho e do Afeto, tão imprescindíveis ao sustento da Alma e que são medicamentos enérgicos para a cura de enfermidades, a começar pelas psíquicas, que prejudicam a absorção das lições necessárias ao desenvolvimento intelectual dos estudantes. O bom gosto da vida é o aprendizado infinito.

De O Capital de Deus

Aproveito o ensejo para apresentar extratos de meu livro O Capital de Deus*36, no qual abordo alguns comentários que proferi durante improvisos radiofônicos nas décadas de 1980 e 1990:

(...) Sem o proverbial estímulo da Solidariedade ensinada pelo Cristo e pelos luminares das crenças e pensadores de escol, o progresso humano sempre ficará aquém das expectativas do coletivo. Não é à toa que, em toda parte, a sociedade cresce em comércio, indústria, meios de transporte, ciência, arte, esporte etc., mas a confusão permanece. Novos problemas são somados aos antigos, porque o Ser Humano não aprendeu, até agora, a abrir uma vereda dentro de si mesmo para que a Fraternidade Ecumênica alcance o seu coração e a sua mente. Ele precisa, pois, reconhecer que é o precioso Capital de Deus, consoante a definição que lhe faz a Economia Humana e Espiritual da Solidariedade Ecumênica, componente da Estratégia da Sobrevivência, que há anos venho pregando. Como preceituava Alziro Zarur:

— “O Ser Humano é a Obra Máxima do Criador”.

A Economia deve partir do Espírito
A Economia, da forma que é geralmente entendida e vivenciada, não conseguiu ser o agente primacial do verdadeiro bem-estar do Ser Humano na História — segundo propõem os defensores de muitas vertentes raciona­listas —, porquanto constitui consequência também de outros e infinitamente mais importantes fatores, isto é, os espirituais, considerados, entretanto, até agora, por diversos estudiosos de gabarito, como de ordem subjetiva. Contudo, esses mesmos fatores são, na verdade, os sustentáculos reais, diretos e concretos, da dinâmica da Economia que tenha como intento o bem-estar das civilizações como um todo, porque oriundos da intimidade ética do indivíduo, acima de tudo reconhecido como entidade espiritual, quando consciente de que foi criado à imagem e semelhança de Deus — não do deus antropomórfico, porém do Deus Celeste, cantado por Zarur no seu inigualável:

Certo estava Shakespeare*37 (1564-1616) quando colocou na boca de Hamlet esta reflexão:

— “Há no Céu e na Terra, Horácio, bem mais coisas do que jamais sonhou vossa filosofia”.

Última entrevista de Ibrahim Sued
Em 1995, o antigo e respeitado colunista social brasileiro Ibrahim Sued*38 (1924-1995), que por muitos anos escreveu no jornal O Globo, do Rio de Janeiro/RJ, Brasil, generosamente me escolheu para uma entrevista sobre os rumos da Educação no país. Na oportunidade, perguntou-me:

— “Sei que a Legião da Boa Vontade tem uma linha pedagógica inovadora. Qual é a fórmula da LBV para resolver o problema da Educação no Brasil?”.

Respondi ao velho Ibrahim com estas palavras:

Antes de tudo, aplicar o nem sempre devidamente valorizado Amor, na definição de Laura, mãe do enfermeiro Lísias, personagens do livro Nosso Lar, de autoria do Dr. André Luiz*39, na psicografia de Chico Xavier (1910-2002):

— “O Divino Pão das Almas, o Alimento Sublime dos Corações”.

Amor versus conivência
Ora, meu caro Ibrahim, o que mais por aí se vê é o resultado da carência dele. Nada mais pedagógico do que o Amor Fraterno, conquanto enérgico e justo. Naturalmente, o Amor não pode ser confundido com conivência no erro, pois existem aqueles que consideram que amar é concordar em tudo, não importando que esteja errado. Amar é justamente o contrário, mas sabendo-se, com generosidade, corrigir a pessoa em seu equívoco, mesmo que com ponderado rigor. (...)

Contudo, onde começa a real Educação? (...) Na Pedagogia da Legião da Boa Vontade, que prega a Sociedade Fraterna e Solidária, visamos formar o Cidadão Ecumênico, ou seja, o Ser Humano que sobressai à mera competência, visto que muita gente tida como tal está levando o mundo a uma situação de calamidade e perigo. O Cidadão Ecumênico é o cidadão solidário, portanto não egoísta. É aquele que não se deixa seduzir pelo fanatismo, porque entende que não faz sentido odiar em nome de Deus, que é Amor. Enfim, é o que sabe respeitar a Sagrada Criatura Humana sem preconceitos e sectarismos. O que é ético não pode acovardar-se. Quando o território não é defendido pelos bons, os maus fazem “justa” a vitória da injustiça. (...)

Miséria não é o destino do Ser Humano
Na verdade, meu caro Ibrahim, o que a LBV propõe é um extenso programa de Reeducação. E é o que vimos realizando dentro de nossas possibilidades, procurando despertar o interesse de tanta gente idealista, que, como nós, não acredita na fatalidade de destinos condenados à desgraça, por questões sociais, políticas, religiosas, étnicas... Além disso, nada se constrói firmado em recalques. (...)

Moisés e o Fiat Lux!

Em meu livro Crônicas e Entrevistas — lançado pela Editora Elevação em dezembro de 2000, por ocasião do Congresso Viva Jesus!, que ocorreu em Belo Horizonte/MG, Brasil —, expressando nosso reiterado clamor por uma sociedade mais justa e orientada por leis da Fraternidade, escrevi que Moisés*40, ao descrever, de forma alegórica, a criação do Céu, da Terra e de tudo o que ela contém, revelou, no Gênesis, 1:3 e 4:

3 E disse Deus: ‘Faça-se a Luz!’. E houve Luz.
4 E viu Deus que era boa a Luz, e fez a separação entre a Luz e as trevas”.

Ora, não pode haver Luminosidade, ou seja, Vida em plenitude humano-espiritual, onde não existir Amor, em seu mais elevado sentido. (...)

