Um exemplo notável

Fonte: Jornal A Tribuna Regional, de Santo Ângelo/RS, edição de 25 e 26 de outubro de 2008, sábado e domingo.

O trágico desfecho do mais longo cárcere privado do Estado de São Paulo, que culminou com a morte da jovem e bela Eloá Cristina Pimentel, de apenas 15 anos, e da tentativa de homicídio de sua amiga Nayara Rodrigues da Silva, também de 15, serve de importante alerta aos pais e aos que cuidam de nossa infância e juventude.

Num mundo em que cada vez mais crianças e adolescentes pulam etapas decisivas no seu desenvolvimento físico, psicológico e moral, incentivados, sob alguns aspectos, de forma irrefletida, por parte restrita da mídia e dos próprios entes em quem confiam, necessária se faz uma profunda reflexão a respeito do assunto.

Bem a propósito, sobre o serviço midiático em nosso grande país, declarou, à Super RBV, o coordenador do movimento “Mídia da Paz”, dr. Hiran Castello Branco, presidente do Conselho Nacional de Propaganda, conselheiro da Associação Comercial de São Paulo, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e do CENP (Conselho Executivo das Normas-Padrão): “A mídia hoje se constitui no espaço público, no qual a sociedade discute os seus problemas e tem uma grande influência na formação, sobretudo dos jovens e das crianças. E lamentavelmente a violência foi talvez um dos produtos mais promovidos desde a Segunda Guerra até os dias atuais. Então, realmente a intenção do ‘Mídia da Paz’ é demonstrar que é possível obter grandes audiências, promovendo valores e construindo uma cultura de paz, como bem o comprovam os meios de comunicação da organização de vocês”.

Apesar de viver um drama indescritível, a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, encontrou forças para nos ensinar que, mesmo na dor, o ser humano é capaz de exteriorizar sentimentos condizentes com o caráter de filho de Deus. “Eu consigo perdoar o Lindemberg, mas que a justiça seja feita”, afirmou Ana. “Minha filha está feliz. Cumpriu a sua missão aqui na Terra, deu vida a outras pessoas”, completou.

É de igualmente se aplaudir a generosidade dos familiares ao autorizarem a doação de órgãos de Eloá, ofertando um magnífico exemplo de fraternidade.

Até o fechamento desta coluna, consoante a Agência Estado, “passa bem o homem de 25 anos que recebeu ontem, 20/10, o rim esquerdo e o pâncreas da adolescente (...), segundo boletim do Hospital Beneficência Portuguesa. (...) De acordo com a coordenadora clínica da equipe de transplantes de rim e pâncreas do hospital, Irene Noronha, o rim e o pâncreas ‘estão com boa função e estão evoluindo bem’. Ainda segundo o boletim, ‘o pâncreas apresenta boa função e o nível de glicemia do paciente, que sofria com diabetes crônico, está normal, sem necessidade de insulina’. (...) Transplantada com o coração de Eloá, Maria Augusta dos Anjos, de 39 anos, também passa bem e continua com o quadro clínico estável, segundo o médico José Pedro da Silva. Os tubos foram retirados na noite de ontem e ela já conversa normalmente”.

São atitudes com esse grau de desprendimento e de solidariedade que nos dão ânimo para prosseguir acreditando na melhoria de cada indivíduo. A Caridade transcende o ato de oferecer um pão. Eis o indispensável ensinamento: Somente o Amor legítimo liberta-nos das algemas do rancor, que nos provoca uma série de enfermidades psíquicas, físicas e, consequentemente, sociais.

Ao Espírito Eterno de Eloá – pois os mortos não morrem –, aos seus familiares e aos envolvidos neste lamentável acontecimento, os nossos sentimentos de paz.

Leis que funcionem

É a hora de união, conforme anotei no Manifesto da Boa Vontade, em 1991, de todos quantos creem na regeneração do tecido social, tendo o Espírito como princípio.

No livro Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987), registrei: Quantas leis sejam feitas, tantas maneiras o ser humano encontrará de fraudá-las, enquanto não entender que temos solidários compromissos uns para com os outros. Isso é exercer a cidadania. É fortalecer as comunidades. Não há departamentos estanques no mundo, principalmente agora, na era da rapidez das comunicações e da constante ameaça nuclear. (...) A violência já está clamando bem alto, assustando todas as classes. É urgente, então, que as leis funcionem.

Para tanto, entre outras providências, é inadiável melhorar a qualidade de vida dos professores (educação) e dos policiais (segurança).

Bloco do “eu sozinho”

Recebi da assistente social Andréa Frossard, professora da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro/RJ, um e-mail, no qual revela divulgar com satisfação meus artigos em seu site http://andreafrossard.spaces.live.com/default.aspx. Ela finaliza a mensagem comentando gentilmente: “Seu trabalho social é lindo”.

Grato, professora Andréa. A beleza maior é poder assistir à sociedade conscientizando-se de que o bloco do “eu sozinho” não nos levará a lugar algum.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.