A função civilizadora do comércio

Fonte: Revista BOA VONTADE, edição 192, de agosto de 2004.

Nesta edição, o escritor Paiva Netto apresenta com exclusividade a Vocês, leitoras e leitores da revista BOA VONTADE, trechos do capítulo VII de sua obra O Capital de Deus, nascidos de seus improvisos no rádio e na televisão.
Boa leitura!

Com saudade, vêm-me à memória ensinamentos que o meu saudoso pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000), me transmitia, quando ainda eu era jovem. Uma das coisas que nunca esqueci foi a menção à famosa Rota da Seda, conhecida desde os tempos dos romanos, sendo uma das mais importantes durante a Idade Média. Com mais de 6 mil quilômetros de comprimento, viabilizava o comércio entre o Ocidente e o Oriente.

Esse antigo roteiro comercial acabou tornando-se também um corredor para a troca de idéias entre as duas faces do mundo. (...) Os Irmãos budistas não perderam a oportunidade: expandiram o pensamento do Sakya-Muni*1 para outros povos por meio das condições favoráveis que o formidável caminho lhes oferecia*2. Das eras mais remotas da História chega-nos o preceito de que o comércio possui um exercício civilizador. Basta ver que os negociantes fundaram inúmeros povoados ao longo dos trajetos, o que lhes proporcionou conseqüentemente o aumento dos seus ganhos, como nas viagens marítimas dos fenícios que inauguraram feitorias por onde passavam. No Brasil, temos o exemplo das Entradas e Bandeiras. Infelizmente, tudo regado a sangue, no grande banquete da violência. O Ser Humano ainda trilha caminhos distanciados, até que entenda constituir, ele próprio, o Capital de Deus.

Os efeitos de conhecer a Espiritualidade Superior

Trata-se de trabalho de longo prazo, mas se, por um lado, a atividade mercantil estabeleceu, em várias épocas, pequenas comunidades que, mais tarde, se tornariam até mesmo grandes metrópoles, por outro, não pode deixar de ela própria (a atividade mercantil) sofrer um processo urgente de civilização com Espiritualidade Celeste, para que não se veja, em algum momento, alvo desta parábola em que Jesus reprova a avareza (Evangelho, segundo Lucas, 12:13 a 21):

A parábola do rico insensato*3

"13 Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão Lhe falou: “Mestre Jesus, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança”.
"14 Mas Jesus lhe respondeu: 'Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?'.
"15 Então lhes recomendou: 'Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza, porque a vida de um Homem não consiste na abundância dos bens que ele possui'.
"16 E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: 'O campo de um homem rico produziu com abundância'.
"17 E ele arrazoava consigo mesmo: ‘Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?’.
"18 E disse: ‘Farei isto: destruirei os meus celeiros, os reconstruirei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens.
"19 Então direi à minha Alma: Tens em depósito muitos bens para muitos anos: descansa, come e bebe, e regala-te!’.
"20 Mas Deus então lhe disse: ‘Louco! Esta noite te pedirão a Alma; e o que tens preparado para quem será?’.
"21 'Assim acontece a quem entesoura para si, e não é rico diante de Deus”.

Como espiritualizar, porém, a atividade humana sem que os Seres Humanos reconheçam a veracidade do Mundo Espiritual e suas Leis? O Plano Invisível*4 é ainda insondável (mas deixará de ser) aos restritos sentidos físicos, pois constitui uma realidade, um Poder Ético Transcendental, que Alziro Zarur (1914-1979) descreve no seu

Poema do Deus Divino

O Deus que é a Perfeição, e que ora eu tento
Cantar em versos de sinceridade,
Eu nunca o vi, como em nenhum momento
Vi eu o vento ou a eletricidade.

Mas esse Deus, que é o meu eterno alento,
Deus de Amor, de Justiça e de Bondade,
Eu, que o não vejo, eu o sinto de verdade,
Como à eletricidade, como ao vento. (...)