Persistindo em manter a consciência afastada desse sentimento sublime e dessa estratégia cósmica, o Ser Humano, religioso ou ateu, corre sério risco de pôr-se (...) em situação danosa para a sua Alma (ou Consciência), razão maior de tantos males que recaem sobre o mundo, porquanto a vivência da Espiritualidade Ecumênica, isto é, do Bem, é motivo de saúde mental e social para o Cidadão Planetário, de acordo com o que afirmei na pregação do Evangelho de Jesus para os Simples de Coração, ainda na década de 1970.

Disso podemos inferir que o glorioso Fiat Lux!, revelado pelo chefe e legislador hebreu, poderia, em seu fulgor, ser interpretado com estas palavras:

Faça-se do Amor Fraterno a Lei Suprema dos cidadãos e dos povos (Fiat Lux!).

(Agora, se os homens têm ou não seguido o ensinamento, depende deles... No entanto, é hora de corrigir o rumo, porque o perigo está às portas. A violência campeia. E Religião é para confraternizar.)

Direitos Humanos e o tráfico humano de mulheres e de crianças
A Fraternidade é, pois, uma urgente providência a antepor--se ao darwinismo social*41, ampliado pela globalização desprovida de caracteres solidários: a sobrevivência, nua e crua, do mais forte — desvio provocado por uma leitura sociológica equivocada da teoria científica evolucionista do ainda tão discutido e famoso naturalista inglês Charles Darwin*42 (1809-1882).

(Ora, o Ser Humano não pode ser reduzido aos ímpetos incontidos de um animal irracional e, dessa forma, classificado segundo impulsos que levam a aberrações, como o tráfico humano de meninas, meninos e mulheres, conforme o dossiê distribuído em diversos idiomas pela Agenzia Fides, do Vaticano, As Novas Escravaturas do Século 21 — O terrível drama de milhares de mulheres tratadas como “mercadoria” de um comércio muito lucrativo, que, por sua importância e extensão, foi publicado em várias partes, em agosto de 2004. A seguir, uma pequena amostra da gravidade do problema:

Cidade do Vaticano (Agência Fides) — (...) Nas últimas duas décadas a prostituição e o tráfico de pessoas com fins de exploração sexual têm alcançado magnitudes alarmantes em todo o mundo. Alguns dados nos dão uma ideia da gravidade do problema. (...) As Nações Unidas, em seu relatório de setembro de 2000, calcula em 4 milhões o número de mulheres que são vendidas a cada ano, com um desses fins: prostituição, escravidão ou casamento; e em 2 milhões o número de meninas entre 5 e 15 anos que são inseridas no comércio sexual”.)

A procura de equilíbrio
Agora, mais do que nunca, torna-se imprescindível a vivência do Amor Solidário Divino, porque ele é o único capaz de afastar da Terra as trevas do crime, da miséria e da dor quando compreendido e desempenhado em todo o seu poder compassivo, justo e, por­tanto, eficaz, não somente pela Religião, mas também pe­la Política, pela Ciência, pela Economia, pela Arte, pelo Esporte, pelos relacionamentos internacionais, pelo trabalhador mais simples e pelo mais projetado homem público. Na verdade, o Ser Humano, sabendo ou não, procura instintivamente o equilíbrio, que só pode advir do exercício da Fraternidade, a grande esquecida — como lamentava Dom João Bosco*43 (1815-1888) — da trilogia da Revolução Francesa (Liberté, Égalité, Fraternité), tanto que sua posição é a final do lema reformista, quando deveria ocupar a vanguarda deste. Por isso deu no que deu, com tanta gente guilhotinada. (...)

Não foi sem motivo que Victor Hugo*44 (1802-1885) declarou:

— “Sem Fraternidade não pode haver Paz”.

Só se constrói a Paz com tolerância
O inspirado vate francês está corretíssimo. Portanto, não abdiquemos das medidas práticas para a edificação dessa nova e fraterna sociedade, pois, como revela o Espírito Dr. Bezerra de Menezes (1831-1900), pela psicografia de Chico Periotto*45:

— “A Paz, a tão desejada Paz, é o sonho de todos, do Mundo Espiritual e da Terra. Apenas se constrói a Paz com tolerância. É impossível acreditarmos que o caminho da guerra, do ódio e da violência possa gerar Paz verdadeira. Mas o mundo trilha caminhos inesperados. Logo, é realmente importante exercitarmos o caminho do Ecumenismo e da confraternização entre os países”.

Transformar dor em vitória
Não duvidemos de nossa capacidade, como Seres Humanos e Espirituais, de alcançar o hoje considerado insuperável. Temos muito mais aptidão para sobrepujar problemas, por maiores que os julguemos, segundo adverte o médico, psicólogo, filósofo e escritor norte-americano William James*46 (1842-1910):

— “A maioria das pessoas vive física, intelectual ou moralmente num círculo muito restrito do seu potencial. Faz uso de uma parte muito pequena da sua possível consciência e dos recursos da sua alma em geral, assim como um homem... que se habitua a usar e a mover somente o seu dedo mínimo. Grandes emergências e crises nos mostram como os nossos recursos vitais são muito maiores do que supúnhamos”.

Diante disso, se as dificuldades são maiores, superiores serão os nossos talentos para suplantá-las. Se desse modo não fosse, onde estaríamos hoje caso os que nos antecederam, pelos séculos, se acovardassem? A pior tragédia é desistir por causa das adversidades do mundo. É falhar, portanto, com aqueles que confiam em nós. Os que vieram antes — com o combustível da Fé — sublimaram dor em vitória.

Ensino eficaz para libertar os povos
Se é árduo erigirmos a verdadeira Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, então comecemos ontem!

Como já lhes afirmei, a Esperança não morre nunca. Em Crônicas e Entrevistas expressei-me a respeito dela, que deve, apesar de todos os invernos dos corações, aquecer as Almas. Dizia que, certamente, semelhante expectativa ainda sustenta os corações de muitas crianças angolanas. Um diplomata, conhecido do meu companheiro de ideal ecumênico José Santiago Naud, cofundador da Universidade de Brasília (UnB), pôde apreciá-las em sua alegria inocente, apesar da guerra*47 que ensanguenta a pátria de Agostinho Neto (1922-1979) há mais de vinte anos. Conta o erudito educador:

— “Disse-me o amigo de torna-viagem que no interior, perto de Luanda, em Angola, viu comovido certa vez o grupo de uma centena delas, cantando em torno do seu malpago professor, que dançava: ‘Se eu pudesse, voava/ao encontro da paz,/abandonava essa guerra,/ficava ao lado da Paz’”.

