COP15 e economia sustentável

Fonte: Jornal de Brasília, edição de 1º de dezembro de 2009, terça-feira.

Grande parte dos serviços que sustentam toda a vida na Terra, inclusive a própria economia, está ameaçada.”

A Organização Mundial de Meteorologia anunciou recentemente que houve, desde a era pré-industrial (1750), um acréscimo de 38% na concentração de gás carbônico (CO2) na atmosfera. De acordo com especialistas, é um dado alarmante e exigirá da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, a COP15, em Copenhague, Dinamarca, de hoje até 18 de dezembro, propostas ambiciosas de redução das emissões de CO2, um dos vilões do efeito estufa e do aquecimento global.

Outro preocupante estudo, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e divulgado pela BBC Brasil, estima que em até 20 anos o Oceano Ártico poderá perder todo o seu gelo no verão e se tornar totalmente navegável nos meses mais quentes. “‘É como se o homem estivesse tirando a tampa da parte norte do planeta’, afirma o professor Peter Wadhams.”

Proposta ousada

Matéria da Agência Estado, publicada no portal www.boavontade.com, em 23/11, informa que, “além da meta voluntária de redução das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, o Brasil levará outro trunfo para a COP15. O governo apresentará um percentual abaixo de 5% na emissão de gases pelo desmatamento da Amazônia em relação ao total emitido pelo país (...). A queda das emissões resultantes do desmate da Amazônia em relação ao total do país deve-se à redução do desmatamento nos últimos quatro anos”.

As propostas e exemplos do Brasil estão em sintonia com o parecer do secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, Yvo de Boer, de que “não há plano B para Copenhague. Só há um plano A. E A quer dizer ação”. Que assim seja!

Ecoeficiência econômica

Muito ainda resta ser feito para diminuirmos o impacto das atividades humanas no meio ambiente, pari passu à busca de métodos de crescimento sustentável da economia. As últimas catástrofes naturais e suas funestas consequências trouxeram um recado: a questão ambiental tornou-se tema econômico.

Em depoimento ao programa Conta Corrente, da Globo News, o economista Hugo Penteado alertou para o fato de que, “até os dias de hoje, nenhum modelo dos economistas reconhece a importância dos serviços ecológicos, dos recursos da Natureza para o processo econômico. Então uma nova mensuração refletiria a contribuição do planeta. Ainda mais importante é a forma pela qual esses serviços irão permanecer num longo prazo, porque é isso que está em jogo hoje. Grande parte dos serviços que sustentam toda a vida na Terra, inclusive a própria economia, está ameaçada”.

Tudo isso nos faz lembrar o que afirmou Jesus a respeito de uma grande tribulação “como nunca houve nem jamais se repetirá” (Evangelho, consoante Mateus, 24:21). A ciência anda preocupada com tal possibilidade. Não custa, pois, pensar na palavra do Mestre, sem preconceitos ou tabus.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.