Nanotecnologia e crença

Nestes tempos de nanotecnologia*5, não é tão necessário ver para acreditar, mesmo cientificamente. Leucipo (460-370 a.C.) e Demócrito (470-370 a.C.) enunciaram a existência do átomo, mas nem por isso o enxergaram, o tocaram ou sentiram o seu cheiro.
Assim acontece, ainda hoje, relativamente ao Reino de Deus, que, antes de ser registrado pelos nossos olhos, deve ser pressentido por nosso coração. Disse o Cristo: "O Reino de Deus está dentro de vós" (Evangelho do Cristo, segundo Lucas, 17:21).

Aliás, o órgão — considerado no Ocidente como representativo do sentimento — alcança, vezes bastantes, mais prontamente aquilo que o cálculo demora a concluir. Grande avanço para a Humanidade será o dia em que coração esclarecido e mente percebida da Mecânica Espiritual caminharem juntas.

Como afirmou o Papa João Paulo II (1920-2005): "Na realidade, todas as coisas, todos os acontecimentos, para quem os sabe ler com profundidade, encerram uma mensagem que, em definitivo, aponta para Deus."

Evidentemente, o saudoso Pontífice fala do Deus que é Amor, definido por João Evangelista em sua Primeira Epístola, 4:8: "Aquele que não ama não conhece Deus, porque Deus é Amor."

Certa vez, escrevi que a Ciência iluminada pelo Amor eleva o Ser Humano à conquista da Verdade.

In medio virtus est, ponderam os antigos, desde Aristóteles (384-322 a.C.), em Ética a Nicômano. Realmente, a virtude encontra-se no equilíbrio, e não somente no campo moral, porém em todos os demais, que este deve iluminar.

Sentimentos bons e eficiência

Os sentimentos bons, representados pelo Amor-Solidariedade, são eficientes, mesmo quando nos descobrimos diante dos maiores desafios da Vida, cuja superação exige inteligência, pertinácia e, justamente, equilíbrio, ou, melhor dizendo, bom senso.

Você, homem prático, até pode achar que isso pouco tenha a ver com o tema principal desta palestra em defesa do Capital de Deus. Contudo, um dia desses, observando certas manifestações na mídia, comentei, no meu programa de rádio, que alguns apressados querem fazer crer às novas gerações que o Amor Fraternal, para o progresso do indivíduo e/ou da coletividade, é algo descartável. Ah, é?! Que desejam, então? A morte do sentimento?!

No Congresso da Boa Vontade de 1969, quando Alziro Zarur lançou oficialmente o Centro Espiritual Universalista, o CEU da Religião de Deus, a Religião do Amor Universal, ao me ser dada a palavra, assim me expressei:

“Fraternidade não é coisa abstrata. Fraternidade, além de tudo aquilo que entendemos como relacionamento cordial entre as criaturas humanas, expressa-se no campo objetivo das soluções efetivas dos problemas nacionais e mundiais, como Solidariedade: escolas para instruir e educar, emprego para as multidões que todos os anos invadem o mercado de trabalho, a solução do problema dos aposentados, o uso dos meios de comunicação para esclarecer, e não para engazopar as massas com uma realidade falsa de fartura cinematográfica e televisiva, pois de mesas vazias; e isto ocorre na enormidade de lares em que se padece de fome pelos países afora. Também, e principalmente, Fraternidade é o esclarecimento espiritual das massas, de preferência em Espírito e Verdade à luz do Novo Mandamento do Cristo, pois o mundo só conhecerá a Paz quando vivenciar o Amor Espiritual e compreender a Realidade Divina.

“Disse Jesus, o Grande Libertador: “Conhecereis a Verdade (de Deus), e a Verdade (de Deus) vos libertará" (Evangelho do Cristo, segundo João, 8:32).

“(...) Prega a Política Divina que é essencial viver a Fraternidade interclasses para que surja a Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, cujo alicerce maior é o Mandamento Novo do Ideólogo Celeste, ou seja, realizar uma genuína Revolução Espiritual, firmada na ética que a Humanidade precisa praticar para que possa sobreviver:

“— Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes Amor uns pelos outros. (...) Não há maior Amor do que este: dar a sua própria Vida pelos seus amigos. (...) Porquanto, assim como o Pai me ama, Eu também vos tenho amado. Permanecei no meu Amor (Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e 35; 15:12, 13 e 9).