A orfandade dos educadores
Essa comovente narrativa do professor Naud, que acabo de transcrever, me traz à lembrança um trecho de outro livro meu, Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade, na época da dicotomia comunismo–capitalismo: Na verdade, falta um tratamento digno aos professores, que são órfãos de um sistema econômico desumano, que vigora em várias regiões do mundo. Para argumentar, podemos dizer que — onde lhes são permitidas melhores condições de existência material — lhes é negado o direito de pensar e sentir e — onde não lhes é vedada a ação de pensar — não lhes é concedido sobreviver decentemente...

Sociedade Solidária Altruística Ecumênica — Conclusão
Eis aí: gente educada, instruída e espiritualizada ecumenicamente é povo que rebenta os grilhões da miséria e os lança fora. Por isso há tanto tempo dizemos que, enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de bom senso almejado, qualquer nação padecerá cativa das limitações que a si mesma se impõe.

Para a construção de uma Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, precisamos ter Educação e Cultura, mas também muita Espiritualidade Ecumênica. Sem fanatismo, é claro!

Dom Bosco instruía seus discípulos acerca da Fraternidade como pilastra do ensino:

— “Recordai-vos de que educar é uma coisa do coração”.

E Alziro Zarur, o Fundador da Legião da Boa Vontade, magistralmente advertia que:

— “A vibração do ódio destrói o corpo humano, que foi feito para vibrar na Lei do Amor”.

Portanto, cuida do Espírito, reforma o Ser Humano. E tudo se transformará.

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*1 Este pensamento de Paiva Netto se encontra no seu livro Sabedoria de Vida, 2 a ed., 2001, p. 100, publicado pela Editora Elevação.
*2 Leia verbete na página 50.
*3 Leia verbete na página 50.
*4 Leia verbete na página 50.
*5 Epístola Constitucional do Terceiro Milênio — Trata-se da sugestão de título dada pela Juventude Ecumênica Militante da Boa Vontade de Deus, para a memorável circular escrita por Paiva Netto na madrugada de 18 de julho de 1988 e lançada em livro no dia 7 de setembro daquele mesmo ano por proposição dos moços.
*6 Dessectarizar Jesus — Em 1989, durante entrevista ao produtor de documentários da TV polonesa, então vice-Presidente da Associação Universal de Esperanto, jornalista Roman Dobrzyński, o Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade, José de Paiva Netto, ao ser indagado sobre como podia pregar o Ecumenismo Irrestrito falando em Jesus, repetiu o que já dissera anteriormente aos Legionários da Boa Vontade: “A grande tarefa da Religião de Deus é dessectarizá-Lo, pois Jesus é o Cristo Ecumênico”, e concluiu: “O Divino Mestre não é sectarismo. Ele é o Ideal Celeste de Humanidade, Amor, Solidariedade e Justiça para todos os Seres Humanos e Espirituais. Jesus é uma conquista diária para os que têm sede de Saber, de Fraternidade, de Liberdade e Igualdade, segundo a Lei Universal da Reencarnação. Jesus, em Si mesmo, não constitui fator de rancores e guerras. Pregou, com o Seu Novo Mandamento, o Amor elevado à enésima potência. O que as criaturas terrenas fizeram com a Sua Mensagem é problema delas (...). Revelar o excelso significado do Seu Evangelho e do Seu Apocalipse, sem sectarismos, é um destacado serviço que a Religião de Deus está prestando à sociedade do mundo (...)”. Leia a íntegra da Proclamação do Cristo Estadista no segundo volume das Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, p. 31, ou no site www.boavontade.com.
*7 Leia verbete na página 51.
*8 Pedagogia do Cidadão Ecumênico — Trata-se de um dos segmentos da proposta educacional (formada também pela Pedagogia do Afeto), criada por Paiva Netto, cuja metodologia é aplicada com sucesso na rede de ensino e nos programas socioeducacionais desenvolvidos pela Legião da Boa Vontade, no Brasil e no exterior. “Fundamenta-se nos valores oriundos do Amor Fraterno, trazido à Terra por diversos luminares, destacadamente Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista”, afirmou o criador da proposta, o educador Paiva Netto. A Pedagogia do Afeto destina-se às crianças de até 10 anos de idade, aliando sentimento ao desenvolvimento cognitivo dos pequeninos, de forma que carinho e afeto permeiem todo o conhecimento e os ambientes de suas vidas, incluído o escolar. Na continuidade do processo de aprendizagem, a Pedagogia do Cidadão Ecumênico é direcionada à educação de adolescentes e adultos, dispondo o indivíduo a viver a Cidadania Ecumênica, firmada no exercício pleno da Solidariedade planetária.
*9 Nota do autor — Leia o capítulo “Jesus, o Pão Vivo que desceu do Céu — I”, da 84 a edição de As Profecias sem Mistério, no qual apresento as considerações do cientista francês Dr. Alexis Carrel (1873-1944), Prêmio Nobel de Medicina de 1912 e o estudo “Efeitos da Prece na Saúde”, realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), na capital do Brasil.
* 10 Leia verbete na página 51.
