Compositor

Compositor e produtor musical, foi aluno do professor Homero Dornelas (1901-1990), assessor do notável Villa-Lobos (1887-1959). Elaborou a Marcha dos Soldadinhos de Deus, cantada pela primeira vez em 21/4/1960, pelas crianças amparadas pelo Instituto São Judas Tadeu, no Rio, onde colaborava como voluntário. A apresentação foi uma homenagem a Brasília, que o Presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) inaugurava naquela data.

Entre as múltiplas atividades que desenvolvia, foi sonoplasta dos progra­mas de Zarur, o que acentuou ainda mais seu ouvido musical. Não obstante a extrema dedicação à causa da Boa Vontade, sua ligação com a música não se perderia.

Seu primeiro sucesso, um tributo ao povo baiano, com o disco Negrada — Jesus, o Grande Libertador! (1º/4/1983, Salvador/BA), vendeu 100 mil cópias, conquista inédita no gênero erudito. A obra ganhou os palcos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, também em abril de 1983, sob a regência do conceituado maestro Isaac Karabtchevsky.

A estreia de Negrada — Jesus, o Grande Libertador! teve o arranjo do professor Darcy Augusto Malheiros e, para o concerto com a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), a orquestração foi do maestro Osman Giuseppe Gióia. Depois, na Bulgária, Europa, foi gravada com orquestração de Alexander Yossifov e a regência do maes­tro Ricardo Averbach, discípulo destacado do ilustre Vladi Simeonov.

A partir da década de 1980, suas composições foram apresentadas em Florianópolis/SC, Salvador/BA, Rio de Janeiro/RJ, Curitiba/PR, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, São Paulo/SP, Porto Alegre e Nova Petrópolis/RS, entre outras cidades, em que o repertório contou também com diversas produções dele, dedicadas a Maria Santíssima, com as quais homenageia o Brasil e vários de seus Estados. Destaque para os concertos realizados no ano 2000, pioneiros em caráter beneficente na Bulgária, produzidos pelo maestro José Eduardo de Paiva e regidos por Bedros Papazian.

Ressalta-se a sua parceria com o maestro Almeida Prado, com o qual escreveu a Sinfonia Apocalipse (1987), cuja primeira audição mundial deu-se a 21/10/1989, com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, capital brasileira, durante a inau­guração do Templo da Boa Vontade (1989), para cerca de 50 mil pessoas, que teve a regência de Achille Picchi; e, ainda, a Suíte Aquarius — A Dança dos Mundos, orquestração do compositor búlgaro Alexander Yossifov. Gravadas nas terras de Pancho Vladiguerov, a primeira pelo Coro e Orquestra da Rádio Nacional da Bulgária, e a segunda pela Sofia Chamber Players Orchestra. A Sinfonia Apocalipse foi apresentada, em 2000, na Sede da ONU (Organização das Nações Unidas), pelo Coral Ecumênico LBV. Glenn Watkins, crítico de música clássica norte-americano, considerou-a uma das dez obras-primas melódicas do século 20.

Outra peça de grande vulto é o Oratório O Mistério de Deus Revelado, escrito em Portugal, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul (1998), Brasil, sob a inspiração do genial Villa-Lobos. Gravada pelo Coro Capela Svetoslav Obretenov, da Bulgária, a obra superou a marca de 500 mil cópias vendidas, conquistando um disco de platina duplo. Em 9/4/2006, o Oratório teve sua primeira audição mundial em inglês na Convent Avenue Baptist Church, em Nova York, EUA, no Concerto da Semana Santa, sob a regência do maestro e pastor Gregory Hopkins e com a participação do The Sanctuary Choir, composto de afro-americanos.

Em 20/6/2006, nove dias antes de completar 50 anos de trabalho na LBV, foi homenageado pela direção do centenário Theatro São Pedro, de Porto Alegre, na pessoa da ilustre empresária cultural Eva Sopher, com a Noite Cultural Emoções e Memórias, evento que ficou para a história da Casa. As melodias dele foram apresentadas pela Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro e pelo Coral Ecumênico LBV, sob a regência do maestro Antônio Carlos Borges Cunha. Nova Petrópolis foi outra cidade gaúcha que, em 2006, também executou obras do autor.

Ao longo dos anos, os trabalhos dele receberam comentários de maestros, compositores e críticos musicais de renome, como Dorival Caymmi (1914-2008), Ricardo Cravo Albin, Francisco Mignone (1897-1986), Ricardo Averbach, José do Espírito Santo (1927-2005), Hélio Rosa e Alexander Yossifov (com quem escreveu um concerto para piano e orquestra). A obra fonográfica de Paiva Netto vendeu milhões de cópias.