“(...) Trata-se da Lei de Solidariedade Humana e Social, um fio milagroso que une as partes anacronicamente separadas do organismo sociedade, razão por que incluímos aqui esta avançada afirmativa de Zarur: “Religião, Ciência, Filosofia e Política são quatro aspectos da mesma Verdade, que é Deus".

“E esta admoestação do escritor inglês Gilbert Keith Chesterton (1874-1936): “Estamos todos num mesmo barco, em mar tempestuoso, e devemos uns aos outros a maior lealdade".

Fraternidade dinâmica

“A função do CEU (Centro Espiritual Universalista) da Religião de Deus é, pois, desbastar arestas, para harmonizar os Seres Humanos em conflito, e derrubar bastilhas, para o que são imprescindíveis a ação da Fraternidade — que é energicamente dinâmica, na forma de Solidariedade — e o apoio do Mundo Espiritual — que existe, apesar de não ser percebido pelos fracos sentidos humanos.”

E assim terminei a minha palavra naquele sábado festivo, já bem distante, de 1969.

Por isso, corretíssimo se encontrava Zarur ao pregar a união das Duas Humanidades: a da Terra com a do Céu, a do Céu com a da Terra, a exemplo do que também preconizou Léon Denis (1846-1927).

Harmonia e Transformação

A respeito de harmonizar as criaturas em sua vivência, não de despersonalizá-las, escrevi em Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987):

“Existe a harmonia que adeja sobre todas as coisas. E sempre que alcançada é fator de sobrevivência para a Humanidade. Rege os contrários. É vital a consciência de que essa Harmonia existe do micro ao macrocosmo, de forma que possamos viver sua sintonia. Todos os grandes reformadores, transformadores da Humanidade, de uma forma ou de outra, sabendo ou não, receberam o seu banho lustral... Deus é essa Harmonia.

É claro que não me refiro ao deus antropomórfico, responsável por guerras e misérias seculares.

Vencer o retardamento espiritual

Este não é ainda um mundo ideal. Mas, se pensarmos apenas dentro dos limites físicos, que o constringem, como se nada mais houvesse além do reino físico, quando a Ciência já vem desmontando essa prisão, que nos tolheu o raciocínio e nos feriu a consciência pelos milênios, que mais seremos senão retardados espirituais a atrasar o progresso das gerações, que esperam dos seus antecessores os fundamentos para uma existência mais digna?

Base de uma economia altruísta: Solidariedade.

Na Economia da Solidariedade Humana, componente da Estratégia da Sobrevivência — que há tantos anos pregamos —, aprendemos que a maior vocação do Ser espiritualmente esclarecido é servir ao Criador, no amparo de Suas criaturas. Para ilustrar, poderíamos dizer que, no trabalho de apoio instrutivo, educativo e social dos cidadãos, o melhor não é o suficiente. (Esta deveria tornar-se regra abraçada por todos, políticos e educadores, acrescida do item espiritual, pois nada se pode fazer de efetivo neste mundo se não conhecermos a nossa verdadeira origem, visto que, se estamos provisoriamente carne, somos eternamente Espírito). Portanto, não percamos ocasião de realizar o Bem. Isso nos renova sempre e impulsiona o indivíduo em sua jornada em busca do aprimoramento pessoal, como proclama o Corão Sagrado (A Família de Imran), 3a Surata "92 Jamais alcançareis a virtude, até que façais caridade com aquilo que mais apreciardes. E sabei que, de toda caridade que fazeis, Deus bem o sabe"