*11 Prece de Voltaire — Esta oração foi apresentada por Paiva Netto durante as transmissões de seu programa pela Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), pela Reeducar — Rede Educação e Futuro de Televisão e pela Super Rede Boa Vontade de Rádio e consta de seu livro Ao Coração de Deus (volume II), lançamento da Editora Elevação.
*12 Somos todos Profetas Best-seller do escritor Paiva Netto, que, com os livros As Profecias sem Mistério e Apocalipse sem Medo, integra a coleção O Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, a qual já vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares.
*13 e 14 Leia verbete na página 52.
*15 Leia verbete na página 52.
*16 Leia verbete na página 53.
*17 Leia verbete na página 54.
*18 Ecumenismo Religioso — Paiva Netto não considera o Ecumenismo limitado apenas às religiões cristãs nem o admite reduzido ao campo religioso. Ora, ecumênico quer dizer universal.
*19 Ecumenismo Irrestrito e Total — Assim Paiva Netto definiu as duas expressões criadas por Alziro Zarur: “O Ecumenismo Irrestrito prega o perfeito relacionamento entre todas as criaturas da Terra. O Ecumenismo Total preconiza a fraterna aliança da Humanidade da Terra com a do Mundo Espiritual Superior e com qualquer civilização que possa haver no Espaço. Por que não?! Todo o Universo está aí para que apenas o fiquemos (à exceção dos astrônomos, pensadores e poetas) ociosamente apreciando?! E olhe lá, quando nos lembramos de erguer os olhos para ele... Seria pretensão de nossa parte admitir a impossibilidade da existência de outras formas de vida no Cosmos. (...) Outro ponto: nem tudo (ou todos) que lá por fora exista tem por obrigação parecer conosco. Quando o Ser Humano isso compreender, estará mais apto a vivenciar as outras duas etapas: Ecumenismo dos Corações e Ecumenismo Divino.
*20 Pois se comove com a dor, tira a camisa para vestir o nu... — Atos de Caridade recomendados por Jesus em Seu Evangelho, particularmente nos relatos de Mateus, 25:35 a 45.
*21 Leia verbete na página 54.
*22 As Profecias sem MistérioUm dos títulos mais vendidos de 1999, segundo o ranking da revista brasileira Veja, foi também sucesso de vendas na XII Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, Brasil, tendo sua 55 a edição esgotada em apenas quatro dias do evento.
*23 Unicef — Fundo das Nações Unidas para a Infância.
*24 Leia verbete na página 54.
*25 Leia verbete na página 54.
*26 Curso Adiantado de Filosofia Yogui — Paiva Netto ganhou esta obra de seus pais quando tinha 7 anos de idade (1948) e começou a lê-la em 1956, aos 15 anos.
*27 e 28 Leia verbetes na página 55.
* 29 Salustiano César — Na revista BOA VONTADE de 1 o de maio de 1956, p. 5, encontramos publicado este registro histórico: “A Cruzada de Religiões Irmanadas teve início a 7 de janeiro de 1950, no Salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), falando sete oradores: Teles da Cruz, católico; Murilo Botelho, esotérico; Leopoldo Machado, espírita; Eugênio Figueiredo, livre-pensador; Reverendo Salustiano César, protestante; Samuel Linderman, judeu; Ascanio de Farias, positivista. Dirigiu a memorável sessão Alziro Zarur, presidente da Legião da Boa Vontade”.
*30 Nota do autor — “Religiosismos” — Desculpem o neologismo.
*31 Promove o progresso, destrói o planeta — Este tema foi abordado no artigo de Paiva Netto “Progresso de destruição”, publicado na Revista LBV n o 25, ano III, abril, maio e junho de 1992, e na Folha de S.Paulo de 29 de junho de 1986.
*32 Leia verbete nas páginas 55.
*33 Leia verbete na página 56.
*34 Colossal cidade sul-americana — São Paulo/SP, Brasil, foi fundada por Manuel da Nóbrega (1517-1570) e José de Anchieta (1534-1597), em 25 de janeiro de 1554. Sua população atual é de aproximadamente 11 milhões de habitantes.
*35 Instituto de Educação da LBV — O autor refere-se ao Instituto de Educação, criado por ele também no aniversário da capital bandeirante (1993), extensão da Supercreche Jesus, fundada em 1986. Os Legionários da Boa Vontade, que são os seguidores da LBV no Brasil e no mundo, batizaram o Instituto com o nome de José de Paiva Netto, em uma merecida homenagem a seu Fundador.
*36 O Capital de Deus — Lançamento da Editora Elevação.
* 37, 38 e 39 Leia verbetes nas páginas 56 e 57.
*40 Leia verbete na página 57.
*41 Darwinismo social — Escola de pensamento surgida no fim do século 19, cujo postulado básico era a aplicação do modelo biológico da evolução das espécies às sociedades humanas, entendendo que sua dinâmica seria dada pela lei da sobrevivência do mais apto na luta pela vida. De caráter racista, essa hipótese foi abandonada depois da Segunda Guerra Mundial, quando seus enunciados foram desmoralizados, perdendo legitimidade científica. Apesar disso, se observarmos bem o planeta, o darwinismo social continua por aí, disfarçado sob vários apelidos.
*42 Leia verbete na página 57.
*43, 44 , 45 e 46 Leia verbetes nas páginas 57 e 58.
*47 Guerra — O presente artigo de Paiva Netto foi publicado, em primeira edição, em 2000, quando Angola sofria os horrores de uma guerra civil que durou 27 anos e destruiu o país depois da independência do domínio português, em 1975.

