Desconstruir o homem-ser-restrito

Fonte: Reflexão de Boa Vontade extraída do e-book "A Esperança não morre nunca", de abril de 2020. | Atualizada em junho de 2020.

A brevidade do tempo é o fantasma que atormenta o homem-ser-restrito, até que, um dia, ele perceba que, na verdade, é Espírito Eterno, pairando acima de todos os grilhões da carne perecível limitante. A Alma Imortal, criada à imagem e semelhança de Deus-Espírito, traz em si infinita fonte de Esperança.

David Marcu - unsplash
Reprodução

Abraão Lincoln

Dessa maneira, veremos que o tempo é, na realidade, o nosso fiel amigo, que nunca deve ser negligenciado, o que, muitas vezes, fazemos inconsequentemente. Cabe mencionarmos este instigante pensamento atribuído a Abraão Lincoln (1809-1865), 16o presidente dos Estados Unidos, que se encontrava exposto no gabinete do Irmão Zarur (1914-1979), no Rio de Janeiro/RJ: “O homem que se decide a parar até que as coisas melhorem verificará, mais tarde, que aquele que não parou e colaborou com o tempo estará tão adiante, que jamais poderá ser alcançado”.

Tenho afirmado em minhas palestras fraternas que, se é difícil, comecemos já, ou melhor, ontem!, porquanto muito resta a ser feito.

Arquivo BV

Laurindo Rabelo

Leiamos o testemunho, em forma de poesia, da lavra do médico e poeta Laurindo Rabelo (1826-1864), fundamental para o nosso aprendizado. O “Poeta Lagartixa” — assim conhecido porque era magro e de estatura alta — possuía um espírito francamente crítico. Vendo quanto tempo tinha perdido em coisas fúteis que antes considerava sérias, ele aconselha aqueles que desperdiçam oportunidades a não mais cometer essa falta grave, para mais tarde não chorar amargamente. Eis o extraordinário soneto:

A CONTA DO TEMPO

Deus pede estrita conta do meu tempo;

shutterstock

Forçoso é do meu tempo já dar conta.

Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,

Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?

 

Para ter minha conta feita a tempo,

Dado me foi bom tempo e não fiz conta;

Não quis, sobrando tempo, fazer conta;

Quero hoje fazer conta e falta o tempo.

 

Oh! vós que tendes tempo sem ter conta,

Não gasteis esse tempo em passatempo!

Cuidai de, enquanto é tempo, fazer conta!

 

Mas, ah! se os que contam com seu tempo,

Tivessem desse tempo alguma conta,

Não choravam, como eu, o não ter tempo!

Costumo dizer que o tempo vai passar de qualquer maneira. Não o percamos. Gastemo-lo praticando o Bem. E, ao compreender nossa origem divina, jamais olvidaremos esta salvadora lição evangélica deixada pelo Sublime Professor: Ajuntai para vós tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não escavam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 6:20 e 21).

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.