Caridade e Política

A Caridade, na sua expressão mais profunda, deveria ser um dos principais estatutos da Política, porque não se restringe ao simples e louvável ato de dar o pão. É um sentimento que — iluminando a Alma do governante, do parlamentar e do magistrado — conduzirá o Povo ao regime em que a Solidariedade é a base da Economia, entendida no seu mais amplo significado. Isso exige uma reestruturação da Cultura, por meio da Espiritualidade, como disciplina acadêmica. Estaríamos, assim, erigindo o império da Boa Vontade*6 neste mundo, o estado excelente para o Capital de Deus, que circula por todos os cantos e que não aceita especulação criminosa. Recordo-me de uma antiga marchinha do querido Lamartine Babo (1904-1963), tio do Sargentelli (1924-2002), que se cantava assim:

Já amei demais
no Ocidente
Só me falta um
grande Amor
que me oriente.
(...)

É o que anda faltando, senhores pragmaticíssimos, para que vigore a Paz entre Oeste e Leste: um grande Amor-Solidariedade que nos oriente. Senão, ao toque da Sexta Trombeta (Apocalipse de Jesus, 9: 13, 14, 15 e 16) será ouvida

"13 (...) uma voz procedente dos quatro ângulos do altar de ouro que se encontra na presença de Deus,
"
14 a qual dizia ao sexto Anjo, o mesmo que tem a trombeta: Solta os quatro Anjos que se encontram atados junto ao grande rio Eufrates.
"
15 Foram, então, libertados os quatro Anjos que se achavam prontos para a hora, o dia, o mês e o ano, para que matassem a terça parte dos homens.
"
16 O número dos exércitos da cavalaria era de vinte mil vezes dez milhares; eu ouvi o seu número: duzentos milhões.
(...)"

Anotaram bem? Rio Eufrates, cujas águas secaram para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol (Oriente). (...) E os ajuntou num lugar que em hebraico se chama Armagedom (Apocalipse, 16: 12 e 16 — O Sexto Flagelo). Diante de alguns fatos atuais, muito sugestivas mesmo essas passagens do Livro da Revelação.

Ora, pessoas diferentes podem ecumenicamente atuar juntas, desde que o bem comum seja colocado acima de atavismos e idiossincrasias (as Olimpíadas são um modelo). Todos devemos entender que a nossa vida depende da preservação da nossa morada coletiva, isto é, o Planeta Terra.

De certa forma, o sorridente Lalá, sabendo ou não, estava propondo, por meio da sua saltitante composição carnavalesca, um caminho diplomático a ser percorrido para que Ocidente e Oriente venham a se amar de verdade, de modo economicamente solidário, portanto, de maneira que não sejam massacradas as suas melhores tradições. A cultura popular costuma ver mais adiante do que a compreensão intelectual de grandes pensadores. Tolice?! As sendas, até agora transpostas, nos têm conduzido por estágios de incertezas, como este da globalização excludente. Não sou contra o mundo globalizado, mas não concordo com qualquer sistematização desumanizadora.Todavia, reconheço, como já declarei, que — enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de bom senso almejado, qualquer nação padecerá cativa das limitações que a si própria se impõe. (...) Há, ainda, um outro pormenor a ser permanentemente destacado: precisamos de Educação e Cultura, mas também de muita Espiritualidade Ecumênica.

Muito além da compreensão comum de Espiritualidade Ecumênica

Quando falo em Espiritualidade, como de certa maneira já expliquei, envolvo aqueles que nos antecederam na marcha para o Mundo da Verdade, porque os mortos estão de pé*7. Duvida?! Todavia, sempre há um momento em que pensamos, no recôndito de nossa mente e de nosso coração — sem que ninguém, a não ser nós mesmos, o saiba — , naquilo que pode vir depois que nosso Espírito, na hora exata determinada por Deus, abandone as fronteiras da vida humana. Pode ser o menor dos cidadãos, o sacerdote mais alçado, o político mais conhecido, o juiz togado, o presidente da República, um rei ou imperador: ninguém foge ao fenômeno da morte. Que tal criar coragem e enfrentar o único fato inafastável da existência do Ser, porque não há potência terrena que o possa impedir nem há dinheiro no mundo que corrompa uma Lei Universal?