Apêndice

*2 Aristóteles (384-322 a.C.) — Filho de Nicômaco (médico de Amintas, rei da Macedônia), nasceu em Estagira, colônia grega da Trácia, no litoral setentrional do mar Egeu. Teve como mestre Platão, com o qual estudou por vinte anos. Fundou, em Atenas, sua própria escola, chamada Liceu. Foi o responsável por sistematizar e organizar a história da filosofia grega e pode ser considerado o criador da lógica. Em 343 a.C., foi convidado pelo rei Filipe da Macedônia para sua corte. Tornou-se preceptor do príncipe Alexandre, então um jovem de 13 anos. Isolando-se gradativamente da vida social e política, dedicou-se à investigação científica.

*3 Alziro Zarur (1914-1979) — Nasceu no Rio de Janeiro/RJ, Brasil, no Natal de Jesus de 1914. Jornalista, radialista, escritor e poeta, fundou a Legião da Boa Vontade (LBV), em 1 o de janeiro de 1950, e brilhantemente presidiu-a até a sua passagem para o Plano Espiritual, em 21 de outubro de 1979. Polêmico e carismático, ativista social, de forma popular e inovadora era pregador entusiasta do Evangelho e do Apocalipse de Jesus, mas não “ao pé da letra que mata” (Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios, 3:6), contudo, em Espírito e Verdade, à luz do Novo Mandamento do Cristo Ecumênico (ver página 3 desta publicação). Zarur foi também o Proclamador do Ecumenismo Irrestrito do mundo, tese que já sustentava desde a sua adolescência, quando lançou os fundamentos da Cruzada de Religiões Irmanadas, uma antecipação do relacionamento inter-religioso. Criou, em 1965, o Partido da Boa Vontade (PBV), dando início à Política de Deus. Proclamou, em 7 de outubro de 1973, em Maringá, Estado do Paraná, Brasil, a Religião de Deus, Religião do Amor Universal, Religião do Terceiro Milênio, que definiu assim: “A Religião do Terceiro Milênio, a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, é mais que toda a Religião: é toda a Ciência, é toda a Filosofia, é toda a Política e toda a Moral, todo o progresso humano, unido ao progresso de todos os mundos, de todas as Humanidades Siderais — o Amor Universal na apoteo­se ao Criador Onipotente, Onisciente e Onipresente, o nosso Deus, o nosso Pai!”. Paiva Netto fez afixar essa declaração magnífica de Zarur na parede principal da Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade, em Brasília, capital brasileira. Esse Templo, o mais visitado do país, foi erguido e fundado por Paiva Netto, sucessor de Alziro Zarur, em 21 de outubro de 1989. Zarur proclamou o Novo Mandamento de Jesus, que se encontrava praticamente esquecido na Bíblia Sagrada, demonstrando, entre outras coisas, o seu Sentido Prático e o seu Sentido Oculto.

*4 Mahatma Gandhi — Mohandas Karamchand Gandhi é o nome completo do líder pacifista indiano. O Mahatma, que significa “grande alma”, ficou conhecido por sua liderança pacifista e é, com certeza, a personalidade principal da independência da Índia. Em 1891, formou-se em Direito na Inglaterra e depois voltou à Índia, onde exerceu a profissão. Dois anos depois, iniciou um movimento na África do Sul — àquela altura colônia britânica —, no qual objetivava lutar contra o racismo e pelos direitos dos hindus. Em 1914, voltou a seu país e difundiu seu movimento, cujo método principal era a resistência passiva, pregando a não-violência como forma de luta. Em 1922, foi detido após organizar uma greve contra o aumento de impostos, sendo condenado a seis anos de prisão. Porém, foi libertado em 1924. Em 1930, liderou a marcha para o mar, uma caminhada de 320 quilômetros para protestar contra os preços dos impostos britânicos e a proibição aos indianos de fabricar sal. Por isso, sua iniciativa tornou-se famosa sob o nome de “a Marcha do Sal”. Em 1931, reivindicou a liberdade de seu país na II Conferência da Mesa-Redonda, em Londres. De volta à Índia, em dezembro do mesmo ano, depois de reiniciar sua campanha de libertação, foi novamente preso. Finalmente, em 1947, foi proclamada a independência da Índia. Gandhi trabalhou também para evitar a luta entre muçulmanos e hindus, que estabeleceram um Estado separado, o Paquistão, dividido em duas frações, uma das quais, anos depois, se tornou Bangladesh. Acusado pela divisão territorial da Índia, atraiu o ódio dos nacionalistas hindus. Um deles o assassina a tiros no ano seguinte, quando Gandhi tinha 78 anos. Na época, foi cremado, e mais de um milhão de indianos compareceram ao seu funeral. Parte de suas cinzas foi jogada nas águas sagradas do rio Jumna. Passados 49 anos de sua morte, outra parte de suas cinzas foi lançada, numa cerimônia especial, no rio Ganges, na cidade de Allahabad, local sagrado para os hinduístas.

*7 Voltaire (1694-1778) — Filósofo, escritor e poeta iluminista francês, cujo nome de batismo era François Marie Arouet. Nascido em Paris, tornou-se símbolo da liberdade de pensamento. Aliás, seu espírito de contestação valeu-lhe a prisão na Bastilha, onde passou 11 meses (de 1717 a 1718), adotando, a partir dessa ocasião, o pseudônimo de Voltaire. Foi defensor da justiça e autor de inúmeros livros, dentre os quais se destacam O Século de Luís XIV (1751), Dicionário Filosófico (1764) e Cândido (1759), tido como sua obra-prima.

*10 João Paulo II — O primeiro Papa não italiano desde 1523. Karol Wojtyla nasceu no dia 18 de maio de 1920 em Wadowice, Polônia. Foi ordenado sacerdote em 1946 e se doutorou em Teologia na Universidade Pontifícia de Roma, em 1948. Foi eleito Papa em 16 de outubro de 1978, sucedendo a João Paulo I, que governou a Igreja Católica Apostólica Romana no curto período de 33 dias. Wojtyla adotou, então, o nome João Paulo II. Em 13 de maio de 1981, foi gravemente atingido por um tiro durante uma tentativa de assassinato, quando percorria de carro a Praça de São Pedro, no Vaticano. João Paulo II publicou livros de poesia e, sob o pseudônimo Andrzej Jawien, escreveu uma peça de teatro, “A Loja do Ourives” (1960). Os seus escritos éticos e teológicos incluem Amor Frutuoso e Responsável e Sinal de Contradição, ambos publicados em 1979. Conhecido como “O Papa Peregrino”, por suas muitas viagens missionárias, contribuiu sensivelmente para a busca da Paz em todo o mundo. João Paulo II faleceu em 2 de abril de 2005, depois de 27 anos de pontificado. Foi sucedido pelo cardeal alemão Joseph Ratzinger, proclamado Bento XVI.

*13 Muhammad — O Profeta do Islã nasceu em Meca, Arábia Saudita. Em suas múltiplas viagens teve conversas com persas, judeus e cristãos. Casou com uma viúva rica chamada Khadija, prima de um cristão. A partir de 610, passou a ter visões, avisando-o de que estaria destinado a estabelecer o Islã, isto é, a submissão a um só Deus. Perseguido, foi convidado a fazer da cidade de Yathrib, localizada ao norte de Meca, a sede de seu apostolado. Começou, assim, a migração (Hégira) gradativa dos adeptos da nova religião. O deslocamento terminou em 25 de setembro de 622, data que se tornou o ponto inicial da cronologia maometana. Muhammad, cujo nome significa “louvadíssimo”, morreu em Medina, também na atual Arábia Saudita.

