71 anos de Fraternidade Ecumênica

Fonte: A Tribuna Regional, de Santo Ângelo/RS, edição de 24 e 25 de dezembro de 2009, quinta e sexta-feira. | Atualizado em dezembro de 2020.
Arquivo BV

Alziro Zarur   

Ao raiar de 2021, a fraterníssima Legião da Boa Vontade completa 71 anos de profícua existência. Mais de sete décadas ao lado do povo, ajudando-o a suplantar as mais árduas pelejas da vida. Nascida na cidade do Rio de Janeiro, em 1o de janeiro (Dia da Paz e da Confraternização Universal) de 1950, pela genialidade do saudoso jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979), a LBV tem como logomarca um coração azul, entrelaçado por 34 elos – referência ao número do versículo do capítulo 13 do Evangelho de Jesus, segundo João“Amai-vos como Eu vos amei”. Nela ainda se lê o Cântico dos Anjos aos pastores no campo, quando do nascimento do Salvador dos Povos: “Paz na Terra aos homens de Boa Vontade”  (Boa Nova, segundo Lucas, 2:14). É o símbolo maior de sua atuação solidária e ecumênica, quer dizer, universal.

A comemoração dessa data deu-se graças à Proteção Divina e ao apoio popular. Vem deles a força motriz que levou a Instituição, no Natal de 2020 — ano marcado pela pandemia da Covid-19, que tantas vidas ceifou e ainda a todos nós ameaça —, a cumprir o desafio, lançado por ela mesma, de distribuir, em todo o Brasil, a mais de 50 mil famílias de baixa renda, cestas de alimentos. Isso sem contar os seus serviços e programas socioeducacionais, pautados pela Pedagogia do Afeto (direcionada para crianças de até 10 anos) e pela Pedagogia do Cidadão Ecumênico, que asseguram diariamente um padrão de qualidade nas ações voltadas aos adolescentes, jovens, adultos e idosos atendidos em nossas unidades espalhadas pelo território nacional e também no exterior, mesmo tendo sido feitas, no caso de algumas atividades, à distância.

Aplacar a tempestade

Em Jesus e a Cidadania do Espírito (2001), escrevi:

Diante das mais distintas situações, em que a dor e o sofrimento chegam, muitas vezes sem avisar, é imprescindível o gesto solidário das criaturas em prestar socorro material e, sobretudo, espiritual ao próximo. E, ao lado desse apoio imediato, é preciso alimentar a força da esperança e da Fé Realizante, que levam o ser humano a se manter sob a proteção do Pai Celestial e o estimulam a arregaçar as mangas e concretizar suas mais justas súplicas.

Nos desafios da existência, recordemos sempre as palavras de conforto e ânimo renovados de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, constante do Seu Santo Evangelho, segundo Mateus, 8:23 a 27; Marcos, 4:35 a 41; e Lucas, 8:22 a 25. A seguir, o texto da Boa Nova unificado por Wantuil de Freitas (1895-1974):

— Aconteceu que, num daqueles dias, Jesus tomou uma barca, acompanhado pelos Seus discípulos; e eis que se levantou no mar tão grande tempestade de vento que as ondas cobriam a barca, enquanto Jesus dormia na popa, sobre um travesseiro. Os discípulos O acordaram aos brados, dizendo: “Salva-nos, Senhor, nós vamos morrer!” E Jesus lhes respondeu: “Por que temeis, homens de pequena fé?” Então, erguendo-se, repreendeu os ventos e o mar; e se fez grande bonança. Aterrados e cheios de admiração, os discípulos diziam uns aos outros: “Afinal, quem é Este, que até o vento e o mar Lhe obedecem?”

Tela: Jules Joseph Meynier (1826-1903)

Título da obra: Cristo adormecido em Seu barco.

Enfrentar e vencer as tormentas

O que tem sido a vida humana, para muitos, a não ser o atravessar de procelas, que devemos vencer, não fugindo delas? Vejamos o exemplo na própria náutica. Durante uma tempestade com vagalhões, o comandante embica a proa do navio na direção das vagas, se ele, surpreendido pela tormenta, não pôde fugir dela. Não vira para o lado, não dá às vagas os seus costados. Senão, o barco corre o grave risco de adernar e até submergir. Assim cada um de nós tem de ser. Enfrentar as intempéries do cotidiano com o potente navio que o Celeste Navegador nos oferece, que é o nosso corpo, conduzido pelo Espírito, mesmo quando nos sentimos enfermos. Encarar a tempestade e vencê-la, derrubadas as ilusões da vida. Porque aí é possível sonhar com um mundo melhor. Iludirmo-nos é que não podemos. E, no instante em que o temporal estiver mais forte, a ponto de pensarmos que soçobraremos — ou, o que é pior, acharmos que o Competente Comandante está distraído, descansando —, tenhamos a certeza de que o Divino Timoneiro não dorme. Jesus sempre se encontra vigilante, pronto a orientar a Sua tripulação, indicando-lhe novas viagens pelo planeta inteiro, esperando que ela mostre a sua capacidade e perseverança.

"Por que temeis, homens de pequena fé?"

Assimilemos o quanto antes essa reprimenda justa de nosso Senhor e Mestre, pois, de qualquer forma, na hora certa, Ele vai erguer-se, repreender os ventos e o mar, e far-se-á paz nos corações.

Renovação da Esperança

Em As Profecias sem Mistério (1998)defino o Natal como a expansão da Fraternidade Ecumênica, e o Ano-Novo, a renovação da Esperança, cujo resultado dependerá de nossa capacidade de reação, criadores da riqueza ou mantenedores da pobreza, individual e coletiva,  espiritual e material. A cada 25 de dezembro e 1o de janeiro, precisamos, crescentemente, entronizar os ensinamentos do Divino Mestre acima das tradições humanas, por mais respeitáveis e belas que sejam, pois estas não podem substituir o sacrifício Daquele que, há quase dois mil anos [estávamos em 1998], entregou Sua vida por Amor a nós. Somos ainda civilização cristã bem distante da ética do Evangelho e do Apocalipse de Jesus, senão como justificar tamanhas atrocidades que se repetem e se multiplicam no mundo?!

Tela: Antonio Balestra (1666-1740)

Detalhe da obra: A adoração dos pastores.

Nosso melhor desejo ao querido povo brasileiro e aos estrangeiros de Boa Vontade, em qualquer época do ano, é o de que possam encontrar, sempre mais, o conforto, a sabedoria e a libertação que as lições do Educador Celeste verdadeiramente nos proporcionam para a Eternidade: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos” (Boa Nova do Cristo, segundo João, 13:34 e 35).

Estimadas leitoras, prezados leitores, busquemos, agora e sempre, na Espiritualidade Superior o norte de nossa existência. O meu convite solidário para um Ano Novo de plena Renovação Espiritual é este: Jesus é a Bússola de nossa mais legítima Esperança. Sem Ele, isto é, a Fé Realizante e a Caridade Divina, viveremos perdidos nos mares procelosos da vida humana.  

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem “o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência espiritual, moral, mental e humana. Ora, sem esse saber de que existimos em dois planos, portanto não unicamente no físico, fica difícil alcançarmos a Sociedade realmente Solidária Altruística Ecumênica, porque continuaremos a ignorar que o conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, por conseguinte, o direciona à construção da Cidadania Planetária”.