Os poderes terrestres têm o limite de sua fatuidade. Os mortos aí estão, atuantes, e não são assombrações. Mas, na verdade, seres vivos que merecem respeito e que interferem em nossa vida, saibamos ou não.

Espíritos Preventivos

O Dr. Bezerra de Menezes (1831-1900), em seu livro Reflexões sobre Jesus e Suas Leis (Editora Elevação), esclarece:

"Constantemente somos influenciados por forças benignas ou malignas. Entretanto, se estamos querendo a Coerência Divina, os Espíritos de Deus serão os nossos inspiradores. São os que nos orientarão nos momentos de angústias e dores. Trata-se dos Espíritos Preventivos (nossos Anjos da Guarda). Ora, se andarmos com os Espíritos de Luz da Prevenção contra o erro, quem nos deterá?"

Quando o Ser Humano se purifica, tudo melhora à sua volta. Passa a receber maior proteção do Plano Invisível. A esse respeito, escrevi em Somos todos Profetas que “o mundo físico não mais evoluirá sem o amparo flagrante do Mundo Espiritual. Eis o grande ensinamento que as nações aprenderão no transcurso do Terceiro Milênio.

Encontra-se em pleno desenvolvimento, para os que têm “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, a Revolução Social dos Espíritos da Luz, sem o auxílio da qual nenhuma reforma humana terá bom termo. Não se esqueçam do que já lhes declarei que a efetiva reforma social é oriunda do Mundo Espiritual. Nunca estamos sós. O ato de orar é uma demonstração disso.

Ciência e Sabedoria Espiritual

Um dia, a Razão e a Fé, após um comovente amplexo, finalmente cantarão as belezas da Ciência Divina. O amadurecimento das Criaturas é fato inarredável, que lhes permitirá condição superior de vida. Nessa época primorosa, o sucesso virá para todos, de acordo com as próprias obras de cada um (Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 16:27). Por isso, tantos não vêem com bons olhos a instrução e a educação das massas, pois, quanto menos informados estiverem dos seus direitos (e deveres), mais facilmente dominadas padecerão, já que poucas e ineficientes serão as suas obras, a começar pelas espirituais, ou seja, aquelas que decidirão sua verdadeira felicidade, nesta ou na Outra Vida. A fortaleza do Ser Humano está no poder imanente de sua consciência em paz consigo mesma. Afora isso, sem a justiça do prêmio pelas boas realizações, estabelece-se o clima absurdo da iniqüidade como regra cínica de uma sociedade que a si própria se condena. Advertiu o Divino Educador: "À hora que não esperais (pois só cuidais dos prazeres humanos) voltará vosso Senhor! "(Evangelho de Jesus, segundo Lucas, 12:40).

Manter viva a Fraternidade

Deus nos concede o conhecimento das Leis Universais. Jesus nos ergue com a sabedoria das Leis Morais. Sem a noção dessas e daquelas, torna-se difícil a vivência de melhores tempos na Terra, porque é preciso que a chama da Fraternidade não murche nos corações humanos nem nos dos Espíritos, que nos acompanham nas andanças por este plano físico. O Mundo Espiritual não é uma abstração.

Aos que se arrepiam à simples alusão destes postulados, esta máxima do filósofo e matemático francês (Blaise) Pascal (1623-1662): "Aquele que duvida e não investiga, diante de uma dúvida, torna-se não só infeliz, mas também injusto."

E podemos ousar acrescer às sábias palavras do velho Blaise (Pascal) esta consideração: a de ser injusto consigo mesmo (ou injusta consigo mesma), porque fechar a si a porta de novos continentes de sabedoria jamais vistos é crime inafiançável perpetrado contra o próprio futuro.

Ontem, o Ser Humano se arrastava pela terra; hoje, voa pelos céus. Agora, a mente racional, acostumada ao imperativo da prova para proclamar a realidade de qualquer fenômeno, declarada ou timidamente, procura Deus a fim de compreender mistérios para os quais o cálculo não encontra explicação.