*14 John Fitzgerald Kennedy (1917-1963) — Primeiro Presidente católico dos Estados Unidos da América. Graduando-se em Harvard, em 1940, alistou-se na Marinha. Em 1943, quando seu barco foi cercado e afundado por um destróier japonês, conduziu de maneira segura, apesar dos ferimentos graves, os sobreviventes pelas águas turbulentas. De volta da guerra, tornou-
-se congressista do Partido Democrático, chegando ao Senado em 1953. Em 1955, escreveu Profiles in Courage, com que foi agraciado com o Prêmio Pulitzer de História. Foi assassinado, na presença de sua esposa, Jacqueline (1929-1994), em Dallas, Texas, em 22 de novembro de 1963 — ainda não se sabe exatamente por quem —, enquanto desfilava, em carro aberto, ante a multidão, que o aplaudia.

*15 Oswaldo Euclides de Sousa Aranha (1894-1960) — Nasceu em Alegrete/RS, em 15 de fevereiro de 1894, filho do coronel Euclides de Sousa Aranha e de Luísa de Freitas Vale Aranha, proprietários da estância Alto Uruguai, no município gaúcho de Itaqui. Segundo entre os 11 filhos do casal, descendia diretamente, pelo lado paterno, de Maria Luzia de Sousa Aranha, baronesa de Campinas (da região paulista que hoje corresponde à cidade do mesmo nome). Seu pai, paulista de nascimento, exercia a chefia do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) em Itaqui. Depois de concluir o ensino secundário, fez amizade com Virgílio de Melo Franco, que alcançaria projeção política com a Revolução de 1930, e com Rubens Antunes Maciel, que o apresentaria a Luís Carlos Prestes, revolucionário de 1924 e, mais tarde, líder comunista. Frequentou a Faculdade de Direito. Em princípios de 1917, instalou sua banca de advogado em Uruguaiana. Pouco depois, casou-se com Delminda Benvinda Gudolle, com quem teve quatro filhos: Euclides, Osvaldo, Delminda e Luísa. Entre 1917 e 1923, dedicou-se quase exclusivamente à advocacia, obtendo em pouco tempo alto conceito profissional. Já em meados de 1917, o também advogado Getúlio Vargas, que se formara em 1907, fazia-lhe consultas sobre assuntos jurídicos. Aranha foi um dos principais articuladores da Revolução de 1930. Após o golpe, tornou-se Ministro da Justiça do Governo Provisório e da Fazenda. Foi Embaixador em Washington, entre 1933 e 1937, e Ministro das Relações Exteriores, em 1938. Já em 1947, teve participação destacada na Organização das Nações Unidas (ONU) para a criação do Estado de Israel. Em 1953, a convite de Getúlio Vargas, voltou ao Ministério da Fazenda, onde criou o “Plano Aranha”, essencialmente anti-inflacionário. Depois do suicídio de Vargas, em agosto de 1954, afastou-se da vida pública, retornando a seu escritório de advocacia. Em 1957, Aranha foi convidado a integrar a delegação brasileira na ONU, sendo nomeado, a 6 de setembro, chefe da delegação brasileira na XII Assembleia-Geral das Nações Unidas. Em 1960, concorreria à vice-presidência da República na chapa encabeçada pelo General Henrique Teixeira Lott, o que não ocorreu, em consequência de seu falecimento, em 27 de janeiro de 1960.

*16 Buda (563-483 a.C.) — Seu nome verdadeiro era Siddharta Gautama. Nasceu na região do Himalaia, em território atualmente do Nepal. Mantido por seu pai, o rei Suddhodana, Buda (o desperto, o iluminado) teve uma vida luxuosa, a qual foi abandonada depois que ele deparou com a miséria e a pobreza quando andava pelos arredores do palácio. Daí em diante, passou a dedicar sua vida aos assuntos espirituais. No século VI a.C., fundou o Budismo, religião que professa a crença na transmigração das Almas.

*17 Cícero (106-43 a.C.) — Seu nome completo era Marcus Tullius Cícero. Orador e político romano, tornou famoso seu eloquente repúdio a Catilina (Lúcio Sérgio Catilina) (108-62 a.C.), quando este, ousadamente, compareceu ao Senado romano depois de descoberta sua conspiração contra a República: “Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?” (Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?). Publicou, além de tratados de retórica, obras de filosofia.

*21 Anatole France — Nascido em Paris, França, é considerado um dos maiores escritores da História universal. Foi eleito, em 1896, membro da Academia Francesa. Suas obras são marcadas por um sutil humorismo, uma refinada ironia, um estilo clássico e fácil de escrever. Anatole esteve envolvido no famoso caso Dreyfus, encontrando, nessa passagem, material para sua História Contemporânea, um de seus grandes sucessos. Criou também o conhecido M. Bergeret, personagem central de diversos livros seus. Em 1921, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.

*24 Padre João de Brito — Um dos maiores ícones da história religiosa portuguesa. Por seu abnegado missionarismo pelo Oriente, é tido como o último seguidor português dos grandes apóstolos do século 16, o “segundo (Francisco) Xavier (1506-1552), o missionário jesuíta conhecido como o Apóstolo das Índias”. Nascido em Lisboa, João de Brito viajou para a Índia com o objetivo de pregar o Evangelho da salvação aos mais pobres e desprotegidos. Lá, sofreu perseguições e, por fim, o martírio. Esteve no Brasil. Célebre por sua vida de santidade, constância e firmeza, o lisboeta foi canonizado, em 1947, pelo Papa Pio XII.

* 25 Yogui Ramacharaka (1862-1932) — Pseudônimo de William Walker Atkinson, nascido em Baltimore, EUA, em dezembro de 1862, filho de William C. Atkinson e Emma L. Mittnacht. Em 1889, com quase 27 anos, casou-se com Margaret Foster Black, com quem teve dois filhos. Em 1896, depois de uma profunda crise pessoal, aproximou-se da escola do Novo Pensamento, que preconizava a obtenção da saúde, do bem-estar e da felicidade por meio do controle, da confiança e da expectativa no encontro com o princípio divino positivo e benevolente. Sua carreira de escritor teve início graças a dois editores do Novo Pensamento: Sydney Flower e Elizabeth Towne, que publicaram seus escritos por longos anos. Atkinson acabou por abrir sua própria escola: a Atkinson School of Mental Science (Escola Atkinson de Ciência Mental). Usualmente, empregava pseudônimos para escrever seus livros. O mais famoso foi Ramacharaka, que utilizou, de 1900 a 1912, para publicar obras sobre o Hinduísmo, ainda hoje de grande atua­lidade e importância. Na maior parte dos escritos sob esse pseudônimo, evidenciou, entre outros, o tema da insistente necessidade de o homem apropriar-se do corpo e da saúde antes de poder proceder em direção a um nível de consciência mais elevado. Posteriormente, transferiu-se para a Califórnia, passando a assinar outras novas obras com seu próprio nome. Morreu em Los Angeles, em 22 de novembro de 1932.