Para terminar este papinho com Vocês, nada melhor do que trazer esta excelente dissertação de Max Planck (1858-1947), o enunciador da Teoria Quântica: "Como físico, portanto, como homem que dedicou a sua vida à insípida Ciência, à investigação da matéria, estou certo de não dar margens a ser considerado um irresponsável. E assim, após as minhas pesquisas do átomo, posso dizer o seguinte: não existe matéria isoladamente! Toda matéria consiste e se origina somente pela força, que põe em vibração as partículas atômicas e as coliga nos minúsculos sistemas solares do átomo. Uma vez que em todo o Universo não há uma força abstrata inteligente e eterna, devemos conseqüentemente admitir a existência de um Espírito Inteligentíssimo."

Touché!

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*1 Sakya-Muni – Assim também é conhecido o Buda. Sakya é a região de onde proveio; Muni quer dizer “O Sábio”.
*2 “(...) que o formidável caminho lhes oferecia” – No seu livro Voltamos, Paiva Netto refere-se às novas e boas estradas de Portugal (onde se encontra a sede da Legião da Boa Vontade na Europa), pois as vê como ponto de partida, já que fazem conexão com a Espanha e dali para os demais países, sendo, assim, forte instrumento para a expansão da fraterna Doutrina da Religião de Deus, Religião do Amor Universal, a Religião do Terceiro Milênio. A respeito dela escreveu seu Proclamador, Alziro Zarur (1914-1979): “A Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, é mais que toda a Religião: é toda a Ciência, é toda a Filosofia, é toda a Política e toda a Moral, todo o progresso humano, unido ao progresso de todos os mundos, de todas as Humanidades Siderais – O Amor Universal na apoteose ao Criador Onipotente, Onisciente e Onipresente, o nosso Deus, o nosso Pai!”.
*3 A parábola do rico insensato – Essa passagem do Evangelho de Jesus, segundo Lucas, 12:13 a 21, está comentada num dos próximos capítulos do livro O Capital de Deus (lançamento da Editora Elevação).
*4 Plano Invisível – Equivale a Mundo Espiritual.
*5 Nanotecnologia – Consiste na habilidade de manipular a matéria em escala atômica, compondo estruturas de tamanho ínfimo, utilizando-se, para isso, átomos como peças fundamentais. Pela reduzida escala em que atua, esta tecnologia é invisível aos olhos desprovidos de aparelhos especiais.O nanômetro, unidade de comprimento, é a bilionésima parte do metro.
*6 Proclamação da Boa Vontade – Zarur nos esclarece nos itens XI e XII de Boa Vontade de Jesus: “Nossa Boa Vontade não é, absolutamente, a boa-vontade que se vulgarizou nos banquetes das futilidades humanas. A nossa é a Vontade Boa de Nosso Senhor Jesus Cristo, aquela que sabe discernir entre o Bem e o mal, entre a Verdade e o erro, entre o Fato e as aparências do fato. Atingir o equilíbrio é a meta suprema. O Bem nunca será vencido pelo mal. Glória a Deus nas alturas, Paz na Terra aos Homens e às Mulheres da Boa Vontade de Deus!” (Paiva Netto, Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, vol. 3).
*7 Os mortos estão de pé – Para melhor compreensão do assunto, leia o Apocalipse de Jesus, segundo João, e os livros da Editora Elevação: As Profecias sem Mistério, Somos todos Profetas e Apocalipse sem Medo, que fazem parte da coleção O Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, da autoria de Paiva Netto, e que já venderam mais de 1,3 milhão de cópias. Leia também O Brasil e o Apocalipse, vol. 3, especialmente o capítulo “A abrangência do TBV”, também do mesmo autor.

José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta. É diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI-Inter), é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), à International Federation of Journalists (IFJ), ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, ao Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e à União Brasileira de Compositores (UBC). Integra também a Academia de Letras do Brasil Central. É autor de referência internacional na defesa dos direitos humanos e na conceituação da causa da Cidadania e da Espiritualidade Ecumênicas, que, segundo ele, constituem "o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno".

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