*27 Abraão Lincoln (1809-1865) — Lembrado como o abolicionista da escravatura negra em seu país, Lincoln é considerado um dos baluartes da moderna democracia e uma das maiores figuras da história norte-americana. Em 1860, disputou as eleições para a presidência da República, tornando-se o 16 o Presidente dos Estados Unidos da América. Ao iniciar seu governo, em 1861, enfrentou a separação de sete Estados escravistas do Sul, que formaram os Estados Confederados da América. O velho Abe, entretanto, não reconheceu essa separação, ratificou a soberania nacional sobre as unidades rebeldes e, exortando-as à conciliação, garantiu-lhes que jamais partiria dele uma ofensiva armada. Contudo, os separatistas tomaram o forte Sumter, na Virgínia Ocidental, levando o país à famosa Guerra da Secessão. Os confederados renderam-se em 9 de abril de 1865, em Appomattox. Na noite de 14 de abril de 1865, uma Sexta-Feira Santa, o ator John Wilkes Booth (1839-1865), defensor da escravatura negra e com forte ligação com os confederados, membro de uma famosa família de atores, assassinou Lincoln, no Teatro Ford, em Washington.

*28 José Bonifácio — Conhecido como o Patriarca da Independência, exerceu um papel fundamental nos preparativos e na consolidação da Independência do Brasil. Nasceu em Santos/SP, Brasil, em 13 de junho de 1763. Sua família era uma das mais ricas e importantes da cidade. Aos 21 anos, partiu para estudar na Universidade de Coimbra, Portugal, onde se especializou em Mineralogia. Já em 1822, quando ocupava o cargo de Ministro de D. Pedro I, era chamado por seus partidários de “Pai da Pátria”, “Timoneiro da Independência”, “o Patriarca”. Em vários jornais e publicações da época, era reconhecido como um dos primeiros a protestar contra a política recolonizadora das Cortes, além de um dos líderes da campanha pela permanência do príncipe no Brasil. Faleceu em Niterói, em 6 de março de 1838.

*32 Albert Einstein (1879-1955) — Físico judeu-alemão, um dos maiores gênios científicos de todos os tempos. Em 1900, formou-se na Escola Politécnica de Zurique, Suíça, e adotou nacionalidade desse país. Após seu casamento, em 1902, começou a trabalhar no Departamento de Patentes de Berna. Três anos depois, formulou a Teoria da Relatividade Restrita e passou a publicar artigos sobre Física teórica. Mais tarde, anunciou a Teoria Geral da Relatividade, que apresentou uma nova visão dos fenômenos gravitacionais. Em 1921, recebeu o Prêmio Nobel de Física. Com a chegada de Hitler (1889-1945) ao poder, foi obrigado a fugir da Alemanha, indo, em 1933, para os Estados Unidos, onde ganhou cidadania norte-americana, em 1940. Suas teorias permitiram a construção da primeira bomba atômica. Após as explosões no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), defendeu a fiscalização do uso da energia atômica e lutou pelo pacifismo.

*33 Martin Luther King Jr. (1929-1968) — Nasceu em Atlanta, na Geórgia, e formou-se em Teologia, na Universidade de Boston. Sua filosofia de não-violência baseou-se nos princípios cristãos e no trabalho de Gandhi. Ampliou o espaço da comunidade negra em seu país. Em Washington, dirigiu uma marcha com 250 mil pessoas e proferiu histórico discurso sobre seu sonho de ver brancos e negros confraternizarem. Essa marcha apressou a aprovação, pelo governo Lyndon Johnson (1908-1973), da Lei dos Direitos Civis (1964) e da Lei dos Direitos de Voto (1965). Em 1968, Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

*37 Shakespeare (1564-1616) — Um dos maiores poetas da literatura universal, William Shakespeare nasceu em Stratford-upon-Avon, Inglaterra. É até hoje alvo de estudo e inspiração a roteiristas de cinema e autores de peças de teatro. Exemplo disso são as tragédias Coriolano, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Hamlet, Rei Lear, Otelo, Antônio e Cleópatra e Cimbelino.

*38 Ibrahim Sued (1924-1995) — É considerado o pioneiro do colunismo social no Brasil. Alguns anos depois de se lançar no jornalismo impresso, ampliou sua coluna, passando a focalizar assuntos de interesse nacional e internacional. A entrevista com o Diretor-Presidente da LBV foi a última grande reportagem do gênero realizada pelo jornalista, em sua longa e vitoriosa carreira. Além de Paiva Netto, Ibrahim Sued entrevistou, entre outras importantes figuras, o Presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), o Marechal e Presidente do Brasil Arthur da Costa e Silva (1902-1969), o escritor Jorge Amado (1912-2001), o Papa Paulo VI (1897-1978) e a socialite Tereza de Souza Campos, viúva do Príncipe Dom João de Orleans e Bragança (1916-2005). Entrevistou também, na inauguração da cidade de Brasília, o Presidente brasileiro Juscelino Kubitschek (1912-1976).

*39 Dr. André Luiz — Pseudônimo de ilustre médico que, depois de ter cumprido destacado papel na sociedade brasileira, desencarnou e, posteriormente, pelo médium psicógrafo Francisco Cândido Xavier (1910-2002), compôs vários livros sobre os aspectos da vida no Mundo Espiritual.

*40 Moisés — Líder e libertador do povo hebreu, é o autor dos cinco primeiros livros da Bíblia Sagrada: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, que constituem o chamado Pentateuco Mosaico, ou Torá (Lei), para os judeus. Às vezes o termo Torá é usado num sentido mais abrangente, que inclui as leis suplementares transmitidas de forma oral de geração em geração até o fim do século II da Era Comum, quando foram codificadas e compiladas. A essa coleção deu-se o nome de Mishná.

*42 Charles Darwin (1809-1882) — Naturalista inglês, aos 22 anos embarcou a bordo do Beagle para uma viagem exploratória em circum-navegação por cinco anos (1831-1836). Dos registros dessa viagem, colhidos principalmente durante as visitas às ilhas Galápagos e às terras da América do Sul, originou-se, entre outras, sua obra-prima: Da origem das espécies através da seleção natural (1859), que contém sua teoria explicativa da evolução biológica dos seres. Suas hipóteses evolucionistas obtiveram estrondoso sucesso, como também suscitaram, e suscitam até hoje, violentas controvérsias. Publicou trabalhos de grande influência em vários domínios das ciências naturais.

*43 Dom Bosco (1815-1888) — João Melchior Bosco nasceu em 16 de agosto de 1815, em Becchi, perto de Turim, norte da Itália. Ficou órfão de pai aos 2 anos de idade e foi criado por Margarida, sua mãe. Em 5 de junho de 1841, foi ordenado sacerdote em meio à Revolução Industrial. Logo iniciou sua obra de educação de crianças. Dedicou-se aos jovens abandonados da cidade de Turim, que ele considerava “produtos da era da industrialização”, a qual então começava. Iniciou sua obra e, nos anos seguintes, fundou a Congregação Salesiana, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora e os Cooperadores Salesianos. Construiu, em Turim, a Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora. Fundou 59 casas salesianas em seis países e abriu as missões na América Latina. Publicou as Leituras Católicas para o povo mais simples. Desenvolveu o modo evangélico de educar por meio da Razão, da Religião e do Carinho, que se registrou na história como referencial pedagógico, denominado sistema preventivo. Em uma passagem bastante conhecida de sua vida, conta-se que Dom Bosco, em 30 de agosto de 1883, sonhara com a criação da capital brasileira, Brasília, que seria construída exatamente entre os paralelos de 15º e 20º, tornando-se uma terra abençoada. Morreu em 31 de janeiro de 1888. Foi beatificado em 1929 e canonizado por Pio XI, em 1934.

*44 Victor Hugo (1802-1885) — Poeta, romancista, teatrólogo e político francês, escreveu uma obra grandiosa e variada, sendo o porta-voz, na poesia, do Romantismo em seu país. Quando a Revolução de 1848 foi deflagrada, Victor entusiasma-se com os ideais inovadores das camadas mais pobres. Eleito deputado, transforma-se em um dos mais eloquentes opositores de Luís Napoleão. Quando Napoleão, o Pequeno, se torna imperador, é obrigado a exilar-se. Nessa época, escreveu A Lenda dos Séculos (1859-1883) e o romance Os Miseráveis (1862).

*45 Chico Periotto — Sensitivo Legionário, jornalista e membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). É também Diretor e Editor-responsável da revista BOA VONTADE, publicação da Editora Elevação.

*46 William James (1842-1910) — Nascido em Nova York, Estados Unidos, este filósofo e reitor da Universidade de Harvard se formou em Medicina na Lawrence Scientific School, na mesma instituição de ensino. Acompanhou Louis Agassiz (1807-1873), zoólogo suíço, em sua expedição ao Amazonas, seguindo para a Alemanha a fim de aperfeiçoar seus conhecimentos médicos. Sua primeira grande obra data de 1890: Princípios de Psicologia. Em 1898, na Universidade da Califórnia, formulou a teoria do pragmatismo. Publicou ainda o livro Études et Réflexions d’un Psychiste, no qual afirma que, na Inglaterra, um entre dez adultos vê Espíritos.
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BOX:

Time Tested Beauty Tips
(Dicas de Beleza à Prova do Tempo)

Para ter lábios atraentes,
Fale palavras gentis.
Para ter olhos amáveis,
Veja o Bem nas pessoas.
Para ter o corpo esbelto,
Compartilhe sua comida com os famintos.
Para ter cabelos bonitos,
Deixe uma criança acariciá-los uma vez por dia.
Para ter equilíbrio,
Ande com o conhecimento e nunca estará só.
Deixemos uma tradição com o futuro,
O cuidado pelos Seres Humanos nunca será algo obsoleto.
Pessoas, mais do que coisas, precisam ser recuperadas,
Renovadas, reanimadas, redimidas,
Redimidas e redimidas.
Lembre-se, se precisar de mão amiga,
Achará uma no final do seu braço.
Ao amadurecer, você descobre que tem duas mãos:
Uma para ajudar a si próprio e outra para ajudar o próximo.
Seus dias de fartura estão à sua frente.
Que você tenha muitos deles.

Poema do Deus Divino
Alziro Zarur (1914-1979)

O Deus que é a Perfeição, e que ora eu tento
Cantar em versos de sinceridade,
Eu nunca O vi, como em nenhum momento
Vi eu o vento ou a eletricidade.

Mas esse Deus, que é o meu eterno alento,
Deus de Amor, de Justiça e de Bondade,
Eu, que O não vejo, eu O sinto de verdade,
Como à eletricidade, como ao vento.

E O sinto na ânsia purificadora,
Na manifestação renovadora
Do Belo, da Pureza, da Afeição.

Com Ele falo em preces inefáveis,
Envolto em vibrações inenarráveis,
Que me trazem clarões da Perfeição.

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Bondade — que os pecados não consomem —
Do Espírito Divino aos filhos Seus:
Deus sempre desce até Seu filho, o homem,
Quando o homem sobe até seu Pai, que é Deus!

Pois creio é nesse Deus Imarcescível
Que ampara a Humanidade imperfeitíssima:
Deus de uma Perfeição inacessível
À humana indagação falibilíssima.

Templo da Boa Vontade é aclamado pelo povo como uma das Sete Maravilhas de Brasília/DF — Brasil

Aclamado pelo povo como uma das Sete Maravilhas de Brasília/DF, Brasil, o Templo da Boa Vontade (TBV), símbolo maior do Ecumenismo Divino, é o monumento mais visitado da capital federal, segundo dados oficiais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Distrito Federal (SDET). Desde que foi fundado por Paiva Netto, em 21/10/1989, já recebeu mais de 19 milhões de peregrinos e turistas. Na foto, da esquerda para a direita, o Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, a sede administrativa e o TBV.

Visite! Quadra 915 – Lotes 75/76
Brasília/DF – Brasil
Informações: (+5561) 3245-1070

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem "o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno".